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Expert XP: cenário global deve encerrar ciclo de cortes da Selic em breve, diz Alessandra Durão, da ASA

Publicado 23/07/2026 • 22:54 | Atualizado há 56 minutos

KEY POINTS

  • Alta do petróleo e aperto monetário no exterior devem reduzir o espaço para novos cortes de juros no Brasil..
  • Economista avalia que o Banco Central ainda pode reduzir a Selic na próxima reunião, mas com sinalização mais dura.
  • Mercado já considera novas altas de juros na Europa e nos Estados Unidos diante do agravamento do conflito no Oriente Médio.

A alta do petróleo e o risco de uma inflação global mais persistente devem reduzir o espaço para novos cortes da Selic no Brasil, avaliou Andressa Durão, economista especializada em cenário internacional da instituição financeira ASA.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC durante a Expert XP 2026, ela afirmou que o Banco Central ainda pode entregar uma redução na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), mas deverá sinalizar o encerramento do ciclo.

“Talvez, na próxima reunião, eles ainda cortem. É uma dúvida do mercado. Mas isso vai ser encerrado em breve por conta desse novo mundo que estamos vendo, com um conflito que afeta todos os países”, disse.

Segundo Andressa, mesmo que o corte ocorra, a comunicação da autoridade monetária deverá indicar maior preocupação com a inflação.

“Eles podem entregar, mas será com uma linguagem de que isso está acabando e de que os fatores mais inflacionários estão pesando mais”, afirmou.

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Petróleo aumenta pressão sobre bancos centrais

A economista disse que a intensificação do conflito no Oriente Médio elevou os preços do petróleo e ampliou as preocupações com a inflação nas principais economias.

Esse movimento já levou o mercado a revisar as expectativas para a política monetária na Europa e nos Estados Unidos.

Andressa afirmou que o Banco Central Europeu pode voltar a elevar os juros diante da perspectiva de manutenção dos preços da energia em níveis elevados.

“O que ficou claro é que eles devem aumentar a taxa de juros novamente, porque estão vendo que o preço do petróleo vai continuar muito alto”, disse.

Nos Estados Unidos, a expectativa também mudou. O mercado passou a considerar uma política monetária mais restritiva, embora uma eventual alta não seja esperada imediatamente.

“O mercado já está se preparando para uma alta do Fed, não na próxima semana, mas para uma discussão que abra caminho para um aumento mais à frente”, afirmou.

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Cenário externo limita queda da Selic

Andressa explicou que o Brasil estava em um ciclo de redução de juros, mas a mudança do ambiente internacional pode interromper esse processo.

O aumento da inflação global e a perspectiva de juros mais altos nas economias desenvolvidas afetam o câmbio, os preços internos e o fluxo de capital para mercados emergentes.

“Quando temos aumento da inflação global e aperto monetário nos bancos centrais desenvolvidos, isso influencia o Brasil a deixar de cortar”, disse.

Segundo a economista, a política monetária brasileira ainda precisará permanecer restritiva.

“A nossa visão é que eles ainda poderiam entregar esse corte, porque foi uma sinalização feita anteriormente. Mas, entregando ou não, a mensagem será mais dura”, afirmou.

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Mercado acompanha conflito e decisões de juros

A escalada no Oriente Médio deve permanecer entre os principais fatores de risco para os mercados nos próximos meses.

Além do preço do petróleo, investidores acompanham possíveis restrições em rotas estratégicas de transporte da commodity e os efeitos sobre a inflação mundial.

Para Andressa, esse cenário aumenta a incerteza e exige uma postura mais cautelosa dos bancos centrais.

“Não é possível continuar cortando a taxa de juros da mesma forma diante de um mundo mais inflacionário”, disse.

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