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Em discurso crítico aos EUA, presidente do Irã exibe fotos de crianças mortas e cobra justiça para a Palestina

Publicado 23/09/2026 • 11:30 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • Pezeshkian acusou EUA e Israel de terrorismo, exibiu fotos de crianças iranianas mortas em ataques e cobrou justiça para os palestinos.
  • O presidente afirmou que o Irã não busca armas nucleares, mas rejeita limites ao programa nuclear civil e o uso do Estreito de Ormuz para atacar o país.
  • Apesar das críticas, Pezeshkian disse que o Irã está disposto a negociar, mas não aceitará imposições pela força.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, fez um discurso de fortes críticas aos Estados Unidos e a Israel nesta quarta-feira (23), na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Ele acusou os dois países de terrorismo e de atacar civis, exibiu fotografias de crianças iranianas mortas em bombardeios e afirmou que não será possível alcançar a paz no Oriente Médio sem justiça para os palestinos.

Pezeshkian rejeitou as acusações de terrorismo contra o Irã e sustentou que o país age em defesa própria. Também afirmou que Teerã não busca armas nucleares, mas não aceitará limitações ao seu programa nuclear civil.

O pronunciamento ocorreu um dia depois de o presidente americano, Donald Trump, ameaçar “aniquilar” a República Islâmica caso não haja um acordo para encerrar o conflito. Em resposta, Pezeshkian afirmou que o Irã não será forçado a se render.

Durante a fala, o presidente mostrou imagens do ex-líder supremo Ali Khamenei e de estudantes iranianos mortos em ataques em 28 de fevereiro, primeiro dia da ofensiva americana e israelense contra o país. Ele acusou Washington e Israel de violar o direito internacional ao atingir infraestrutura civil.

Palestina e paz

Pezeshkian cobrou uma reação internacional às mortes de civis em Gaza e questionou a omissão de potências diante dos ataques israelenses. Segundo ele, a paz depende de justiça para os palestinos.

O presidente também condenou as restrições à entrada de alimentos, água potável e medicamentos, além das limitações ao atendimento médico. Na avaliação dele, essas medidas agravam o sofrimento da população palestina.

Ao criticar o tratamento internacional dado aos dois países, afirmou que Israel mata enquanto o Irã é submetido a sanções.

Programa nuclear

Pezeshkian reiterou que o Irã não quer desenvolver uma arma nuclear, mas não aceitará limitações ao seu programa civil. Segundo ele, a tecnologia nuclear tem aplicações na saúde, na agricultura, na indústria e na geração de eletricidade.

O presidente também acusou a comunidade internacional de tratar Irã e Israel de forma desigual. Ele contrapôs as armas nucleares israelenses às inspeções realizadas no Irã.

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Defesa e segurança regional

Pezeshkian afirmou que o Irã não quer atacar outros países, mas precisa de força militar para se defender. Segundo ele, o país responderá caso suas cidades sejam bombardeadas.

O presidente disse que, nos últimos 200 anos, o Irã sofreu ataques, mas não atacou outras nações. Afirmou ainda que o país não pretende usar seu poder militar para dominar outros países.

Pezeshkian também defendeu a retirada das forças americanas do Oriente Médio. Para ele, os países da região devem resolver seus próprios problemas, sem interferência de potências externas.

Estreito de Ormuz

Pezeshkian afirmou que o Irã não permitirá que o Estreito de Ormuz seja usado para atacar o país ou bloquear seu acesso às próprias águas e ao território. Também criticou o fornecimento de mísseis e tecnologia militar a países próximos à passagem.

Segundo ele, ampliar a guerra não trará segurança à região. O estreito é uma das principais rotas do transporte internacional de petróleo.

Críticas à ordem internacional

O presidente disse que o Irã não busca tratamento especial, mas direitos iguais. Também criticou uma ordem internacional orientada pela linguagem da guerra, que, segundo ele, aprofunda o desequilíbrio e torna o mundo mais perigoso.

Apesar do tom duro, Pezeshkian encerrou o discurso afirmando que o Irã está pronto para o diálogo, a diplomacia e as negociações, mas não aceita imposições pela força. Ele defendeu a cooperação entre os países e reiterou que os iranianos não se renderão.

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