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Prejuízo acumulado dos Correios chega a R$ 5,4 bilhões no primeiro semestre

Publicado 17/08/2026 • 16:29 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Prejuízo acumulado dos Correios chegou a R$ 5,4 bilhões nos seis primeiros meses de 2026, segundo números ainda preliminares.
  • Receita somou cerca de R$ 8,16 bilhões no semestre, praticamente estável em relação aos R$ 8,18 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
  • Despesas financeiras avançaram para R$ 1,6 bilhão, enquanto a receita com encomendas internacionais caiu mais de 50% na comparação anual.
Correios

Foto: Divulgação Correios

Fachada dos Correios

Os Correios registraram prejuízo de R$ 5,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, de acordo com dados preliminares do balancete contábil da estatal. Apenas no segundo trimestre, a perda ficou em aproximadamente R$ 2,2 bilhões, indicando uma redução do ritmo de deterioração em relação aos primeiros três meses do ano.

Os números ainda não correspondem às demonstrações financeiras oficialmente fechadas pela companhia. Os Correios informaram que os resultados continuam em processo de consolidação e serão divulgados depois da aprovação pelas instâncias internas responsáveis. As informações foram obtidas pelo portal g1.

Em nota enviada ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, os Correios informaram em nota que as demonstrações financeiras da instituição se encontram em fase de consolidação e serão divulgadas após a aprovação pelas instâncias competentes. A estatal disse ainda que não comenta sobre demonstrações financeiras antes da divulgação oficial.

Leia também: Por que os Correios dão prejuízo? Governo aponta principal motivo

Receita fica praticamente parada

A receita dos Correios alcançou aproximadamente R$ 8,16 bilhões entre janeiro e junho, ante R$ 8,18 bilhões no mesmo período do ano passado.

A diferença foi de cerca de R$ 28,2 milhões, o que mostra estabilidade no faturamento mesmo diante de mudanças relevantes na composição das receitas.

As despesas, por sua vez, caíram de aproximadamente R$ 13,5 bilhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 12,4 bilhões neste ano, uma redução de cerca de R$ 1,1 bilhão.

O gasto também ficou abaixo do previsto pela própria estatal. A projeção para o período era de despesas próximas de R$ 14,8 bilhões, cerca de R$ 1,2 bilhão acima do valor efetivamente registrado até junho.

Receita internacional despenca

A maior deterioração entre as principais linhas de receita ocorreu nas encomendas internacionais.

O faturamento dessa área caiu de R$ 815,2 milhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 354,8 milhões no mesmo período deste ano, uma redução superior a 50%.

Com isso, a participação do segmento internacional nas receitas dos Correios diminuiu para cerca de 4,3%.

A queda mantém uma tendência observada após a implementação do programa Remessa Conforme, criado em 2023 e associado a mudanças na tributação e no fluxo das compras feitas por consumidores brasileiros em plataformas estrangeiras.

Mesmo depois do fim da cobrança conhecida como “taxa das blusinhas”, as receitas internacionais dos Correios não apresentaram recuperação no primeiro semestre.

Logística mais que dobra receita

Na direção oposta, a área de logística apresentou um dos melhores desempenhos entre os segmentos da estatal.

A receita passou de R$ 204,9 milhões nos seis primeiros meses de 2025 para R$ 422,8 milhões no mesmo intervalo de 2026, mais que dobrando em um ano.

Esse negócio inclui serviços prestados a empresas que utilizam os Correios em etapas como recebimento de pedidos, preparação de pacotes e distribuição das mercadorias aos compradores.

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A receita com mensagens também cresceu, de R$ 2,36 bilhões para R$ 2,41 bilhões.

Já o principal negócio da estatal, o de encomendas, perdeu receita. O faturamento caiu de R$ 4,77 bilhões para R$ 4,58 bilhões.

Gastos com salários recuam

As despesas com salários, uma das maiores linhas de custo dos Correios, tiveram uma redução de cerca de R$ 20 milhões na comparação com o primeiro semestre de 2025.

Os desembolsos somaram aproximadamente R$ 5,2 bilhões no período e ficaram cerca de 15% abaixo do valor previsto pela estatal.

A redução dos gastos com pessoal também foi acompanhada por uma economia nas despesas relacionadas a benefícios, incluindo planos de saúde e previdência. Esses custos ficaram aproximadamente R$ 260 milhões abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.

Leia também: Operação da PF mira esquema de fraudes com encomendas e seguros dos Correios

Despesas financeiras avançam 179%

A melhora em parte dos gastos operacionais foi compensada pelo avanço de outras despesas.

Os custos financeiros saltaram de cerca de R$ 590 milhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 1,6 bilhão neste ano, alta de 179%.

Essa categoria inclui juros, multas e despesas relacionadas a contratos e empréstimos.

Entre os compromissos financeiros da estatal está uma operação de crédito de R$ 12 bilhões contratada no fim do ano passado. De acordo com os dados apresentados, o financiamento tem previsão de gerar R$ 22,4 bilhões em despesas com juros durante toda a sua vigência.

As provisões e perdas também pressionaram o resultado.

Essa conta chegou a aproximadamente R$ 1,6 bilhão até junho, ante R$ 1,1 bilhão no mesmo período de 2025, aumento de 44,5%.

As provisões incluem valores reservados para possíveis perdas, entre elas obrigações decorrentes de disputas judiciais.

Segundo trimestre reduz ritmo das perdas

Embora o resultado acumulado permaneça fortemente negativo, os números preliminares indicam uma perda menor no segundo trimestre.

Dos R$ 5,4 bilhões de prejuízo registrados no semestre, aproximadamente R$ 2,2 bilhões correspondem ao período entre abril e junho. Pela diferença, os três primeiros meses concentraram cerca de R$ 3,2 bilhões do resultado negativo.

A melhora entre os dois períodos ainda não representa uma reversão da situação financeira da estatal.

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