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Fim da escala 6×1 pode elevar custos e pressionar inflação

Publicado 15/10/2026 • 16:53 | Atualizado há 47 minutos

KEY POINTS

  • Professor da USP avalia que a redução da jornada por mudança constitucional não considera as diferenças entre os setores da economia.
  • José Pastore estima alta de 9,1% na folha por cada um dos dois efeitos da proposta e prevê repasse aos preços.
  • Especialista defende negociação coletiva para definir jornadas e escalas e alerta para impacto sobre consumidores.

A redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e a substituição da escala 6×1 pela 5×2 podem elevar os custos das empresas e provocar repasses aos preços, afirmou José Pastore, professor aposentado de Relações do Trabalho da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo, em entrevista nesta quinta-feira (15) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

A análise foi feita após a votação da proposta no Senado, na noite de quarta-feira (14). Pastore questionou sobretudo a adoção de uma regra constitucional uniforme para atividades que funcionam com exigências muito diferentes de horários e turnos.

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“No mundo inteiro, as jornadas de trabalho vêm sendo reduzidas. Aqui no Brasil também vêm sendo reduzidas. Mas o método não é a lei e muito menos a Constituição. O método é negociação coletiva.”, afirmou Pastore.

Jornadas diferentes para atividades diferentes

“O mercado de trabalho é muito diversificado. As atividades são muito diferentes umas das outras. O que serve para manicure, por exemplo, tanto jornada quanto escala, não serve para o ordenhador de leite, nem a jornada nem a escala”, explicou o professor.

“O que serve para uma atividade na siderurgia, que trabalha 24 horas por dia, 365 dias por ano, de uma maneira muito intensa, não serve para aquele que está numa loja de armarinho, que tem uma atividade muito mais curta e muito mais leve”, exemplificou Pastore.

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Na avaliação do professor, a negociação coletiva já permite adaptar os horários às condições de cada setor. Ele citou uma jornada semanal média de 38 horas no Brasil, abaixo das 40 horas previstas no texto aprovado.

Dois fatores de aumento de custos

Questionado sobre estimativas de entidades empresariais, Pastore afirmou que a elevação das despesas poderá atingir empresas e consumidores. O entrevistador mencionou projeções da CNI, da CNC e de representantes do agronegócio para os impactos da medida.

“Esses números indicam que a conta vai ser grande. A conta vai ser grande e pesada. E é preciso saber quem vai pagar essa conta”, ressaltou o especialista.

“O que geralmente ocorre nesses casos, quando você aumenta muito o fator trabalho e de repente, em 12 meses praticamente? Ocorre que a empresa que não tem condições de continuar equilibrada passa para o preço dos bens e serviços que ela vende”, ponderou.

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Pastore identificou dois componentes principais de custo: a mudança de seis dias de trabalho e um de descanso para cinco dias de trabalho e dois de descanso, e a redução do teto semanal de 44 para 40 horas.

“Até hoje as empresas remuneram o descanso dos trabalhadores, dos seus empregados, com um dia de folga remunerado. Agora elas terão que pagar dois dias de folga remunerados. Houve um aumento, portanto, muito forte, de 100% nesse item aqui”, explicou Pastore.

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“Só isso aqui dá um acréscimo na folha de salários do Brasil de 9,1%, que é muito alto, muito alto”, destacou.

Inflação e efeito sobre a folha

“Uma outra fonte de despesa é aquela que decorre da redução da jornada semanal de 44 horas para 40 horas. Esta aqui não atinge toda a força de trabalho, não, porque tem muita gente que já está trabalhando menos de 44 horas”, acrescentou o professor.

Segundo o professor, a segunda mudança alcançaria aproximadamente 40% da força de trabalho e representaria outro acréscimo de 9,1% para as empresas atingidas. Na avaliação dele, a combinação dos dois efeitos elevaria a despesa adicional da folha para 18,2% nesses casos.

“Para essas empresas aqui, a despesa adicional na folha de salário será de 18,2%. É enorme. Isso vai passar para preço sem nenhuma dificuldade”, afirmou Pastore.

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O professor concluiu que, diante desse cenário, o aumento de custos tende a chegar ao consumidor. Sua avaliação contrasta com os benefícios potenciais mencionados na entrevista, como geração de empregos, saúde dos trabalhadores e estímulo ao consumo.

“Quando ela passa para os bens e serviços, a conta vai para quem? Vai para o trabalhador, que é o consumidor.”, concluiu.

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