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Guerra no Irã chega a dois meses e pressiona economia global e inflação com alta de petróleo e fertilizantes

Publicado 28/04/2026 • 22:46 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Disrupções no Estreito de Ormuz afetam o fluxo de petróleo, gás e insumos agrícolas, com risco de escassez e impacto em cadeias produtivas
  • Brasil é altamente dependente de fertilizantes importados e pode sofrer queda de até 20% a 30% na produtividade agrícola, com alta nos preços de alimentos
  • Mesmo com fim imediato do conflito, efeitos em gás e fertilizantes podem durar de seis meses a um ano, com riscos maiores após a safra atual

O conflito entre EUA e Irã completa dois meses, com efeitos crescentes sobre a economia global. Os preços de petróleo e fertilizantes estão em alta, pressionando o comércio internacional, enquanto o custo da energia disparou na Europa e a inflação ganha força em diversas regiões.

Para analisar o cenário, o economista Roberto Giannetti, ex-Secretário Executivo da Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) destacou, em entrevista ao Times Brasil – licenciado exclusivo CNBC, que o mundo vive um período de múltiplos conflitos, incluindo a guerra na Ucrânia e os conlitos no Oriente Médio, o que amplia a instabilidade econômica.

“No caso do Irã, há um impacto em cadeia, especialmente com o fechamento do Estreito de Ormuz, que afeta o fluxo de petróleo, gás e fertilizantes. Isso já pressiona preços e pode gerar escassez de alimentos, pois compromete a produtividade agrícola, inclusive no Brasil, que importa entre 85% e 90% dos fertilizantes”, diz.

O bloqueio no Estreito de Ormuz eleva custos logísticos, reduz a oferta e pressiona preços, ele diz. “Isso já pressiona preços e pode gerar escassez de alimentos, pois compromete a produtividade agrícola, inclusive no Brasil, que importa entre 85% e 90% dos fertilizantes”, afirma.

A ureia, componente essencial do NPK, tende a ficar mais cara ou escassa, o que pode reduzir a produtividade agrícola em até 20% ou 30% e pressionar os preços de alimentos como soja, milho e algodão.

Giannetti avalia que, mesmo com uma eventual resolução imediata do conflito, o mercado levaria meses para se normalizar. O petróleo poderia recuar para cerca de US$ 80 por barril, mas o impacto em gás e fertilizantes deve durar de seis meses a um ano, devido a danos em infraestrutura, como plantas de gás no Catar.

No curto prazo, não há crise imediata no campo brasileiro, pois produtores já haviam contratado insumos antes da guerra. Porém, para o segundo semestre e início de 2027, a tendência é de encarecimento e menor disponibilidade, com impacto direto na produção agrícola.

O economista também destacou que países como Estados Unidos e nações do norte da África ganham espaço ao ampliar a oferta de gás, mas ainda em volume insuficiente para compensar as perdas globais.

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