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Quem é Humberto Tupinambá, sócio do Banco Genial alvo de operação contra lavagem de dinheiro da máfia dos combustíveis

Publicado 24/09/2026 • 07:43 | Atualizado há 39 minutos

KEY POINTS

  • Humberto Arthur Tupinambá Neto é diretor do Banco Genial desde 2012, segundo dados cadastrais da Receita Federal
  • Gaeco afirma que executivo montou com advogado a estrutura que escondeu Beto Louco e Primo na compra da distribuidora Terrana
  • Irmãos André e Bruno Tupinambá também foram alvos de buscas e teriam recebido pagamentos do Grupo Aster, diz a investigação
Humberto Tupinambá, sócio do Genial

Reprodução Youtube; Canal Tupinam

Humberto Arthur Tupinambá Neto, sócio do Genial, teria montado estrutura para ocultar a compra da Terrana pela máfia dos combustíveis; Imagem de 2009

O executivo Humberto Arthur Tupinambá Neto, sócio e diretor do Banco Genial, está entre os 40 alvos da Operação Crédito Oculto, deflagrada na manhã desta quinta-feira (24) pelo Ministério Público de São Paulo contra o esquema de lavagem de dinheiro da máfia dos combustíveis.

O grupo é acusado de manter ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

As buscas também atingiram seus irmãos, André e Bruno Tupinambá. Imóveis do executivo e dos irmãos estão entre os alvos da operação.

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Até esta quinta-feira, o nome de Tupinambá circulava pouco fora do mercado financeiro. Agora, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) o aponta, ao lado do advogado Rogério Garcia Peres, como um dos responsáveis pela estrutura que teria escondido os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, na compra da distribuidora de combustíveis Terrana.

Carreira de Tupinambá no Genial

Os registros empresariais mostram uma trajetória longa dentro do grupo. Dados cadastrais da Receita Federal indicam que o carioca Humberto Arthur Tupinamba Neto, de 55 anos, é diretor do Banco Genial S.A. desde 4 de setembro de 2012.

O Banco Genial é a antiga Brasil Plural. A empresa foi fundada em 2009 e mudou de nome depois, e o executivo já aparecia como diretor no cadastro do Brasil Plural S.A. Banco Múltiplo. Em publicação nas redes sociais do próprio banco, ele era apresentado como sócio do Brasil Plural.

Além do banco, o executivo acumula funções em outras empresas do grupo. Bases de dados empresariais registram Tupinambá como sócio da Plural Partners Ltda., holding sediada em São Paulo, e como diretor da Genial Investimentos Corretora de Valores Mobiliários.

Ele figura ainda como administrador da Plural Gestão de Recursos, empresa de administração de fundos com sede na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, na qual entrou em 4 de maio de 2015.

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Aproximação com Beto Louco e Primo

O papel do executivo na relação entre o banco e a dupla já havia sido noticiado antes da operação. Em maio, a colunista Mariana Barbosa, do UOL, relatou que a ligação entre os empresários investigados e a Genial teria sido intermediada por Humberto Tupinambá.

Ele aparece como responsável pela transferência de ativos e pela aproximação dos clientes com o banco depois que os empresários romperam com a gestora Reag. Até então, a Reag era a principal plataforma de gestão de investimentos dos donos da Copape e da Áster.

Naquele momento, a Secretaria da Fazenda de São Paulo havia obtido o bloqueio de R$ 176 milhões ligados ao Genial. A medida integra uma ação que busca recuperar cerca de R$ 7,6 bilhões em débitos de ICMS atribuídos à Áster e à Copape.

O bloqueio recaiu sobre recursos de uma operação entre o grupo investigado e o banco. A usina Itajobi, ligada às empresas investigadas, aplicou R$ 176 milhões em CDBs por meio do fundo Radford, administrado pelo Genial.

Na noite de 28 de agosto de 2025, dia da primeira fase da Operação Carbono Oculto, o Genial tentou desfazer as operações sob análise, com o argumento de que a decisão havia sido tomada antes. A Procuradoria do Estado, porém, tratou a iniciativa como fraude à ordem de execução e manteve o bloqueio, e o recurso do banco foi rejeitado em decisão final de 9 de janeiro.

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Acusações do Gaeco contra Tupinambá

Nesta quinta-feira, o Gaeco detalhou a suspeita. Para os promotores, Beto Louco e Primo teriam comprado a Terrana por meio de uma “arquitetura de lavagem de capitais” construída por Humberto Tupinambá e por Garcia Peres, sócio e fundador da administradora de fundos Altinvest.

Em seguida, os dois teriam procurado o executivo Paulo Narcélio Simões do Amaral, que emprestou o próprio nome a duas holdings usadas no negócio. A compra da distribuidora pode ter custado até R$ 153 milhões.

As mensagens apreendidas no celular de Narcélio são a principal prova contra o sócio do Genial. Em 30 de abril de 2025, Humberto contou ao interlocutor que havia conversado com Primo sobre o plano de negócios da empresa, e os dois discutiram como driblar a fiscalização da Secretaria da Fazenda de São Paulo caso o órgão cobrasse a quitação dos “empréstimos”.

Depois de responder, Humberto apagou as mensagens do diálogo, que permaneceram registradas no aparelho de Narcélio. No dia da primeira fase da Carbono Oculto, o executivo recebeu de Narcélio uma mensagem dizendo que estava “aumentando os preços”, conforme laudo da perícia.

Leia também: Caso Genial Investimentos testa limites da regulação e expõe fragilidades diante de fraudes sofisticadas

Irmãos Tupinambá na mira da investigação

Os irmãos do executivo também aparecem nas conversas. Com André, Narcélio acertou sua comissão no negócio em 2024. No início de 2025, pediu para deixar as holdings, mas foi convencido a ficar enquanto os irmãos Tupinambá cuidavam da reestruturação da Terrana.

“Torna-se nítido que o papel do Banco Genial não se restringiu à operação financeira”, escreveram os promotores. Ainda de acordo com o Gaeco, André e Bruno foram remunerados pela Aster, empresa da máfia dos combustíveis.

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Genial sob pressão do Banco Central

A operação chega em um momento de desgaste para o banco. Em agosto, o Comitê de Decisão de Processo Administrativo Sancionador do Banco Central aplicou ao Banco Genial três multas que somam R$ 21,6 milhões.

Leia também: Banco Central multa Banco Genial em R$ 21,6 milhões e inabilita CEO por 4 anos

O processo apontava que o banco fechou 2.038 operações de câmbio de nove clientes, no total de US$ 1,21 bilhão, entre novembro de 2020 e outubro de 2021, sem certificar a qualificação desses clientes. Na mesma decisão, o presidente do Banco Genial, André Schwartz, foi inabilitado por quatro anos.

Leia também: Quem é André Schwartz, CEO do Banco Genial proibido por 4 anos de trabalhar no mercado financeiro

O Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC enviou pedido de posicionamento ao Banco Genial e mantém o espaço aberto para manifestação de Humberto Tupinambá e de seus irmãos.

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