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EXCLUSIVO: Marabraz pede recuperação judicial para reestruturar dívidas de R$ 140 milhões
Publicado 16/08/2026 • 13:09 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 16/08/2026 • 13:09 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Marabraz protocola pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo para reestruturar dívidas de R$ 140 milhões, diz petição
O grupo responsável pelas Lojas Marabraz protocolou neste sábado (15) pedido de recuperação judicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo. Segundo a petição, assinada pelo escritório Campana Pacca Advogados, o processo reúne cinco sociedades ligadas à operação da Marabraz e apresenta à Justiça um passivo de R$ 140,188 milhões.
De acordo com o documento, a crise enfrentada pelo grupo é predominantemente financeira e de liquidez, e não decorre da inviabilidade da atividade varejista. A petição sustenta que a operação da Marabraz permanece estruturada e que a marca mantém relevância no mercado, mas que a companhia passou a enfrentar dificuldades para acessar linhas de crédito destinadas ao financiamento do capital de giro.
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O processo abrange as sociedades Comercial de Móveis Jordanésia, S.V.C. Jaraguá Comercial, Comercial Móveis das Nações, Comercial Zena Móveis e Monta Móveis Prestadora de Serviços, reunidas na petição sob a denominação conjunta de Requerentes. Segundo o documento, embora as empresas estejam organizadas sob pessoas jurídicas distintas, elas atuam sob controle comum e quadro societário composto, em sua quase totalidade, pelos mesmos sócios.
A petição afirma ainda que mais de mil reclamações trabalhistas foram ajuizadas contra mais de uma das sociedades, o que, segundo os advogados do grupo, torna indispensável o ajuizamento conjunto do pedido e inviável a segregação patrimonial entre as empresas.
Leia também: Disputa na família Marabraz: justiça mantém herdeiros no controle da holding de R$ 5 bilhões
Segundo a petição, durante décadas a operação da Marabraz contou com imóveis comerciais, centros de distribuição e outros ativos registrados em nome de uma holding patrimonial da família controladora. Embora esses bens não integrassem diretamente o patrimônio das empresas operacionais, eram utilizados como garantia ou reforço em operações de crédito, o que, de acordo com o documento, favorecia o acesso a financiamento compatível com o porte do negócio.
A petição aponta que disputas familiares e societárias romperam essa estrutura, o que teria provocado deterioração progressiva das condições de financiamento. Segundo o texto, instituições financeiras passaram a exigir novas garantias, reduzir limites de crédito, elevar custos das operações e, em alguns casos, deixar de renovar linhas consideradas necessárias ao capital de giro das empresas.

A petição narra que a história do grupo remonta à década de 1950, quando o imigrante libanês Abdul Hamid Mohamad Fares chegou ao Brasil e passou a atuar como mascate na cidade de São Paulo. Em 1965, fundou sua primeira loja de móveis, batizada de Credi-Fares, na Vila Nova Cachoeirinha. Após seu falecimento, em 1978, os filhos deram continuidade ao negócio, e a marca Lojas Marabraz foi adquirida em 1986, originando a identidade comercial mantida até hoje.
Segundo o documento, a rede chegou a somar 135 lojas distribuídas pela Região Metropolitana de São Paulo, Baixada Santista, Vale do Paraíba e interior do estado, consolidando-se como uma das maiores redes varejistas de móveis e eletrodomésticos do país.
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Siga o Times | CNBCA petição informa que já havia sido decretada falência da sociedade Jordanésia, uma das cinco empresas do grupo, nos autos de processo distribuído em 2025. Segundo o documento, essa decisão está suspensa por decisão da 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo, que concedeu efeito suspensivo em agravo de instrumento sob relatoria do desembargador Rui Cascaldi.
De acordo com a petição, a distribuição do pedido de falência gera prevenção da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais para o processamento do novo pedido de recuperação, o que justifica a competência do mesmo juízo para conduzir o caso.
Entre os pedidos de tutela de urgência, a petição solicita a liberação imediata de recursos financeiros eventualmente bloqueados por credores, a proibição de retenção de valores e a suspensão de medidas judiciais ou extrajudiciais de cobrança contra as empresas do grupo.
O documento também pede a manutenção de serviços considerados essenciais à operação das lojas, entre eles energia elétrica, água, telefonia, sistemas de tecnologia e processamento de pagamentos por cartão, além de proteção contra ações de despejo em imóveis alugados, de forma a permitir a retirada de mercadorias e equipamentos das empresas.
🔍 Stay period é o prazo, previsto na lei de recuperação judicial, em que as ações e execuções contra a empresa em crise ficam suspensas, permitindo que ela negocie com os credores sem o risco de ter bens penhorados ou leiloados nesse intervalo.
Segundo a petição, as empresas do grupo Marabraz não conseguiram apresentar, neste momento, a documentação contábil oficial exigida pela lei de recuperação judicial, em razão da interrupção dos serviços prestados pela empresa responsável pelo sistema de registro de dados financeiros da companhia. O documento afirma que a situação é temporária e que os relatórios contábeis oficiais serão apresentados em até 30 dias após o restabelecimento do sistema.
Enquanto isso, as empresas anexaram ao pedido relatórios contábeis de caráter gerencial, elaborados com base nas informações disponíveis, para subsidiar a análise do caso pela Justiça.
A assessoria de imprensa da Marabraz foi procurada pela reportagem de Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC neste domingo, mas até o fechamento da matéria ainda não havia retornado. O espaço está aberto.
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