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Empresas da família Poncio somam mais de R$ 2,9 bilhões em dívidas com a União
Publicado 03/07/2026 • 07:36 | Atualizado há 49 minutos
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Publicado 03/07/2026 • 07:36 | Atualizado há 49 minutos
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Reprodução/ Instagram
Preso pela Polícia Federal na última quinta-feira (2) durante a quinta etapa da Operação Unha e Carne, o pastor e empresário Márcio Pôncio é um dos principais nomes da indústria do cigarro no Brasil, mas sua atuação vai muito além disso. A família do pastor administra 21 empresas, sendo 6 no setor tabagista, que acumulam uma dívida de R$ 2,9 bilhões com a União.
Márcio divide seu tempo entre os negócios e as atividades religiosas na Igreja Pentecostal Anabastista, somando mais de 500 mil seguidores no Instagram. Outros membros da família, como sua esposa Simone e seus filhos Saulo e Sarah, também exercem grande influência no meio cristão.
Leia também: PF prende Márcio Poncio e investiga filho de Sérgio Cabral em caso de lavagem de dinheiro
Diversas companhias da família acumulam débitos bilionários com o Fisco, referentes ao não pagamento de impostos como IPI, PIS, Cofins, CSLL, IRPJ e FGTS, além de multas e juros.
O grupo contrai dívidas desde sua fundação, no início dos anos 2000. O maior salto ocorreu em 2011, quando o passivo saltou de R$ 427,5 milhões para R$ 1,88 bilhão.
Além do setor de cigarros, as empresas da família atuam em áreas como compra e venda de imóveis, construção civil, holdings, marketing, alimentação, táxi aéreo e produção musical.
As principais devedoras são:
O valor total de R$ 2,9 bilhões se deve ao fato de a inscrição da dívida ser compartilhada de forma solidária entre as empresas e os sócios. Como o débito se repete de um CNPJ/CPF para o outro, os valores individuais não devem ser somados. A filtro da duplicidade dos valores foi feito pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria.
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Recentemente, a família expandiu sua influência para a política fluminense. Márcio é suplente de deputado federal, enquanto sua filha Sarah foi eleita deputada estadual em 2022.
Os Pôncio também mantêm um relacionamento próximo com figuras da elite política do Rio de Janeiro, como o ex-governador Cláudio Castro e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar. Bacellar chegou a ser preso por uma semana sob a acusação de vazar informações sigilosas de uma operação da PF para aliados ligados à facção Comando Vermelho. Na Alerj, Sarah Pôncio votou a favor da revogação da prisão do parlamentar.
As investigações apontam que o comércio ilegal de cigarros comandado pela família funciona de forma adjacente ao tráfico de drogas e de armas. O esquema utiliza métodos semelhantes aos das facções para burlar a fiscalização policial e abastecer o consumidor final.
No atacado, a produção, a importação e o transporte seguem uma lógica empresarial sofisticada, que envolve diferentes fornecedores de matérias-primas e do produto acabado. O esquema conta ainda com prestadores de serviços variados, dedicados inclusive ao pagamento de propina a fiscais e servidores públicos. Uma facção pode atuar como fornecedora de outra, e a remuneração varia conforme a capacidade de entregar a mercadoria “limpa” — ou seja, fora do alcance das autoridades.
Leia também: Receita divulga primeira lista de devedores contumazes
Já a distribuição no varejo é feita sob critérios territoriais e de forma cartelizada, garantindo que as facções não compitam nas mesmas regiões.
“Não há outra forma de operar negócios dominados pelo crime organizado sem ter parceria com ele”, explica Rafael Alcadipani da Silveira, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e professor titular da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
“O cigarro clandestino e o garimpo são os setores de maior influência do crime organizado hoje. Agora também temos o jogo ilegal, as bets irregulares, as máquinas caça-níqueis e a compra e venda de jogadores de futebol. É difícil saber onde o crime organizado não está”, aponta o especialista.
Segundo a Polícia Federal, a nova etapa da investigação foi motivada pela análise de documentos apreendidos em fases anteriores. O material revelou uma contabilidade paralela voltada à lavagem de capitais, além de registros de supostos pagamentos indevidos e doações eleitorais irregulares.
A operação também tem como alvo Adilsinho, apontado pela PF como o “capo” do jogo do bicho no Rio de Janeiro e acusado de controlar a distribuição desses cigarros no varejo. A investigação busca aprofundar as apurações sobre os indícios de lavagem de dinheiro e mapear possíveis ramificações do esquema nos poderes Executivo e Legislativo fluminenses.
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