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CNBCRay Dalio alerta que cortar juros agora faria Federal Reserve perder credibilidade

Conflito no Oriente Médio

Guerra testa poder dos EUA, pressiona dólar e pode redesenhar energia global, diz Ray Dalio

Publicado 28/04/2026 • 15:37 | Atualizado há 49 minutos

KEY POINTS

  • Fundador da Bridgewater afirma que conflito com o Irã acelera mudanças no fluxo global de capital e comércio.
  • Petróleo perdeu peso relativo na economia mundial, mas segue crucial para transporte e estabilidade de preços.
  • Investidor alerta que capacidade dos EUA de resolver crise rapidamente será observada por todo o mundo.

A guerra entre Estados Unidos e Irã pode acelerar mudanças estruturais no uso do dólar, no mercado de energia e na percepção global de poder americano. A avaliação é de Ray Dalio, bilionário investidor americano e fundador da Bridgewater Associates, ao analisar os impactos geopolíticos do conflito para mercados e governos.

Segundo ele, o sistema financeiro internacional já passa por transformação e a escalada militar tende a intensificar esse processo. “O uso do dólar está mudando. O conflito bélico influencia as decisões de países que podem sofrer sanções e afeta o comércio”, afirmou em entrevista à CNBC.

Dalio destacou que a discussão vai além da moeda americana e envolve o redirecionamento global de riqueza. “Há uma grande mudança em quem tem o dinheiro e como ele flui no mundo”, explicou.

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Dólar perde espaço, mas sucessão ainda é incerta

Na visão do investidor, o avanço do RMB chinês nas transações internacionais é real, porém ainda limitado por dúvidas em relação à segurança dos ativos chineses. “Quando discutimos uma moeda de reserva, falamos de possuir dívida. Embora o RMB chinês esteja crescendo em transações, a dívida chinesa ainda é considerada um ativo de reserva arriscado”, ressaltou.

Para Dalio, isso significa que o dólar pode perder participação gradualmente sem que exista, no curto prazo, um substituto claro e dominante.

Petróleo vale menos no PIB, mas segue vital

O fundador da Bridgewater afirmou que o petróleo já não tem o mesmo peso econômico de décadas anteriores, em meio ao avanço de fontes renováveis e ganhos de eficiência. “Antes, o petróleo representava 10% do PIB mundial; hoje, representa cerca de 4%”, pontuou.

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Ele destacou que a transição energética avança, sobretudo na Ásia, com crescimento de energia solar e outras matrizes. Ainda assim, o mundo segue dependente do abastecimento regular de combustíveis fósseis. “O petróleo ainda precisa fluir; se não o fizer, as repercussões a longo prazo serão problemáticas, afetando transportes e gerando disrupções”, frisou.

Poder americano está em teste

Dalio avalia que a crise atual representa um desafio direto à liderança internacional dos Estados Unidos. Para ele, outros países observam a capacidade americana de administrar o conflito sem desgaste prolongado.

“Atualmente, é um problema para os Estados Unidos. Outros líderes mundiais observam se os EUA conseguem vencer um conflito rapidamente e sem preços de gasolina muito altos”, destacou.

Na leitura do investidor, guerras longas ou energia cara demais podem alterar a percepção externa sobre a força americana. “Se uma guerra não termina em semanas ou se causa preços de energia insustentáveis, a percepção de poder muda”, observou.

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Estreito de Ormuz virou ponto central

Para Dalio, o núcleo estratégico da crise está no controle do Estreito de Ormuz, corredor essencial para o transporte global de petróleo e gás. “A questão central é: quem controla o Estreito de Ormuz e o que acontece com o programa nuclear e os mísseis?”, afirmou.

Ele acrescentou que uma solução dependeria do equacionamento simultâneo desses fatores, algo que considera complexo. “Se esses três itens forem resolvidos, seria uma vitória clara. Mas não é fácil sair disso com uma vitória”, concluiu.

Na avaliação de Dalio, o conflito atual ultrapassa a dimensão militar e pode redefinir fluxos financeiros, alianças estratégicas e o equilíbrio global entre moedas, energia e poder.

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