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“Consumidor passa a ter o poder de escolha”, diz diretor da Pagar sobre abertura do mercado de energia

Publicado 17/08/2026 • 16:53 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Gilson Paulillo, diretor comercial da Pagar, afirma que a abertura do mercado deve aumentar a concorrência e dar ao consumidor maior poder de escolha.
  • A expansão para consumidores menores exigirá novas regras sobre migração, contratos, segurança e equilíbrio econômico-financeiro entre os agentes.
  • Novos modelos de comercialização e a entrada de empresas podem transformar a relação entre fornecedores e consumidores de energia.

O mercado livre de energia avança no Brasil e deve ampliar gradualmente o poder de escolha dos consumidores sobre o fornecedor de eletricidade. Um decreto publicado pelo governo federal regulamentou a abertura do mercado para consumidores de baixa tensão, permitindo que estabelecimentos comerciais e industriais escolham seus fornecedores a partir de 2027.

Para consumidores residenciais, a previsão é que a possibilidade esteja disponível a partir de 2028.

A mudança representa uma transformação estrutural no setor elétrico brasileiro, que durante décadas esteve baseado na escolha do fornecedor de acordo com a localização do consumidor.

Gilson Paulillo, diretor comercial da Pagar, afirmou que a abertura deve aumentar a concorrência e colocar o consumidor no centro da relação com as empresas de energia. “Agora ele passa a ter o poder de escolha em sua mão”.

Segundo o executivo, a mudança pode ser comparada ao processo de transformação observado no setor de telecomunicações, no qual consumidores passaram a escolher entre diferentes operadoras e ofertas.

A abertura, porém, será feita de maneira gradual. Os grandes consumidores já possuem acesso ao mercado livre de energia, enquanto a expansão para consumidores menores exige mudanças regulatórias e operacionais capazes de garantir segurança para toda a cadeia.

Para Paulillo, o processo de abertura começou pelos grandes consumidores porque o setor precisou desenvolver experiência sobre os impactos da liberdade de contratação antes de ampliar o modelo para uma parcela maior da população.

O executivo destaca que a transformação ocorre quase três décadas depois do início do processo de privatização do setor elétrico brasileiro, iniciado em meados dos anos 1990.

“Estamos chegando a 30 anos após isso, a todo esse processo de abertura plena do mercado”.

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Com a entrada de novos consumidores no Mercado Livre, as empresas também deverão modificar a forma como se relacionam com seus clientes. Em vez de uma relação predominantemente operacional, os fornecedores terão de conhecer melhor o perfil de consumo e desenvolver ofertas mais personalizadas.

“Ela vai precisar estabelecer um relacionamento para conhecer melhor o cliente, personalizar melhor a oferta e aproveitar as oportunidades”.

A mudança também pode abrir espaço para novos participantes no setor. O executivo compara o movimento ao ocorrido no mercado financeiro após a entrada de bancos digitais e carteiras digitais, que aumentaram a concorrência e ampliaram a oferta de produtos e serviços.

No setor elétrico, a expectativa é de que a abertura produza efeito semelhante, com maior competição e desenvolvimento de novos modelos de comercialização.

A possibilidade de trocar de fornecedor, no entanto, ainda depende da definição de regras específicas. Segundo Paulillo, os mecanismos para migração ao mercado livre e eventual retorno ao mercado regulado ainda estão em processo de estruturação.

Entre os pontos que precisam ser definidos estão regras contratuais, indicadores de desempenho, segurança do fornecimento, equilíbrio econômico-financeiro e as responsabilidades dos diferentes agentes envolvidos.

O processo também deverá estabelecer com maior precisão o papel de novos participantes, como o supridor de última instância e o comercializador varejista.

“O consumidor como centro de tudo isso passa a ser um catalisador importante”, afirmou.

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