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Dólar fecha em alta com Powell descartando novos cortes de juros, diante de avanço da guerra
Publicado 18/03/2026 • 17:21 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 18/03/2026 • 17:21 | Atualizado há 8 meses
KEY POINTS
O dólar fechou em alta de 0,90%, cotado a R$ 5,2468 no patamar máximo do dia. Na mínima, a moeda norte-americana chegou a R$ 5,1853.
O dólar subiu após a decisão do Federal Reserve (Fed, banco central americano) de manter a taxa básica de juros na faixa entre 3,5% e 3,75%.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) votou por 11 votos a 1 pela manutenção dos juros, em meio a um cenário de inflação ainda elevada, sinais mistos no mercado de trabalho e incertezas associadas à guerra no Oriente Médio.
As falas do atual presidente do Fed, Jerome Powell, também influenciaram no movimento do dólar. Principalmente após ele sinalizar que o banco central americano pode não cortar mais os juros neste ano, diante das incertezas com a guerra no Irã e efeitos inflacionários da disparada do petróleo.
Às 17h04, o dólar futuro para abril subia 0,86%, a R$ 5,2600. Lá fora, o índice DXY tinha alta de 0,60%, aos 100,168 pontos, também na máxima do dia.
Diego Hernandez, economista e sócio fundador da Ativo Investimentos, destaca que o dólar passou a maior parte do dia pressionado na expectativa das decisões de juros dos bancos centrais americano e brasileiro, mas apresentou alta expressiva no final das negociações.
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Siga o Times | CNBC“Nos EUA como já era esperado os juros se mantiveram, mas aqui no Brasil uma queda de 0,50% que já estava precificada e certa, ficou cada vez mais prejudicada pelos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o preço do petróleo principalmente e seu consequente impacto em inflação”, apontou.
Para Hernandez, o diferencial de juro real brasileiro atual ainda é grande o suficiente para remunerar o risco do investidor externo, mas num ambiente de incertezas como uma possível greve de caminhoneiros no radar faz o dólar voltar a subir. “Lembrando que em 2018 uma greve de 10 dias conseguiu desestabilizar o abastecimento de suprimentos e causou um impacto de 1% no PIB. Isso, de certa forma, afugenta o capital externo”, completa.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destaca que as falas de Jerome Powell, presidente do Fed, tiveram um tom mais duro ao reforçar que “se não houver progresso na inflação, não haverá corte de juros”.
Para o especialista, a comunicação foi interpretada como mais hawkish, levando a uma abertura da curva de juros nos Estados Unidos e a uma reprecificação das expectativas de política monetária, com o mercado passando a ver dezembro como o momento mais provável para o primeiro corte de juros pelo Fed. “Como resultado, o dólar acelerou o movimento de alta no exterior, com o DXY renovando máximas próximas de 100 pontos, com o real acompanhando o movimento”, diz.
Shahini chama a atenção para a mudança na comunicação do Federal Reserve ao longo das últimas reuniões. Na visão dele, após um período em que o foco do FED esteve na perda de dinâmica do mercado de trabalho e da criação de vagas de setor privado americano, o discurso recente passa a colocar a dinâmica da inflação novamente no centro da função de reação da autarquia.
“A mensagem de Powell reforça que, apesar de algum progresso, o processo desinflacionário ainda é insuficiente o que indica um Fed menos disposto a antecipar cortes de juros e mais dependente de evidências de desaceleração dos preços”, pontua.
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