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Ibovespa sobe quase 3% e fecha na máxima do dia após dados de inflação

Publicado 10/07/2026 • 17:35 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Ibovespa avançou 2,97%, aos 177.866,37 pontos, maior nível desde o fim de maio.
  • IPCA de junho veio abaixo do esperado e reforçou apostas de continuidade no corte da Selic.
  • Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Felipe Corleta disse que o dado de inflação derrubou os juros futuros e puxou ações domésticas.

O Ibovespa fechou em forte alta nesta sexta-feira (10) após o IPCA de junho vir abaixo do esperado e reforçar as apostas de que o Banco Central poderá seguir cortando a Selic nas próximas reuniões.

O principal índice da bolsa brasileira avançou 2,97%, aos 177.866,37 pontos. A mínima do pregão foi de 172.760,66 pontos. Na semana, o Ibovespa acumulou ganho de 2,18%. O volume financeiro somou R$ 25 bilhões.

A alta foi puxada pela queda dos juros futuros e pela melhora do apetite por risco. O IPCA subiu 0,16% em junho, abaixo do consenso de 0,31%, segundo dados citados pelo mercado. A leitura fortaleceu ações mais sensíveis aos juros, como papéis de bancos, varejo e construção civil.

Leia também: Conflito no Oriente Médio aumenta riscos para inflação e reforça desafio energético do Brasil

Inflação muda o tom do mercado

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Felipe Corleta, sócio da GTF Capital, disse que o dado de inflação foi “a principal notícia do dia” para os investidores.

“O dado de inflação saiu abaixo do esperado, não só no IPCA cheio, mas também nos núcleos de inflação. Isso trouxe o juro de janeiro do ano que vem para um fechamento abaixo de 14%, o que sugere que a gente pode ter ainda mais dois cortes na Selic”, afirmou.

Segundo Corleta, a queda da curva de juros ajudou a destravar ações ligadas à economia doméstica, que vinham pressionadas pelo custo elevado do crédito.

“Essa inflação de curto prazo vai sofrer bastante com esses fatores. O que falta para o mercado é uma grande confiança na política fiscal para que as projeções futuras de inflação também convirjam para a meta do Banco Central”, disse.

Selic e fiscal seguem no centro da disputa

Apesar do alívio no pregão, Corleta afirmou que ainda há riscos relevantes para a inflação, como preços de energia, geopolítica, combustíveis e eventuais impactos climáticos sobre alimentos.

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Ele também destacou que o ambiente fiscal deve continuar limitando uma queda mais forte das expectativas de inflação de longo prazo, especialmente em ano eleitoral.

Para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em agosto, Corleta avalia que o cenário está “bem consolidado” para novo corte da Selic, mas com manutenção de um discurso cauteloso pelo Banco Central.

“Mesmo com a Selic caindo, a política monetária permanece restritiva. O empréstimo está caro, as empresas estão com dificuldade de acesso a capital e isso desacelera a economia”, afirmou.

Leia também: Alta do petróleo amplia risco para inflação e desafia queda dos juros no Brasil

Bolsa retoma patamar dos 177 mil pontos

O avanço desta sexta-feira levou o Ibovespa de volta a patamar que não era visto desde o fim de maio. O movimento também foi favorecido pelo exterior mais benigno, com expectativa de manutenção de negociações entre Estados Unidos e Irã, apesar da tensão no Oriente Médio.

Segundo Corleta, a entrada de capital estrangeiro nos últimos pregões e a melhora do fluxo podem sustentar nova tentativa de valorização do índice.

“Quem gosta de olhar para análise gráfica ou fluxo vê nos últimos dois, três dias uma entrada de capital estrangeiro na nossa bolsa. Isso pode sugerir que o Ibovespa volte a tentar flertar com a região entre 180 mil e 190 mil pontos”, disse.

Altas e baixas da semana

Na semana, o Ibovespa acumulou alta de 2,18%, aos 177.866 pontos, segundo levantamento da RocketTrader. Entre as maiores altas do período, aparecem CSN Mineração, que subiu 21,35%, Ultrapar, com 11,55%, Azzas, com 11,44%, e RaiaDrogasil, com 10,71%.

Na ponta negativa, um dos destaques foi a Marfrig, com perda de 7,33%, além de Direcional, com 7%, Vale, com 5,91%, e Usiminas, com 3,65%.

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