O mundo da aviação comercial vive um dos momentos mais turbulentos de sua história recente. O reajuste de 54,6% no preço do querosene de aviação, anunciado pela Petrobras em 1º de abril, somado ao ajuste de 9,4% já aplicado em março, elevou o combustível a 45% das despesas operacionais das companhias aéreas brasileiras — ante 30% registrados anteriormente.
E a sequência de choques não parou ainda: a Petrobras deve aplicar reajuste de 18% no QAV a partir de 1º de maio, como reflexo direto da alta do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio. O impacto sobre as aéreas brasileiras já é sentido.
A Emirates, por sua vez, sobrevoa essa turbulência em altitude de cruzeiro. Stephane Perard, diretor regional da companhia para a América Latina, em evento do Mercado & Opinião, nesta terça-feira (28), em São Paulo, foi direto: a Emirates tem bons estoques de combustível e não sente a pressão que corrói seus concorrentes. “Temos uma ótima situação financeira”, afirmou.
Não é retórica. No ano fiscal 2024-2025, o Grupo Emirates registrou lucro bruto recorde de US$ 6,2 bilhões — alta de 18% sobre o ano anterior —, tornando-se o grupo de aviação mais lucrativo do mundo. O caixa encerrou o primeiro semestre de 2025-26 com US$ 15,2 bilhões, também um recorde histórico. Em um setor onde margens são apertadas e imprevistos derrubam balanços, esses números constroem uma muralha de resiliência que poucos concorrentes têm condições de erguer.
Se o combustível não é o problema, o espaço aéreo é. Perard revelou que, desde o início dos conflitos no Oriente Médio, a Emirates passou a operar com apenas 88% do espaço aéreo que utilizava até então. As rotas que conectam os Emirados ao restante do mundo, incluindo o Brasil, cruzam regiões hoje saturadas pela aviação militar. “Gostaríamos de usar 100% — e até aumentar. Por ora, tivemos que reduzir”, disse o executivo.
É uma restrição operacional relevante, mas que a companhia enfrenta com pragmatismo — bem diferente da angústia que domina os bastidores das aéreas que dependem do QAV brasileiro para sobreviver.
Emirados Árabes fora da OPEP: o fim de uma era no petróleo global
O pano de fundo geopolítico que comprime o setor aéreo mundial ganhou um novo capítulo também nesta terça-feira. Os Emirados Árabes Unidos anunciaram que deixarão a OPEP em 1º de maio — decisão descrita como alinhada à “visão estratégica e econômica de longo prazo do país.”
A saída representa um duro golpe ao grupo e ao seu líder de fato, a Arábia Saudita, em um momento em que a guerra do Irã já havia causado um choque energético histórico e perturbado a economia global. A motivação é objetiva: os Emirados planejam expandir a capacidade de produção de cerca de 3,4 milhões de barris por dia para 5 milhões até 2027 – meta impossível dentro das cotas impostas pelo cartel.
Para Perard, a decisão faz sentido — e pode fazer bem ao mundo. Livre das amarras da OPEP, os Emirados poderão produzir conforme a capacidade própria e as demandas reais do mercado, sem precisar negociar cada barril dentro de um bloco cujos interesses raramente são unânimes. Na leitura do executivo, essa independência tende a beneficiar não apenas o país, mas o equilíbrio energético global.
A saída remove os Emirados dos acordos coletivos de produção, permitindo ao país operar com base em sua própria capacidade e nas condições do mercado – e não mais à sombra da liderança saudita.
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