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Clima e menor oferta de grãos pressionam inflação global de alimentos, aponta corretora
Publicado 24/07/2026 • 11:42 | Atualizado há 33 minutos
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Publicado 24/07/2026 • 11:42 | Atualizado há 33 minutos
KEY POINTS
Divulgação
A combinação de problemas climáticos, menor oferta agrícola e incertezas no mercado internacional de alimentos voltou a colocar a inflação global no radar dos investidores.
A quebra da safra de grãos na Europa, a valorização das commodities agrícolas nos Estados Unidos e os impactos do El Niño sobre as lavouras brasileiras estão entre os principais fatores de atenção para os próximos meses.
A produção de grãos da União Europeia pode recuar mais de 9% neste ano, registrando a maior queda em mais de duas décadas. O movimento é resultado do calor extremo e do aumento dos custos de energia e fertilizantes, que afetaram a produtividade das lavouras.
A safra de milho deve atingir o menor nível em 19 anos, com perdas mais severas na França, enquanto a produção de trigo também apresenta retração em países como Alemanha e Polônia.
Segundo Carlos Thadeu, economista de inflação e commodities da BGC Liquidez, a menor oferta doméstica e a queda de 46% nas exportações europeias de trigo em relação ao ano passado devem levar a Europa a ampliar suas importações de grãos. O cenário abre espaço para o milho brasileiro, cuja produção deve alcançar volume recorde.
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Nos Estados Unidos, os preços agrícolas atingiram o maior nível em três anos, impulsionados por uma combinação de clima adverso, guerra e riscos logísticos.
O trigo lidera o movimento de alta diante das incertezas envolvendo os corredores de exportação do Mar Negro. Já milho e soja são influenciados pelas perdas climáticas e pela valorização da energia, que aumenta a demanda por biocombustíveis.
Segundo Carlos Thadeu, caso esse movimento persista, os impactos podem se espalhar pela cadeia de alimentos, pressionando produtos como pão, óleos vegetais, carnes e laticínios.
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No mercado brasileiro, o boi gordo continua sustentado. A arroba avançou para R$ 345, ante R$ 343,75 no fechamento anterior.
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Siga o Times | CNBCA expectativa do mercado é de manutenção desse patamar até setembro, quando a arroba deve ser negociada próxima de R$ 347. Apesar da valorização do animal, os preços da carne bovina permanecem praticamente estáveis, em torno de R$ 23,69 por quilo.
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Os efeitos do El Niño também passaram a preocupar produtores brasileiros. As chuvas extremas no Rio Grande do Sul já provocam perdas em lavouras de inverno, com acumulados entre 240 e 280 milímetros em poucos dias.
O excesso de água tem causado erosão, lixiviação e perda de nutrientes recém-aplicados em áreas de trigo e aveia, prejudicando a germinação e o desenvolvimento das plantas
Para o economista, embora os impactos totais ainda estejam sendo avaliados, o cenário aumenta o risco de menor produtividade e pior qualidade do trigo gaúcho nesta safra.
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Mesmo diante das incertezas no mercado global de alimentos, os dados recentes apontam para uma perda de força da inflação brasileira.
A projeção da BGC Liquidez para o IPCA-15 de julho é de alta de 0,24%, mas o resultado pode ficar entre 0,18% e 0,24%, com viés para a parte inferior do intervalo.
Carlos Thadeu avalia que a coleta de preços no segmento de alimentação fora do domicílio confirma a desaceleração observada em junho, em um movimento descrito pela casa como um “sudden stop”.
O economista também destaca que o núcleo Subjacente pode novamente surpreender para baixo, reforçando a percepção de desaceleração da inflação corrente.
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