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Copasa: recuo da oferta no dia do anúncio com as propostas já na mesa é ‘mais sério do que ajuste de cronograma’
Publicado 27/05/2026 • 13:39 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 27/05/2026 • 13:39 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
O governo de Minas Gerais freou, sem explicação, o processo de oferta pública de ações da Copasa exatamente no momento em que o mercado aguardava o nome do sócio de referência escolhido para a operação. Para Gustavo Trota, especialista e sócio da Valor Investimentos, o movimento vai além de um contratempo de agenda.
“O que aconteceu hoje é mais sério do que um ajuste de cronograma”, disse Trota em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. “A Copasa frustrou o anúncio do sócio de referência que o mercado esperava para essa manhã e jogou todo esse processo de volta ao início, para um novo prospecto a ser construído.”
O peso da avaliação está no contexto. A Equatorial e um consórcio formado por sócios da Aegea tinham entregue propostas até segunda-feira (25). Havia competição real, com dois grupos na disputa. Mesmo assim, o Estado de Minas Gerais, na condição de acionista vendedor, mandou parar por ofício.
Leia também: Leilão pausado: governo de Minas manda revisar condições da oferta pública da Copasa sem explicar motivo
O fato relevante divulgado pela Copasa cita apenas “fatores supervenientes” para justificar as alterações. A expressão, de uso jurídico, indica o surgimento de fatos novos ou mudanças de ordem política, regulatória, de mercado ou estrutural. O comunicado não vai além disso.
Para Trota, a omissão não impede uma leitura analítica do episódio. “Recuar no dia do anúncio com propostas competitivas na mesa costuma apontar uma questão de nível de preço ou de governança que surgiu de última hora”, avaliou. “O mercado acaba cobrando essa explicação de forma rápida, e a gente enxerga isso hoje no preço do papel.”
As ações da Copasa chegaram a cair 7% na Bolsa logo após o comunicado. O movimento reflete anos de expectativa acumulada. O papel chegou a quase triplicar desde o início da tese de privatização, em abril de 2025, até a máxima histórica registrada ainda neste mês.
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Siga o Times | CNBCAnalistas já mapearam o intervalo de valor da companhia a depender do desfecho. Com a privatização concluída e a empresa operando de forma eficiente, o valor justo estimado chega perto de R$ 80 por ação. Sem a privatização, com a Copasa permanecendo estatal, a projeção recua para cerca de R$ 30.
“O que vai movimentando o mercado é o quanto isso vai ter celeridade ou não”, explicou Trota. “Quanto mais demora, pior. Em ano eleitoral, cada semana de atraso acaba contando.”
🔍 A oferta da Copasa é uma distribuição secundária de ações. Isso significa que a empresa não está emitindo novos papéis. Quem vende é o próprio Estado de Minas Gerais, acionista controlador, que pretendia reduzir sua participação dentro de um processo de desestatização. O dinheiro da venda vai para o governo estadual, não para o caixa da companhia.
Por trás da operação há um driver fiscal claro. Minas Gerais deve R$ 177 bilhões à União e a venda da Copasa era peça do Propag, programa federal de renegociação de dívidas estaduais. Os R$ 9 bilhões esperados com a operação serviriam para reduzir esse passivo, com contrapartidas obrigatórias em educação, segurança e infraestrutura.
A estrutura original previa a venda de 30% da companhia ao sócio de referência e de outros 15% ao mercado. O Estado ficaria com cerca de 5% sob a forma de golden share, mecanismo que garante poder de veto em decisões específicas.
Trota foi direto ao ser perguntado se esse tipo de recuo é habitual. “Comum não é”, respondeu. “Principalmente no dia em que se esperava o investidor de referência.”
Com as mudanças determinadas pelo acionista vendedor, o Comitê de Coordenação e Governança de Estatais precisará se manifestar sobre as alterações antes de qualquer passo seguinte. Só depois da aprovação o prospecto será republicado e um novo cronograma divulgado. Os mesmos grupos, Equatorial e consórcio Aegea, seguem como potenciais candidatos ao papel de sócio de referência na nova rodada.
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