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Dependência da China segue como principal vulnerabilidade do agro brasileiro
Publicado 09/06/2026 • 20:30 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 09/06/2026 • 20:30 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
A estratégia da China de ampliar a produção doméstica de alimentos e reduzir sua dependência de importações agrícolas acende um sinal de alerta para o agronegócio brasileiro. Embora a iniciativa ainda enfrente desafios estruturais, o pesquisador do Insper Agro Global, Leandro Gilio, avalia que uma eventual redução da demanda chinesa teria impactos relevantes sobre as exportações brasileiras.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele explicou que a relação comercial entre Brasil e China se intensificou nas últimas duas décadas, tornando o país asiático o principal destino das exportações brasileiras. Atualmente, mais de 30% de tudo o que o Brasil exporta é direcionado ao mercado chinês, com destaque para a soja, cuja dependência é ainda maior.
“A gente cresceu essa dependência nos últimos 20 anos. Hoje a China é o nosso principal mercado e alguns setores têm uma dependência muito mais forte, como a soja”, afirmou. Para o pesquisador, a busca chinesa por maior autonomia alimentar faz parte de uma estratégia de segurança nacional. “Para a China não é interessante criar uma dependência com relação à segurança alimentar deles com outros países”, disse.
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Siga o Times | CNBCApesar das metas anunciadas por Pequim, Gílio avalia que reduzir significativamente a necessidade de importações não será uma tarefa simples. Segundo ele, a produção agrícola enfrenta limitações estruturais ligadas à disponibilidade de terra, água e condições climáticas. “Entre ter um plano de metas e consolidar exatamente esse plano, existe um salto grande. É difícil imaginar uma transformação que diminua muito essa dependência da importação de alimentos”, explicou.
Na avaliação do pesquisador, o Brasil seria diretamente afetado caso a demanda chinesa caísse de forma expressiva. “Se existir uma queda muito forte da demanda da China, com certeza a gente vai ser impactado negativamente e não tem muito como realocar essa demanda para outros lugares”, afirmou. Ele pondera, porém, que não há evidências de que essa mudança ocorra no curto prazo.
Gílio defende que o país continue buscando novos mercados para ampliar sua competitividade internacional. Índia, União Europeia e países do Sudeste Asiático aparecem entre as oportunidades de expansão. Ainda assim, ele destaca que substituir o peso econômico da China é um desafio. “Não existem mercados tão gigantescos como a China. Ampliar destinos é importante, mas trocar o principal mercado consumidor do Brasil não é algo simples nem viável no curto prazo”, concluiu.
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