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Juros altos e guerra no Irã pressionam empresas e elevam custo de capital

Publicado 23/04/2026 • 17:06 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Prolongamento do conflito amplia a pressão sobre inflação e juros, afetando as projeções de bancos centrais e o ambiente de negócios.
  • Petróleo mais caro cria impactos desiguais entre os setores, favorecendo empresas ligadas a commodities e pressionando companhias com custos atrelados ao combustível.
  • Para a temporada de balanços, o foco do mercado deve recair sobre endividamento e guidance, em meio à expectativa de juros elevados por mais tempo.

O cenário de juros persistentes e incertezas globais transformou o problema geopolítico em um desafio econômico direto para as corporações. É o que afirmou Marcos Moreira, sócio da Garten Capital, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Ele explicou que a prolongação dos conflitos internacionais impacta as projeções dos bancos centrais e o custo de vida. “À medida que essa guerra se prolonga, vemos mudanças relevantes nas projeções de inflação e taxa Selic. Isso gera uma queda de valuation, visto que o custo de capital das empresas tende a permanecer mais elevado e por mais tempo”.

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Sobre o desempenho setorial, o especialista destacou que o petróleo em patamares elevados cria vencedores e perdedores claros no mercado. “O barril negociava a US$ 60 (R$ 300,00) e chegou a mais de US$ 120 (R$ 600,00) no ápice. Setores de commodities surfam esse cenário, enquanto companhias aéreas, com matriz de custo ligada ao combustível, tendem a sofrer mais”, detalhou.

Mesmo com um eventual fim das hostilidades, Moreira acredita que os preços não retornarão aos níveis anteriores tão cedo. “Nenhuma instituição projeta o petróleo voltando para US$ 60 (R$ 300,00) ou US$ 70 (R$ 350,00). Deve continuar na casa de US$ 80 (R$ 400,00) ou US$ 90 (R$ 450,00), mantendo um ambiente incerto que pressiona os preços e prejudica empresas indiretamente”, alertou.

Para os investidores que acompanham a temporada de balanços, a recomendação é focar na sustentabilidade financeira das organizações frente aos juros altos. “O investidor precisa olhar com muita cautela o quão sustentável está o nível de endividamento, pois o custo de capital permanecerá pressionado. O alívio da Selic para 12% parece distante, com o mercado projetando algo próximo de 13%”.

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O executivo reforçou que o mercado financeiro funciona como um mecanismo de antecipação e que o foco deve estar nas previsões futuras. “O guidance, a expectativa para os próximos trimestres, é o que deve ditar o comportamento do mercado. Analisaremos qual percentual de empresas superou as expectativas de lucro para entender o humor do próximo trimestre”.

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