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Dinheiro em espécie cai para 12% das compras presenciais no Brasil com avanço do Pix; especialistas preveem convivência dos meios
Publicado 24/09/2026 • 11:50 | Atualizado há 59 minutos
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KEY POINTS
Foto: Magnific
Dinheiro esquecido nos bancos volta a subir e chega a R$ 5,65 bilhões
O dinheiro em espécie respondeu por 12% do valor das compras feitas em lojas físicas no Brasil em 2025, a menor fatia entre os países latino-americanos analisados pela 11ª edição do Global Payments Report. O estudo, publicado em maio pela Global Payments, dona da Worldpay, coloca o país abaixo da média global, de 14%.
Na comparação regional, o uso de cédulas ficou em 16% no Chile e em 17% na Argentina. Já no Peru, na Colômbia e no México, a participação chegou a 30%, 32% e 40%, respectivamente.
Por trás da queda no Brasil está o Pix, lançado pelo Banco Central em novembro de 2020. Até então, as transferências eletrônicas dependiam sobretudo da TED, que funcionava apenas em dias úteis e levava de minutos a horas para ser concluída.
Hoje, a ferramenta reúne mais de 170 milhões de usuários pessoas físicas, o equivalente a 80% da população, de acordo com o Banco Central. No segundo semestre de 2025, o Pix respondeu por 54,7% de todas as transações de pagamento do país, com 42,9 bilhões de operações.
Ainda assim, os cartões seguem com peso no varejo presencial. Pelo levantamento da Global Payments, o Pix ficou com 34% do valor transacionado nos pontos de venda em 2025, e o cartão de crédito, com 31%.
Da mesma forma, os dados do Banco Central mostram o recuo nas retiradas de cédulas. No segundo semestre de 2025, os saques pelas vias tradicionais, como agências, caixas eletrônicos e correspondentes bancários, somaram 1,1 bilhão de operações, queda de 13,8% em relação ao mesmo período de 2024.
Por outro lado, o Pix Saque, que permite retirar cédulas em estabelecimentos comerciais sem uso de cartão, chegou a 8,5 milhões de transações no semestre, alta de 20,9%. O volume equivale a menos de 1% dos saques convencionais e mostra o Pix funcionando também como porta de acesso ao papel-moeda.
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Siga o Times | CNBCA redução no uso de cédulas não indica o fim do papel-moeda, avalia Marlon Tseng, CEO da empresa de pagamentos Pagsmile. Na visão dele, o Pix facilita a rotina da população, e o dinheiro em espécie tende a ficar mais ligado à segurança monetária e à inclusão social.
“O futuro dos meios de pagamentos está pautado na coexistência entre diferentes métodos uma vez que o dinheiro em espécie desempenha um papel social de inclusão monetária e prevenção em casos de apagões digitais”, afirma Tseng.
Na mesma linha, Patricio Malvezzi, CEO do Instituto Tran$forma e da Equipa Group, descarta o abandono das cédulas no país. “Não é possível dizer que o Brasil vai deixar de usar dinheiro físico”, diz. Para o executivo, a discussão passa a envolver o aproveitamento do material que sobra da produção do papel-moeda.
Por causa da combinação de materiais e tecnologias de segurança, as cédulas não podem ser descartadas como lixo comum. Até 2022, grande parte das aparas geradas na fabricação ia para o coprocessamento, a queima em fornos industriais para geração de energia.
Nos últimos anos, a Casa da Moeda passou a destinar esse material a um projeto com o Instituto Tran$forma, braço da Equipa Group. A iniciativa reaproveita cédulas descartadas por erros de impressão, corte ou outros defeitos e recicla cerca de 200 toneladas de resíduos por ano, segundo o instituto.
Com isso, o material volta ao mercado em papéis comerciais, objetos de decoração, cadeiras e mesas. O uso mais recente está na primeira Escola do Futuro do Estado de São Paulo, em São Roque (SP), que recebeu carteiras escolares, cadeiras de auditório, armários, estantes e até uma mesa de pingue-pongue feitos com papel-moeda reciclado.
“Garantir esse segundo ciclo é garantir menor impacto ambiental e uma existência mais sustentável desse meio de pagamento”, afirma Malvezzi.
Além disso, de acordo com o instituto, as fibras recuperadas têm resistência para voltar à cadeia de papéis de segurança, usados na produção de documentos oficiais, passaportes e novas cédulas. Os móveis produzidos a partir das aparas também podem ser reciclados novamente.
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