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Economia Brasileira

Clima e menor oferta de grãos pressionam inflação global de alimentos, aponta corretora

Publicado 24/07/2026 • 11:42 | Atualizado há 33 minutos

KEY POINTS

  • Quebra da safra de grãos na Europa, alta das commodities agrícolas nos EUA e impactos climáticos podem reduzir a oferta de alimentos e pressionar preços globais.
  • O El Niño ameaça lavouras de inverno no Sul, enquanto a BGC Liquidez vê desaceleração da inflação doméstica, com projeção do IPCA-15 de julho entre 0,18% e 0,24%.
  • A menor disponibilidade de grãos na Europa pode ampliar a demanda por produtos brasileiros, enquanto produtores acompanham os efeitos do clima sobre as próximas safras.
Grãos

Divulgação

A combinação de problemas climáticos, menor oferta agrícola e incertezas no mercado internacional de alimentos voltou a colocar a inflação global no radar dos investidores.

A quebra da safra de grãos na Europa, a valorização das commodities agrícolas nos Estados Unidos e os impactos do El Niño sobre as lavouras brasileiras estão entre os principais fatores de atenção para os próximos meses.

Europa enfrenta queda histórica na produção de grãos

A produção de grãos da União Europeia pode recuar mais de 9% neste ano, registrando a maior queda em mais de duas décadas. O movimento é resultado do calor extremo e do aumento dos custos de energia e fertilizantes, que afetaram a produtividade das lavouras.

A safra de milho deve atingir o menor nível em 19 anos, com perdas mais severas na França, enquanto a produção de trigo também apresenta retração em países como Alemanha e Polônia.

Segundo Carlos Thadeu, economista de inflação e commodities da BGC Liquidez, a menor oferta doméstica e a queda de 46% nas exportações europeias de trigo em relação ao ano passado devem levar a Europa a ampliar suas importações de grãos. O cenário abre espaço para o milho brasileiro, cuja produção deve alcançar volume recorde.

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Clima e geopolítica impulsionam preços agrícolas nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, os preços agrícolas atingiram o maior nível em três anos, impulsionados por uma combinação de clima adverso, guerra e riscos logísticos.

O trigo lidera o movimento de alta diante das incertezas envolvendo os corredores de exportação do Mar Negro. Já milho e soja são influenciados pelas perdas climáticas e pela valorização da energia, que aumenta a demanda por biocombustíveis.

Segundo Carlos Thadeu, caso esse movimento persista, os impactos podem se espalhar pela cadeia de alimentos, pressionando produtos como pão, óleos vegetais, carnes e laticínios.

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Boi gordo segue firme, mas carne mantém estabilidade

No mercado brasileiro, o boi gordo continua sustentado. A arroba avançou para R$ 345, ante R$ 343,75 no fechamento anterior.

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A expectativa do mercado é de manutenção desse patamar até setembro, quando a arroba deve ser negociada próxima de R$ 347. Apesar da valorização do animal, os preços da carne bovina permanecem praticamente estáveis, em torno de R$ 23,69 por quilo.

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Chuvas extremas aumentam riscos para lavouras do Sul

Os efeitos do El Niño também passaram a preocupar produtores brasileiros. As chuvas extremas no Rio Grande do Sul já provocam perdas em lavouras de inverno, com acumulados entre 240 e 280 milímetros em poucos dias.

O excesso de água tem causado erosão, lixiviação e perda de nutrientes recém-aplicados em áreas de trigo e aveia, prejudicando a germinação e o desenvolvimento das plantas

Para o economista, embora os impactos totais ainda estejam sendo avaliados, o cenário aumenta o risco de menor produtividade e pior qualidade do trigo gaúcho nesta safra.

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Inflação brasileira mostra desaceleração, apesar dos riscos externos

Mesmo diante das incertezas no mercado global de alimentos, os dados recentes apontam para uma perda de força da inflação brasileira.

A projeção da BGC Liquidez para o IPCA-15 de julho é de alta de 0,24%, mas o resultado pode ficar entre 0,18% e 0,24%, com viés para a parte inferior do intervalo.

Carlos Thadeu avalia que a coleta de preços no segmento de alimentação fora do domicílio confirma a desaceleração observada em junho, em um movimento descrito pela casa como um “sudden stop”.

O economista também destaca que o núcleo Subjacente pode novamente surpreender para baixo, reforçando a percepção de desaceleração da inflação corrente.

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