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Fim do cessar-fogo amplia risco de escalada militar e pressiona OTAN, avalia especialista
Publicado 08/07/2026 • 10:36 | Atualizado há 54 minutos
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Publicado 08/07/2026 • 10:36 | Atualizado há 54 minutos
KEY POINTS
AFP /John Thys
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o cessar-fogo com o Irã chegou ao fim. A decisão foi tomada após os americanos bombardearem alvos em território iraniano, uma retaliação ao ataque contra três navios comerciais no Estreito de Ormuz. Para o professor de geopolítica da PUCPR, João Alfredo Nyegray, o momento representa uma mudança importante no equilíbrio político e estratégico do conflito.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, João afirmou que “Trump retirou o principal freio político que limitava a escalada americana”. Segundo ele, a decisão altera o cálculo estratégico de Washington e coloca Teerã diante de um dilema: intensificar os ataques e enfrentar uma resposta mais dura dos EUA ou reduzir as ações e passar a imagem de recuo.
Para Nyegray, a crise também mudou o foco da cúpula da OTAN. “O tema que deveria ser a defesa europeia e o gasto militar foi realmente engolido pela crise do Oriente Médio”, disse. Na avaliação do especialista, os aliados europeus tentam equilibrar o apoio aos Estados Unidos sem serem arrastados para um conflito direto com o Irã. “Essa cúpula em Ancara é menos uma reunião protocolar de aliança e mais um teste de coesão política do Ocidente.”
Leia também: Como o cessar-fogo entre EUA e Irã chegou ao fim
Além disso, João coloca ainda que um outro tema a ser debatido na cúpula é avaliar se a OTAN consegue continuar funcionando quando o seu principal fiador, os Estados Unidos, agem simultaneamente como líder, cobrador e fonte de estabilidade interna. O especialista pondera que, um ponto que me chama atenção é a escolha da Turquia. “Ancara não é apenas a sede simbólica dessa reunião, é o país que melhor expressa a ambiguidade estratégica da OTAN contemporânea.
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Siga o Times | CNBCSegundo o professor de geopolítica, a Turquia controla uma posição crucial entre o Mar Negro, o Mediterrâneo, o Cáucaso e o Oriente Médio. “Dialoga com a Rússia e com a Ucrânia, tem interesses próprios na Síria, no Mar Negro e frequentemente usa sua posição dentro da OTAN como instrumento de barganha”. De acordo com a sua avaliação, realizar a cúpula no país é reconhecer que a segurança euroatlântica já não se limita ao Atlântico Norte, “mas passa por outros mares, outros estreitos e outras cadeias industriais de defesa e rotas energéticas”.
Leia também: Irã ameaça lançar novos ataques contra bases dos EUA
O professor também destacou que o conflito no Oriente Médio não reduz a pressão sobre a Rússia. Segundo ele, os ataques ucranianos à infraestrutura energética vêm afetando a capacidade logística do país. “A Rússia hoje vive uma crise de escassez de combustíveis”, afirmou, acrescentando que os bombardeios mostram que “não há ponto da retaguarda russa que esteja seguro”.
Na avaliação de Nyegray, os próximos desdobramentos dependerão da postura de Washington, do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz e dos custos do transporte marítimo. “Se os Estados Unidos limitarem as suas ações a ataques pontuais de retaliação, os mercados provavelmente continuarão precificando uma guerra limitada. Agora, se houver sinais de uma campanha militar prolongada, o prêmio de risco geopolítico poderá aumentar de forma muito mais intensa”, disse. “O risco aqui não é apenas um barril de petróleo mais caro, mas a possibilidade de uma das regiões mais estratégicas para o comércio global voltar a operar sob uma lógica permanente de instabilidade.”
Leia mais: Trump declara fim do cessar-fogo com o Irã, ataca líderes de Teerã e preço do petróleo dispara
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