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Por que a conta de luz no Brasil está entre as mais caras do mundo?

Publicado 03/08/2026 • 20:00 | Atualizado há 3 meses

KEY POINTS

  • Apesar de o Brasil contar com uma das matrizes elétricas mais renováveis entre grandes economias, a conta de luz continua pesando no orçamento de famílias e empresas.
  • O motivo está menos no custo da geração de energia e mais na quantidade de encargos, impostos, subsídios e outros componentes incorporados à tarifa final.
  • Um dos principais fatores está na composição da própria fatura. Segundo o levantamento, apenas 30,4% do valor pago pelo consumidor corresponde ao custo efetivo da geração de energia.
Por que a conta de luz no Brasil está entre as mais caras do mundo?

Foto: magnific

Por que a conta de luz no Brasil está entre as mais caras do mundo?

Apesar de o Brasil contar com uma das matrizes elétricas mais renováveis entre grandes economias, a conta de luz continua pesando no orçamento de famílias e empresas. O motivo está menos no custo da geração de energia e mais na quantidade de encargos, impostos, subsídios e outros componentes incorporados à tarifa final.

Um estudo do economista Daniel Duque, do Centro de Liderança Pública (CLP), mostra que o Brasil tem uma das tarifas residenciais mais elevadas do mundo quando o cálculo considera a Paridade do Poder de Compra (PPC), indicador que mede o peso real do preço para os consumidores.

A pesquisa, segundo o Estadão, analisou a energia residencial em 138 países e apontou que a tarifa brasileira, de US$ 0,357 por kWh, supera a de 77 nações. Entre os países com valores menores estão China, Canadá e Noruega. Na prática, isso significa que, mesmo sem ter a maior tarifa em valores absolutos, a energia elétrica brasileira representa um custo elevado quando comparada ao poder de compra da população.

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O que deixa a conta de luz mais cara no Brasil?

Um dos principais fatores está na composição da própria fatura. Segundo o levantamento, apenas 30,4% do valor pago pelo consumidor corresponde ao custo efetivo da geração de energia. A maior parte da conta reúne encargos, impostos, custos de transmissão, distribuição e outros gastos do sistema.

Além disso, os subsídios têm grande impacto sobre a tarifa. A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), responsável por financiar programas como a Tarifa Social de Energia Elétrica, o Luz para Todos e incentivos a fontes renováveis, terá orçamento de R$ 52,7 bilhões em 2026.

As perdas no sistema também aumentam o preço final. De acordo com o estudo, furtos de energia, conhecidos como “gatos”, e outros problemas representam 14,3% da energia distribuída. Outro ponto de pressão são os tributos, que correspondem a 18,1% da conta de luz. O ICMS aparece como um dos principais componentes dessa parcela.

Energia renovável não se traduz em tarifa menor

O cenário chama atenção porque o Brasil possui uma geração de energia considerada competitiva. Em 2025, quase 90% da eletricidade produzida no país veio de fontes como hidrelétricas, eólicas e solares. Mesmo assim, essa vantagem não chega ao consumidor na mesma proporção.

Para Daniel Duque, o problema brasileiro não está na ausência de energia barata, mas na dificuldade de transformar essa característica em preços mais baixos. Segundo o especialista, a estrutura atual acaba funcionando como um custo adicional sobre consumo, investimentos e produtividade, reduzindo a competitividade do país.

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Reforma pode reduzir custos, aponta estudo

De acordo com o levantamento do CLP, mudanças estruturais no setor elétrico poderiam reduzir a conta de luz em até 32%. A estimativa considera medidas como revisão de subsídios, redução de perdas e retirada de custos considerados ineficientes. Mesmo sem alterações nos tributos, uma redução de até 23% ainda seria possível, segundo o estudo.

Entre as propostas defendidas por especialistas está a transferência de parte dos subsídios para o Orçamento Geral da União. A ideia é evitar que esses valores sejam cobrados diretamente dos consumidores sem uma discussão mais ampla sobre os gastos públicos.

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Governo cita medidas para aliviar a conta de luz

O Ministério de Minas e Energia afirmou que algumas ações já adotadas devem contribuir para reduzir a pressão sobre a conta de luz. A pasta destacou a Lei nº 15.235/2025, que limitou o crescimento dos subsídios da CDE, além da renovação das concessões de distribuição, que prevê R$ 130 bilhões em investimentos até 2030.

O ministério também afirmou que a reforma tributária poderá trazer alívio nos impostos estaduais sobre a conta de luz. Dessa forma, o desafio brasileiro não está apenas em produzir energia com fontes renováveis, mas em reduzir os custos que fazem essa vantagem não chegar ao consumidor final.

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