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Empresa ou seita? Cimed imita remada viking da Copa e gera polêmica ao sujeitar funcionários a formato expositivo de João Adibe
Publicado 05/07/2026 • 09:00 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 05/07/2026 • 09:00 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Viralizou nas redes sociais esta semana um vídeo em que funcionários da farmacêutica Cimed celebram em uma sala tentando imitar a comemoração da remada dos vikings noruegueses. O vídeo acabou gerando bastante polêmica ao ser classificado por muitos como uma humilhação aos funcionários.
O perfil História No Paint, no X, repostou o conteúdo com a pergunta: “É impressão minha ou os empresários estão transformando suas empresas em uma espécie de seita?” Em algumas horas a publicação acumulou mais de 15 mil curtidas e 200 mil visualizações.
O conteúdo foi compartilhado pelo CEO da empresa, João Adibe Marques, em seu Instagram. Nos comentários vieram uma enxurrada de críticas dos internautas, que sugeriram, inclusive, que a ação fosse alvo do Ministério Público do Trabalho.
Leia também: Caso Cimed: lucro líquido e fluxo de caixa são a mesma coisa? Entenda
“Pelo menos os funcionários que estão passando por essa humilhação estão com o rosto coberto”, comentou um internauta.
“O conteúdo digital vira um problema corporativo e jurídico no exato momento em que a busca pelo engajamento ou pela descontração se sobrepõe à segurança psicológica, à privacidade e à dignidade do colaborador. Quando a empresa expõe o trabalhador a dinâmicas vexatórias ou constrangedoras sob o pretexto de entretenimento, ela aciona gatilhos graves de risco reputacional e passivo trabalhista por assédio moral organizacional”, explicou Sérvulo Mendonça, chairman da Holding SM.
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Siga o Times | CNBCO executivo encarna o personagem de “empresário estrela”, o que gera polêmicas por um comportamento personalista. Em uma ação comercial com a Rede Globo, o CEO participou da novela “Fuzuê”, da TV Globo, interpretando a si mesmo para promover uma marca de vitaminas.
Adibe tem 5,6 milhões de seguidores no seu Instagram e atua como uma espécie de influencer da própria empresa e compartilha interações com funcionários em sua conta pessoal. A estratégia já rendeu algumas polêmicas, como a exposição de executivos enquanto recebiam feedbacks negativos em reuniões. O empresário possui muito mais seguidores que a própria marca, que conta com 735 mil seguidores.
A fórmula de João Adibe foi replicada dentro da própria família. A vice-presidente da Cimed, Karla Marques Felmanas, e Adibe Marques, apontado como herdeiro do comando da companhia, também utilizam suas redes para associar suas imagens pessoais à marca. Assim, a vida privada deixa de ser apenas pessoal para se tornar parte do negócio, ampliando o alcance da farmacêutica de forma mais incisiva e apelando para a exposição particular a fim de converter engajamento online.
A professora de marketing da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP) Lilian Carvalho aponta que as empresas precisam tomar bastante cuidado na hora de publicar conteúdos como esse, pois eles podem soar como algum tipo de coação aos funcionários.
“Os funcionários da empresa querem manter o emprego, eles não vão ficar reclamando na cara do chefe que aquilo é ‘cringe’ ou abusivo”, explicou.
Ela também afirmou que dentro das estruturas empresariais, como a da Cimed, atitudes como essa podem ser consideradas normais. Acontece que isso gera um efeito de bolha, onde a situação normalizada é alvo de críticas para quem vê de fora.
“Muitas vezes o gestor tem essa postura de empresário ‘imbatível’ e isso o impede de ouvir críticas. Quando ele está em cima do palco ele se sente um rockstar, mas pode ser que para os funcionários que estão participando pode não estar sendo tão legal”, afirmou.
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