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Estudo associa Pix ao aumento do trabalho por conta própria no Brasil

Publicado 16/08/2026 • 12:35 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Estudo encontrou associação positiva entre uso do Pix e aumento do trabalho por conta própria no Brasil.
  • Modelo analisou dados de 2012 a 2025 e controlou fatores como juros, ciclo econômico e volume de pagamentos.
  • Autores reconhecem limitações pelo curto período desde o lançamento do Pix e defendem novas análises por região e perfil demográfico.
Celular exibe página do Pix no site do Banco Central sobre uma mesa com materiais do sistema de pagamentos.

Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Estudo encontrou associação positiva entre o uso do Pix e o aumento da proporção de trabalhadores por conta própria no Brasil.

O uso do Pix está associado a uma maior proporção de trabalhadores por conta própria no Brasil, segundo um estudo que analisou dados do sistema de pagamentos e do mercado de trabalho entre 2012 e 2025.

Para medir o que se chama de empreendedorismo, o trabalho considera a proporção de trabalhadores por conta própria em relação à população na força de trabalho. O indicador, portanto, não mede diretamente a abertura de empresas nem o desempenho dos pequenos negócios.

O estudo foi conduzido por Claudio de Moraes, professor de macroeconomia e finanças do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Coppead), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e por Aristides Andrade Cavalcante Neto, chefe do Departamento de Gestão Estratégica e Supervisão Especializada (Degef) do Banco Central. Moraes também atua no BC, na área de estabilidade financeira.

A análise considera dados mensais de março de 2012 a agosto de 2025, extraídos do Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) e baseados nas informações da Pnad Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O modelo considera o período de funcionamento do Pix, a partir de 2020, e o volume mensal de transações realizadas pelo sistema. Também controla fatores como o hiato do produto, a taxa básica de juros e o número total de transações no sistema de pagamentos.

Leia também: BC prepara nova fase do Pix com integração internacional e garantia para crédito

Associação permanece após controles

Segundo os pesquisadores, o coeficiente associado ao Pix permaneceu positivo e estatisticamente significativo nas diferentes especificações testadas, inclusive após controles para o ciclo econômico, a política monetária e a atividade geral do sistema de pagamentos.

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“Os resultados destacam a relevância do desenho do sistema de pagamentos como instrumento de política econômica, especialmente em economias emergentes, nas quais a digitalização pode ampliar oportunidades de trabalho por conta própria e de empreendimento em pequena escala”, afirmam os pesquisadores.

Os autores também encontraram uma associação positiva entre um hiato do produto maior e a atividade medida no estudo, enquanto taxas de juros mais elevadas tenderam a reduzir esse indicador. O volume total de transações de pagamentos também apresentou coeficiente positivo.

Período curto limita análise

Os próprios pesquisadores ressaltam que a análise tem limitações, principalmente pelo período relativamente curto desde o lançamento do Pix, em 2020.

Eles afirmam que trabalhos futuros poderão investigar diferenças entre regiões e grupos demográficos e analisar a interação do Pix com outras inovações financeiras, como o Open Finance.

Apesar das limitações, os autores avaliam que os resultados oferecem uma indicação inicial de que sistemas de pagamentos instantâneos podem estar relacionados a mudanças na forma como as pessoas participam da atividade econômica.

O estudo fará parte de um capítulo da segunda edição do livro Disruptive Technology in Banking and Finance: An International Perspective on FinTech, organizado pelo professor Timothy King, da University of Vaasa, na Finlândia. A publicação está prevista para dezembro.

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