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Fernanda Rocha: Juro real alto atrai capital ao Brasil, mas bolsa fica fora do hype da IA

Publicado 15/06/2026 • 22:51 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Fernanda Rocha vê expectativa majoritária de corte de 0,25 ponto na Selic, seguido de pausa pelo Copom.
  • Para ela, inflação ainda reflete economia aquecida e maior liquidez, mais do que efeitos diretos da guerra.
  • Assessora afirma que mercado deve observar a comunicação de Kevin Warsh no Fed, mais do que a decisão em si.

O Brasil segue atraente para o capital estrangeiro pelo juro real elevado, mas a bolsa brasileira fica em posição mais fraca diante do apetite global por tecnologia e inteligência artificial. É o que avaliou Fernanda Rocha, assessora de investimentos da Montebravo e Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Fernanda afirmou que o mercado global entrou em uma nova narrativa, impulsionada pelos resultados fortes de grandes empresas ligadas à inteligência artificial nos Estados Unidos. Nesse cenário, o Brasil atrai fluxo principalmente pelo diferencial de juros, e não pela bolsa.

“Hoje a gente atrai o capital muito pelo nosso juro real, um dos maiores do mundo”, disse. “A bolsa fica meio que largadinha agora, porque a gente não está nesse hype de inteligência artificial e tecnologia.”

Segundo Fernanda, esse diferencial de juros permite ao Banco Central brasileiro promover um corte limitado na Selic, mesmo em um ambiente ainda pressionado para a inflação.

A Notável afirmou que a expectativa mais disseminada no mercado é de um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), com a taxa chegando a 13,5% ao fim do ano.

“A maior parte do mercado hoje tem uma expectativa de que aqui no Brasil a gente tenha um corte de 0,25, chegando nos 13,5 ao final do ano”, afirmou.

Leia também: Fernanda Rocha: Mundo empurra ajuste fiscal com a barriga

Copom deve cortar e depois pausar

Fernanda disse que, após um corte menor, o Banco Central deve entrar em compasso de espera para avaliar os efeitos da inflação, da atividade econômica e do cenário externo.

Segundo ela, o acordo entre Estados Unidos e Irã pode reduzir parte da pressão sobre o petróleo, mas ainda não muda o diagnóstico principal sobre os preços no Brasil.

“A inflação não veio com os reflexos da guerra propriamente dita, porque esses reflexos ainda nem surtiram efeito na maior parte”, afirmou. “A gente está vendo é uma economia aquecida mesmo, economia aquecida nos Estados Unidos e economia aquecida aqui no Brasil.”

Na avaliação da assessora, a inflação também é influenciada pela maior liquidez na economia e pela expansão do crédito. Ela afirmou que a descentralização do mercado de crédito ampliou a circulação de recursos, o que reduz a potência da política monetária na ponta.

“Tem muita injeção de liquidez no mercado”, disse. “Essa facilidade no crédito e muitos programas para oferecer mais crédito também trazem mais dinheiro para a economia como um todo.”

Fernanda afirmou que esse movimento não ocorreu apenas no Brasil, mas também em outras economias, com maior acesso ao crédito e mais liquidez disponível.

Fed deve manter juros, mas comunicação será central

Nos Estados Unidos, Fernanda disse esperar manutenção dos juros na primeira reunião do Federal Reserve sob o comando de Kevin Warsh. Para ela, o foco do mercado estará menos na decisão em si e mais na comunicação do novo presidente do banco central americano.

“Todo mundo espera que ele mantenha, mas é a comunicação. Isso é o mais importante de todos”, afirmou.

A Notável comparou o desafio de Warsh ao enfrentado por Gabriel Galípolo ao assumir a presidência do Banco Central. Segundo ela, a construção de credibilidade será essencial para evitar desancoragem das expectativas de inflação.

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“Ele precisa montar, assim como a gente viu o Galípolo quando entrou, essa questão da credibilidade para não desancorar as expectativas de inflação”, disse.

Fernanda afirmou que Warsh deve tentar evitar altas de juros nos Estados Unidos, principalmente por considerar que parte dos efeitos recentes pode ser de curto prazo. Ainda assim, disse que já há discussão sobre o fim do ciclo de cortes em economias desenvolvidas.

“É possível ter encerrado esse movimento de corte de juros e que comece inclusive um momento de alta”, afirmou.

Leia também: Fernanda Rocha: consórcio volta ao radar dos brasileiros como alternativa ao crédito caro e ferramenta de patrimônio

No Brasil, bolsa fica fora da narrativa global

Ao comentar o desempenho da bolsa brasileira, Fernanda afirmou que o mercado internacional passou a concentrar atenção em tecnologia, inteligência artificial e semicondutores, especialmente após balanços fortes de grandes empresas do setor nos Estados Unidos.

“O mercado está com força de cabeça nessa tese de inteligência artificial, de tecnologia e de tudo que engloba os semicondutores, que estão na máxima”, disse.

Segundo ela, esse movimento reduz o espaço relativo da bolsa na alocação global, enquanto o país segue mais associado ao retorno de renda fixa e estratégias de carry trade.

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