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Da CBMM à Vale: quem domina os minerais estratégicos que colocam o Brasil no centro da disputa global
Publicado 27/04/2026 • 21:26 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 27/04/2026 • 21:26 | Atualizado há 2 horas
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Foto: Freepik
O Brasil está sentado sobre uma das bases minerais mais cobiçadas do mundo. Nióbio, lítio, terras raras, cobre, níquel e grafita, antes restritos a discussões técnicas da mineração, passaram a ocupar o centro de uma disputa global por cadeias produtivas ligadas à transição energética, à indústria tecnológica e à defesa.
Os recursos minerais encontrados no subsolo pertencem à União e só se tornam propriedade privada depois da extração. Por isso, o poder econômico sobre esses ativos está nas mãos de quem detém autorizações de pesquisa, direitos de lavra, minas em operação ou projetos autorizados pela Agência Nacional de Mineração (ANM).
É nesse mapa que aparecem empresas nacionais, multinacionais e grupos estrangeiros interessados em garantir acesso a insumos considerados críticos para a nova economia industrial. O avanço ocorre em um momento em que países buscam reduzir dependências externas, proteger cadeias de suprimento e garantir matérias-primas para baterias, veículos elétricos, redes de energia, ímãs permanentes, semicondutores e equipamentos militares.
O Brasil tem vantagens naturais nesse tabuleiro, com ativos relevantes em nióbio, terras raras, grafita, cobre, níquel e lítio. Mas ainda existe uma distância entre a riqueza geológica e a capacidade de transformar esses recursos em produção industrial de escala.
No caso das terras raras, apesar do potencial brasileiro, a produção ainda é pequena em comparação com o peso das reservas e com a dominância asiática na cadeia global. Isso explica por que a disputa deixou de ser apenas sobre onde estão as jazidas e passou a envolver quem conseguirá explorar, processar e integrar esses minerais às cadeias globais de maior valor agregado.
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O nióbio é um dos exemplos mais claros de controle brasileiro sobre um mineral estratégico. Usado em ligas metálicas de alta performance, o metal tem aplicação em setores como infraestrutura, indústria automotiva, energia e tecnologia.
O principal ativo brasileiro continua em Araxá, em Minas Gerais, controlado pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), líder global em produtos de nióbio que mantém sede e comando no Brasil.
A empresa já vendeu participações minoritárias a grupos asiáticos nos últimos anos, mas a estrutura de controle permaneceu brasileira. Com isso, Araxá segue como o principal polo mundial de produção e processamento de nióbio, em uma área na qual o Brasil tem vantagem comparativa difícil de replicar.
No lítio, mineral central para baterias de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia, Minas Gerais se consolidou como principal fronteira brasileira. A região ganhou força com o chamado “Vale do Lítio”, que reúne projetos voltados ao fornecimento da cadeia global de eletrificação.
O principal projeto em produção é Grota do Cirilo, operado pela Sigma Lithium. A empresa informa ter controle integral do ativo, que se tornou uma das principais vitrines brasileiras na corrida global pelo lítio.
Também em Minas Gerais, a Atlas Lithium afirma deter o Neves Project e dezenas de direitos minerais adicionais. A presença de empresas listadas no exterior reforça que, embora os ativos estejam no Brasil, parte relevante do financiamento, da governança e da estratégia comercial está conectada a investidores e cadeias internacionais.
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As terras raras estão entre os minerais mais sensíveis da disputa global. O grupo reúne 17 elementos químicos usados em ímãs permanentes, motores elétricos, eletrônicos, turbinas e equipamentos militares. Apesar do nome, não são necessariamente raras do ponto de vista geológico; o desafio está na extração, separação e processamento.
O caso mais relevante hoje no Brasil é o da Serra Verde, dona do depósito Pela Ema, em Minaçu, Goiás. A empresa é a única em produção comercial no país e explora um depósito de argila iônica rico em terras raras leves e pesadas.
A Serra Verde foi vendida para a americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões. Com a operação, o principal projeto brasileiro do setor passa para controle estrangeiro, em um momento em que os Estados Unidos buscam reduzir a dependência da China em minerais críticos.
Além da Serra Verde, há outros projetos em fase pré-operacional no país, com iniciativas de mineradoras listadas em bolsas estrangeiras e de empresas brasileiras de capital fechado e aberto.
Entre os projetos acompanhados pelo setor estão iniciativas da Aclara Resources, em Nova Roma, Goiás; da Appia Rare Earths & Uranium, em áreas de Goiás; da Viridis Mining & Minerals e da Meteoric Resources, em Poços de Caldas, Minas Gerais; da St George Mining, em Araxá; e da Atlas Critical Minerals, com projetos em Minas Gerais e Goiás.
No cobre, essencial para redes elétricas, energia renovável e eletrificação automotiva, a posição dominante no Brasil segue ligada à Vale.
Os principais ativos são Salobo e Sossego, ambos no Pará, dentro do complexo mineral de Carajás. A região aparece como núcleo central da produção brasileira do metal e reforça o peso da Vale na oferta nacional de minerais estratégicos.
Em Marabá, no Pará, outro nome ligado à Vale é a Salobo Metais, associada à exploração de cobre na região.
O cobre ganhou ainda mais relevância com a expansão de redes de transmissão, data centers, carros elétricos e projetos de energia renovável. Por isso, a concentração de ativos produtivos no Pará coloca a Vale em posição estratégica não apenas na mineração tradicional, mas também na infraestrutura da transição energética.
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No níquel, usado em baterias e ligas inoxidáveis, os principais ativos brasileiros estão concentrados em poucos grupos empresariais.
A Vale mantém Onça Puma, no Pará. A Anglo American informa ter controle total de Barro Alto, em Goiás, e também lista Codemin entre seus ativos brasileiros ligados ao metal.
Projetos de níquel exigem capital elevado, escala operacional e capacidade técnica. Com a demanda da mobilidade elétrica, o metal passou a ser acompanhado não apenas pela indústria siderúrgica, mas também por fabricantes de baterias e veículos elétricos.
A grafita é um dos insumos centrais para ânodos de baterias de íon-lítio. O Brasil aparece entre os países com reservas relevantes, mas o setor ainda busca ampliar projetos voltados ao mercado internacional.
Dois nomes ganham destaque. A Graphcoa se apresenta como desenvolvedora e operadora de ativos de grafita natural de alta qualidade no coração da principal província grafítica brasileira.
Outra referência é a South Star Battery Metals, que aponta o Santa Cruz Project, na Bahia, como plataforma nacional para produção de grafita voltada ao mercado global.
Assim como ocorre em outros minerais críticos, o desafio não está apenas na extração. A disputa passa também pela capacidade de beneficiamento, qualificação do produto e conexão com compradores internacionais da indústria de baterias.
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A corrida por minerais críticos colocou o Brasil em uma posição mais relevante nas cadeias globais de tecnologia e energia. Mas ter reservas não garante, por si só, protagonismo industrial.
Hoje, parte relevante dos projetos ainda depende de pesquisa, licenciamento, financiamento e capacidade de processamento.
É nessa etapa que se define se o país será apenas fornecedor de matéria-prima ou se conseguirá avançar em etapas de maior valor da cadeia.
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