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Fim da escala 6×1 pode elevar custos e pressionar preços se transição for rápida, diz economista
Publicado 19/08/2026 • 14:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 19/08/2026 • 14:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 voltou a avançar no Congresso em meio ao calendário eleitoral de 2026. A medida prevê mudanças na jornada semanal e tem recebido apoio de diferentes setores da sociedade, mas também levanta discussões sobre seus efeitos econômicos.
Para o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, o principal ponto de atenção não está apenas no conteúdo da proposta, mas na velocidade de sua implementação. Segundo ele, uma mudança feita sem período suficiente para adaptação pode aumentar os custos das empresas e gerar pressão sobre os preços.
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Vale estima que, dependendo do setor, a redução da jornada poderia representar um aumento médio de 6% a 7% nos custos das empresas. Caso esse impacto seja transferido integralmente aos preços e ocorra de maneira concentrada, a inflação poderia sofrer um efeito próximo de um ponto percentual.
“Se ela for aprovada, como está hoje, com a intensidade e rapidez com que ela vai ser implementada, você tem um risco de repasse desse custo para o consumidor”, afirmou.
Para o economista, o período de adaptação é fundamental para que empresas reorganizem jornadas, contratações e processos produtivos. A preocupação, segundo ele, é evitar que uma mudança estrutural no mercado de trabalho produza efeitos concentrados no curto prazo.
Vale citou como referência a mudança promovida em Portugal, que reduziu a jornada semanal de 44 para 40 horas. Segundo ele, o país anunciou a alteração com antecedência e permitiu que parte das empresas se preparasse antes da adoção da nova regra.
De acordo com o economista, estudos sobre o processo apontam diferenças entre as empresas que tiveram tempo para se adaptar e aquelas submetidas à mudança de forma mais rápida. As primeiras teriam conseguido preservar empregos e faturamento e obter ganhos de produtividade, enquanto as demais enfrentaram aumento de custos e redução de postos de trabalho.
“A história mostra que, se você fizer com tempo adequado, você não tem custo para a sociedade e para as empresas no final. Mas, se fizer de uma forma imposta e rápida, algum custo acaba acontecendo”, disse.
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Siga o Times | CNBCOutro possível efeito levantado na entrevista é o aumento da informalidade, principalmente entre pequenos negócios com menor capacidade para absorver despesas adicionais.
Vale destacou que o mercado de trabalho brasileiro já apresenta custos elevados associados à contratação formal. Nesse cenário, uma redução da jornada sem um período de adaptação poderia dificultar a manutenção de trabalhadores formalizados em empresas de menor porte.
O economista também apontou uma particularidade da reforma tributária em andamento: a tendência de maior digitalização e formalização das atividades econômicas. Para ele, isso pode criar uma pressão adicional sobre pequenos negócios que precisam permanecer na formalidade para acessar mecanismos de crédito e participar do novo sistema tributário.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 também envolve possíveis ganhos de produtividade e mudanças na qualidade de vida dos trabalhadores. Vale afirmou que esses efeitos podem ocorrer, mas ressaltou que os resultados dependerão da forma como a transição for realizada.
Na avaliação do economista, o Brasil já possui um custo elevado para a contratação formal, considerando encargos e outras despesas relacionadas ao trabalho. Uma nova elevação desses custos, segundo ele, pode afetar a competitividade de setores que enfrentam concorrência internacional.
“Ter emprego formal no Brasil é caro”, afirmou. Para Vale, esse conjunto de custos pesa sobre os produtos brasileiros e dificulta a expansão das exportações industriais.
Leia também: Escala 6×1: o choque não é o mesmo para todos
O economista ponderou que eventuais impactos iniciais não significariam necessariamente uma pressão permanente sobre a economia. Segundo ele, empresas e trabalhadores tendem a se adaptar com o passar do tempo.
A diferença estaria na intensidade do ajuste. Uma mudança implementada rapidamente poderia provocar aumento de custos e preços concentrado em um curto período, enquanto uma transição gradual permitiria que empresas incorporassem a nova estrutura de trabalho aos poucos.
“Não tenha dúvida que, ao longo do tempo, isso é acomodado”, afirmou Vale. Para ele, a principal questão econômica em discussão é como estabelecer uma transição capaz de reduzir os efeitos sobre emprego, preços e custos empresariais.
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