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Copom reduz Selic em 0,25 ponto, para 14,75% ao ano; corte é o primeiro em quase 2 anos
Publicado 18/03/2026 • 18:36 | Atualizado há 58 minutos
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Publicado 18/03/2026 • 18:36 | Atualizado há 58 minutos
KEY POINTS
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (18) reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano. A decisão foi unânime e marca o primeiro corte de juros em quase dois anos.
A última redução da taxa básica havia ocorrido em maio de 2024. Desde então, o Banco Central elevou os juros ao longo de 2025, até atingir 15%, e manteve a Selic nesse patamar até a reunião de hoje.
O movimento ocorre em meio ao aumento das incertezas no cenário internacional, com destaque para a guerra no Oriente Médio.
No comunicado, o Banco Central afirmou que o ambiente externo “tornou-se mais incerto” com o acirramento dos conflitos na região, com impacto sobre as condições financeiras globais e os preços de commodities.
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Segundo a autoridade monetária, esse cenário exige cautela por parte de países emergentes, diante da maior volatilidade nos preços de ativos e dos riscos inflacionários.
No cenário doméstico, o Copom avaliou que a atividade econômica segue em trajetória de moderação, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra resiliência. A inflação apresentou algum arrefecimento nas últimas leituras, mas permanece acima da meta.
As expectativas para os próximos anos seguem desancoradas. A pesquisa Focus indica inflação de 4,1% em 2026 e de 3,8% em 2027. Já a projeção do próprio Banco Central para o terceiro trimestre de 2027 está em 3,3%.
O BC afirmou ainda que os riscos para a inflação se intensificaram após o início da guerra no Oriente Médio. Entre os fatores de alta, citou a possibilidade de desancoragem das expectativas, maior persistência da inflação de serviços e efeitos do câmbio e do cenário externo.
Mesmo com o ambiente mais incerto, o comitê avaliou que o período prolongado de juros elevados já produziu efeitos sobre a desaceleração da atividade, abrindo espaço para o início da flexibilização monetária.
“O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,75% a.a. e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação”, afirmou.
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O colegiado indicou que os próximos passos dependerão da evolução do cenário, especialmente dos efeitos da guerra sobre os preços de commodities e a inflação.
”Copom reduz a taxa Selic para 14,75% a.a.
O ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.
Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.
As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,1% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,3% no cenário de referência (Tabela 1).
Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores do final de 2025 mostraram desaceleração na atividade econômica, enquanto o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho.
O Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil. Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados. O Comitê julgou apropriado dar início ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta.
O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,75% a.a. e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.
No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.
Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.“

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