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Fachin reúne ministros nesta segunda-feira (28) para baixar temperatura no STF diante de racha com TSE às vésperas do primeiro turno

Publicado 28/09/2026 • 07:26 | Atualizado há 57 minutos

KEY POINTS

  • Fachin tenta conter a crise entre ministros do STF diante do risco de as divergências afetarem o funcionamento do TSE na reta final das Eleições de 2026.
  • Decisões conflitantes entre André Mendonça e Flávio Dino ampliaram a tensão, especialmente no caso envolvendo publicações sobre Nossa Senhora Aparecida e Flávio Bolsonaro.
  • Kassio Nunes Marques também deve cobrar mudanças institucionais, incluindo regras mais claras para a distribuição de processos no STF e medidas para preservar a governança da Justiça Eleitoral.
Edson Fachin

Foto: AFP

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, se reúne nesta segunda-feira (28) com os ministros André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli em meio ao aumento das divergências internas na Corte e à preocupação de que o conflito alcance o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na reta final das Eleições de 2026.

Os três magistrados também integram o plenário da Justiça Eleitoral. Kassio ocupa a presidência do TSE, enquanto Mendonça é vice-presidente. A sobreposição entre as duas cortes elevou a preocupação com os efeitos institucionais das disputas recentes entre ministros do Supremo.

O encontro ocorre em um momento de desgaste provocado por decisões judiciais conflitantes e por questionamentos sobre a distribuição de processos.

Nunes Marques também pretende levar a Fachin críticas quanto ao que considera interferências de integrantes do STF em decisões tomadas no âmbito eleitoral. A reunião entre os presidentes das duas cortes já estava prevista, mas os acontecimentos dos últimos dias a tornaram ainda mais importante.

Leia também: STF cria procedimentos para lidar com investigação inédita de ministro, avalia professor

Decisão de Mendonça amplia divergência

Um dos principais episódios que levaram ao agravamento da tensão envolve uma decisão de André Mendonça relacionada a publicações sobre Nossa Senhora Aparecida e o candidato Flávio Bolsonaro.

Na sexta-feira (25), Mendonça determinou a retirada de conteúdos das redes sociais que, segundo pedido apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro, divulgavam informações consideradas imprecisas sobre a posição do candidato em relação ao título de padroeira do Brasil.

A medida, adotada no âmbito do TSE, foi revertida no domingo (27) pelo ministro Flávio Dino, do STF. Ao analisar o caso, Dino concluiu que não havia elementos suficientes para justificar uma restrição severa à liberdade de expressão.

A revisão da decisão aumentou o desconforto de Mendonça e passou a integrar a discussão sobre os limites da atuação do Supremo em processos com repercussão direta na Justiça Eleitoral.

Nunes Marques questiona distribuição de processos

Além da divergência sobre o conteúdo publicado nas redes sociais, segundo a Folha de S. PAulo, Kassio Nunes Marques deve apresentar a Fachin outra preocupação: o funcionamento do sistema de distribuição de processos no STF.

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O presidente do TSE avalia que alguns pedidos apresentados em processos antigos podem permitir que determinadas questões cheguem diretamente a ministros específicos, em vez de passar por uma nova distribuição. Na avaliação de Kassio, essa prática pode suscitar dúvidas quanto à aplicação do princípio do juiz natural.

O tema ganhou força após Flávio Dino analisar um pedido apresentado pelo ator Antônio Tabet em um processo que já tramitava em seu gabinete. Kassio pretende defender a adoção de regras que reduzam a possibilidade de direcionamento de novos pedidos para processos anteriores.

O ministro Fachin já havia tratado do assunto anteriormente. Em maio, assinou um despacho determinando que novos pedidos apresentados em processos arquivados fossem submetidos à Presidência do STF antes de serem enviados ao gabinete do relator original.

Divisão interna chega à Justiça Eleitoral

As divergências não se limitam a decisões isoladas, uma vez que o STF atravessa uma divisão interna que se tornou mais evidente ao longo do calendário eleitoral.

De um lado estão ministros como Dino, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin. Do outro, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux têm formado um grupo distinto em diferentes discussões. As divergências envolvem tanto questões jurídicas quanto acusações cruzadas de atuação com viés político, segundo o material que acompanha o caso.

A preocupação de Fachin é evitar que esse ambiente comprometa o funcionamento do TSE em um momento especialmente sensível. Como Kassio e Mendonça ocupam os dois principais cargos da Corte Eleitoral, conflitos com integrantes do Supremo podem dificultar a coordenação institucional justamente na fase decisiva da eleição.

Governança do TSE entra no centro das preocupações

Interlocutores próximos ao presidente do STF alertaram para o risco de a disputa prejudicar a governança da Justiça Eleitoral. O objetivo da reunião desta segunda-feira é buscar uma redução das tensões antes que novos episódios ampliem o impasse entre os magistrados.

A possibilidade de mudanças no comando do TSE aparece como um cenário extremo caso a crise se agrave. Pela linha de substituição mencionada nas discussões internas, eventuais afastamentos de Mendonça e Kassio abririam espaço para outros integrantes do Supremo que também atuam na Justiça Eleitoral, entre eles Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino.

Por enquanto, não há indicação de que uma mudança desse tipo tenha sido formalmente definida. O foco imediato de Fachin é preservar a capacidade de funcionamento das duas cortes e impedir que disputas internas interfiram na condução do processo eleitoral.

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