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Fernanda Rocha: Recompra de títulos dos EUA alivia mercado, mas amplia dúvidas sobre o dólar

Publicado 24/08/2026 • 18:46 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Recompra de Treasuries trouxe alívio inicial, mas não eliminou a preocupação com a dívida americana.
  • Fluxo para commodities, ouro e mercados emergentes ganha força em meio às dúvidas sobre o dólar.
  • Investidores devem buscar mecanismos de proteção diante da valorização das big techs, avalia especialista.

A decisão do governo dos Estados Unidos de ampliar a recompra de títulos do Tesouro trouxe um alívio inicial ao mercado, mas o efeito foi rapidamente substituído por novas dúvidas sobre a dívida americana e a credibilidade do dólar.

Ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Fernanda Rocha, comentarista e assessora de investimentos da Montebravo, avaliou que a ampliação das compras de Treasuries pode ajudar a reduzir os juros futuros, mas também aumenta a quantidade de dinheiro em circulação.

Segundo ela, o movimento pode ter um efeito semelhante a uma expansão da liquidez.

“Quando a gente vai lá e recompra os títulos longos, a gente está colocando dinheiro na economia”, afirmou.

A estratégia ganhou força após o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciar a intenção de ampliar o volume de recompras. O alívio nos mercados, porém, foi temporário.

Para Fernanda, a preocupação está relacionada ao efeito dessa política sobre a moeda americana.

“No momento que ele toma essa decisão, gera desconfiança para o sistema de que aquela moeda talvez não seja o porto seguro mais seguro que todos estão desejando.”

A busca por proteção diante da perda de valor das moedas fiduciárias pode favorecer os chamados ativos reais. Fernanda destacou que esse movimento ajuda a explicar o aumento da procura por commodities, ouro e criptomoedas.

“Quando a gente está falando dessa credibilidade da moeda, o que acaba tomando essa credibilidade são os ativos reais”.

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A avaliação é que parte desse fluxo também voltou para mercados emergentes, incluindo o Brasil. Segundo a comentarista, o movimento ainda é menor do que o observado no início do ano, mas pode ganhar força caso aumente a preocupação com os ativos americanos.

A dívida dos Estados Unidos, que atingiu a marca de US$ 40 trilhões, é outro ponto de atenção. O volume é elevado, mas a velocidade de crescimento também preocupa: desde 2017, o endividamento americano praticamente dobrou.

Apesar disso, Fernanda avalia que os Estados Unidos ainda têm maior margem de manobra fiscal do que o Brasil.

“Eles têm por onde apertar”, afirmou, ao destacar que a carga tributária americana é menor e que uma eventual elevação de impostos poderia gerar um aumento relevante na arrecadação.

No Brasil, o cenário é diferente. A economista ressaltou que o país enfrenta juros mais elevados, uma carga tributária maior e menor espaço para ampliar receitas.

Segundo ela, o custo elevado do crédito já provoca impactos sobre a atividade econômica, com aumento dos pedidos de recuperação judicial e extrajudicial.

A assessora também comentou a valorização das grandes empresas de tecnologia e a preocupação dos investidores com uma possível bolha no setor.

A recomendação é buscar exposição ao mercado sem abrir mão de mecanismos de proteção.

“Eu acho que é muito prudente, de alguma forma, se proteger, ter algum tipo de airbag”, afirmou.

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