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CNBCRali do petróleo é retomado após breve queda; Brent supera US$ 87 por barril

Economia Brasileira

Taxas de juros saltam e corte da Selic em março é colocado em xeque

Publicado 06/03/2026 • 21:15 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O mercado de juros futuros precificou uma mudança drástica na trajetória da Selic, reduzindo a aposta em um corte de 0,50% para março devido ao risco inflacionário do petróleo a US$ 92,63.
  • O salto de 68 pontos-base no DI para 2031 em apenas uma semana reflete a exigência de maiores prêmios de risco diante da paralisia do fluxo de 20% do petróleo mundial pelo Estreito de Ormuz.
  • O movimento de "stop loss" (zeragem de perdas) por grandes tesourarias intensificou a alta das taxas, demonstrando que o setor financeiro está abandonando apostas otimistas para se proteger da volatilidade da guerra.

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Taxa Selic pode ser impactada

Os juros futuros negociados na Bolsa brasileira registraram mais uma sessão de firme alta nesta sexta-feira (6), em movimento destoante dos demais ativos domésticos de risco. Segundo agentes, a abertura forte mesmo com a acentuação da queda do dólar na segunda etapa do pregão pode refletir ajustes técnicos, com investidores zerando posições aplicadas frente ao estresse observado nos últimos dias.

Na ponta curta, o acirramento do conflito no Oriente Médio e consequente disparada nos preços do petróleo, cujo barril tipo Brent para maio atingiu US$ 92,63 (cerca de R$ 481,68, na cotação atual), tem levado profissionais do mercado a rever estimativas para a inflação e reavaliar a perspectiva de curto prazo para a política monetária.

Antes tido como quase certo, um corte de 0,5 ponto porcentual da Selic em março agora é chance minoritária na precificação da curva a termo. E já há quem considere a possibilidade de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central mantenha o juro inalterado na próxima reunião.

Os trechos intermediários e longos, por sua vez, chegaram a abrir cerca de 30 pontos-base no início da sessão com a aversão ao risco, devido à intensificação da guerra. E, mesmo reduzindo o ritmo ao longo da tarde, voltaram a avançar mais de 20 pontos nas horas finais do pregão, em um movimento que, para participantes do mercado, refletiu ajustes de posição.

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Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 aumentou de 13,505% no ajuste de quinta para 13,67%. O DI para janeiro de 2029 marcou 13,3%, vindo de 13,079% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 avançou de 13,469% no ajuste anterior a 13,715%. No cômputo semanal, a curva acentuou a inclinação e teve expressivo deslocamento para cima, com a guerra e seus efeitos sobre a oferta mundial de petróleo elevando os prêmios de risco.

Em relação ao fechamento da última sexta-feira, o contrato de DI para janeiro de 2027 subiu 39 pontos-base, enquanto a taxa para janeiro de 2029 saltou 65 pontos-base e a de janeiro de 2031 disparou 68 pontos-base.

Apesar dos avanços militares reportados pelos EUA, Israel e aliados, a normalização do fluxo de petróleo, que é agora o ponto central para o desempenho dos ativos, ainda não ocorreu, observa Marcelo Fonseca, economista do Grupo CVPAR. Ele menciona que o escoamento no Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do óleo produzido no mundo, não foi retomado, enquanto ataques iranianos a refinarias de outros países na região também comprometem a oferta da commodity.

Tendo como pano de fundo as tensões geopolíticas, Fonseca avalia que a deterioração mais expressiva dos DIs na sessão desta sexta se comparada à Bolsa e ao dólar também pode ter como indutor uma redução generalizada de posições.

Um economista de uma grande tesouraria afirmou que, mesmo ajustando as movimentações de acordo com a volatilidade de cada ativo, os juros futuros mostraram dinâmica pior nesta sexta. “Parece mais técnico, com pessoal ‘stopando’ mais o DI“, comentou, referindo-se a investidores que decidiram zerar posições para não ter mais prejuízos.

Para ele, um corte de 0,5 ponto porcentual da Selic em março parece mais difícil após o aumento das incertezas no ambiente externo. Segundo cálculos do economista-chefe do banco BMG, Flávio Serrano, a curva precificava nesta tarde cerca de 65% de probabilidade de corte de 0,25 ponto do juro básico este mês, ante 50% na quinta.

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