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Inflação mais resistente embaralha plano de corte de juros e eleva desafio do Banco Central, diz especialista

Publicado 28/04/2026 • 22:53 | Atualizado há 2 semanas

KEY POINTS

  • A prévia da inflação de abril indica pressão inflacionária mais forte do que o esperado, o que pode dificultar a redução dos juros no curto prazo.
  • Juliana Inhasz avalia que o cenário aumenta a probabilidade de o IPCA encerrar o ano acima do teto da meta, influenciado por fatores como conflitos internacionais, inflação de serviços e gastos públicos elevados.
  • O Banco Central tende a adotar uma postura mais conservadora, com espaço reduzido para cortes mais agressivos na taxa de juros e possibilidade até de manutenção, dependendo da evolução dos choques inflacionários.

A aceleração do IPCA-15, prévia da inflação, em abril para 0,89% reflete um cenário de maior persistência dos preços e complica a estratégia de afrouxamento monetário do país, afirmou Juliana Inhasz, professora de economia do Insper, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Ela destacou que, embora o índice tenha vindo ligeiramente abaixo do que alguns analistas previam, o movimento é de alerta: “O mercado apostava em valores superiores, mas o indicador aponta uma inflação mais alta e persistente. Isso frustra as expectativas de uma queda mais rápida dos juros e mostra que o trabalho do Banco Central será mais complexo daqui para frente”.

A especialista acredita que fatores externos e internos podem levar o índice oficial para além do limite estabelecido pelas autoridades financeiras. “É bem provável que o IPCA feche o ano acima do teto da meta. O conflito no Oriente Médio impõe uma pressão significativa, somada a uma inflação de serviços resiliente e aos gastos fiscais em um ano eleitoral”, explicou.

Sobre a próxima decisão do COPOM, Juliana Inhasz projeta um cenário de extrema cautela e pouca margem para cortes agressivos na taxa Selic.

“Existe espaço para surpresa, inclusive com uma eventual manutenção dos juros. O espaço para quedas maiores fechou, e o comitê deve agir com cautela, especialmente se entender que os choques inflacionários não são temporários”, analisou a professora.

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A estabilidade do câmbio abaixo de R$ 5,00 foi citada como um alívio pontual, mas que não garante tranquilidade no longo prazo. “O dólar em um nível mais amigável favorece o controle, mas o câmbio é uma variável volátil. Não podemos confiar apenas nisso para trazer a inflação para a meta; o governo precisará atuar em outras frentes econômicas”, afirmou.

Por fim, a professora reforçou que o cenário de incertezas globais exige uma vigilância constante sobre os preços domésticos. “Estamos em um momento de transição onde a trajetória de queda da inflação foi interrompida por novos riscos, o que exige uma postura mais conservadora na política monetária para evitar um descontrole futuro”, pontua.

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