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Crise no STF já foi precificada, mas prolongamento pode elevar risco, diz economista

Publicado 09/09/2026 • 11:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Crise institucional no STF já foi parcialmente incorporada aos preços dos ativos, segundo César Bergo.
  • Prolongamento do conflito pode elevar o prêmio de risco, aumentar a volatilidade e afetar decisões de investimento.
  • Economista diz que o debate fiscal perdeu espaço, mas seguirá central para o mercado no pós-eleição.

A crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) já foi parcialmente incorporada aos preços dos ativos brasileiros, mas pode aumentar o prêmio de risco e afetar decisões de investimento caso se prolongue, avaliou César Bergo, economista e professor em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Bergo, o cenário atual não indica uma ruptura no mercado financeiro, mas pode aumentar a volatilidade do dólar e dos juros futuros, além de influenciar o fluxo de investidores estrangeiros.

“Eu não acredito num crash ou uma derrocada do mercado financeiro nesse momento.”

Leia também: Instabilidade institucional encarece investimentos e amplia risco jurídico no Brasil

Para o economista, o principal risco está na duração da crise e na falta de previsibilidade para empresas e investidores.

“Se prolongar, isso é muito desgastante, sobretudo nas decisões de investimento, porque aumenta a incerteza e a falta de previsibilidade também.”

Percepção de risco pesa sobre ativos

Bergo afirmou que a preocupação do mercado não se limita à crise institucional em si, mas à forma como ela altera a percepção de risco do país.

“O grande problema não é a crise instalada, é a percepção de mercado.”

Segundo ele, uma piora nessa percepção pode pressionar os juros, reduzir o valor dos ativos brasileiros e aumentar a cautela dos investidores estrangeiros.

“O mercado financeiro detesta incerteza, mas adora risco. O risco você pode precificar.”

Na avaliação do economista, a dificuldade atual está justamente em medir os desdobramentos de um cenário político que pode mudar rapidamente.

Debate fiscal fica em segundo plano

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Bergo também avaliou que a crise institucional tem ocupado espaço que poderia ser destinado ao debate sobre a situação fiscal do país.

Para ele, propostas mais claras para as contas públicas serão especialmente importantes para o próximo governo.

“A questão fiscal hoje é preocupante, sobretudo em função do próximo governo.”

Segundo Bergo, embora haja discursos em defesa do ajuste fiscal, o mercado ainda espera propostas mais concretas para controlar os gastos públicos.

Eleições entram na conta dos investidores

O economista afirmou que o mercado acompanha de perto as pesquisas eleitorais e a possibilidade de mudanças no cenário político.

Ele avaliou que a inflação relativamente controlada, a perspectiva de queda dos juros e os preços dos ativos brasileiros ajudam a atrair capital para o país.

Ao mesmo tempo, Bergo disse que o processo eleitoral é decisivo para as decisões dos investidores, sobretudo diante da expectativa sobre a política econômica a partir de 2027.

Fatores externos também pesam. Segundo ele, o comportamento dos juros nos Estados Unidos tem influência importante sobre o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil.

Maior preocupação está no pós-eleição

Na reta final da entrevista, Bergo destacou que a maior incerteza do mercado está nas medidas que serão adotadas depois da votação.

“A preocupação está depois da eleição.”

Segundo ele, investidores querem saber quais medidas fiscais serão adotadas pelo próximo governo e como ficará a atuação dos órgãos reguladores do sistema financeiro.

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