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Governo federal e governador do Rio trocam acusações sobre operação policial com mais de 100 mortos
Publicado 29/10/2025 • 16:17 | Atualizado há 1 ano
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Publicado 29/10/2025 • 16:17 | Atualizado há 1 ano
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Egberto Ras/Enquadrar/Estadão Conteúdo
Policiais correm com homem preso durante megaoperação no Rio.
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, o ministro da Justiça e a Polícia Federal deram versões diferentes sobre a articulação e a comunicação em torno da megaoperação policial que deixou, segundo dados da Defensoria Pública do Estado, mais de 100 mortos.
Enquanto Castro defendeu a ação como “um sucesso” e disse que “as únicas vítimas foram os policiais”, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e a Polícia Federal afirmam que não foram comunicados oficialmente sobre a operação e que ela não se enquadrava no tipo de atuação federal.
Durante entrevista coletiva na tarde de hoje, Castro afirmou ainda que o trabalho foi planejado por mais de um ano e contou com 60 dias de preparação. “Foi uma operação de cumprimento de mandado judicial. Temos muita tranquilidade de defender tudo o que foi feito”, disse.
Castro destacou que o Estado está “aberto aos órgãos de controle” e que “quem tiver saído dos ditames da lei tem a lei como guarda-chuva”.
O governardo elogiou a atual gestão da Polícia Federal no Rio de Janeiro e indicou que não houve participação do órgão na operação. “Já fiz reclamações no passado sobre a PF, mas elogio o novo superintendente, Fábio Galvão, que tem buscado integração. Nesta investigação, eles não estavam. Se não dá para contar com apoio, a gente foi e fez a nossa operação. E foi um sucesso”, afirmou.
Castro negou que tenha solicitado uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO), instrumento que permite o uso das Forças Armadas em apoio à segurança pública. “O governador não pede GLO. Ele pede ajuda. O instrumento é o governo federal que define. Acho que seria desrespeitoso dizer a eles qual instrumento jurídico usar”, disse.
Em Brasília, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, afirmou que a corporação não foi comunicada oficialmente sobre a deflagração da operação.
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Siga o Times | CNBC“Houve um contato no nível operacional informando que haveria uma grande operação e se a Polícia Federal teria alguma possibilidade de atuação na sua área. A partir da análise do planejamento, entendemos que não era o modo como a PF atua”, declarou.
Segundo ele, a Polícia Federal “segue seu trabalho de investigação e inteligência” e “não tinha atribuição legal para participar da ação, que era de responsabilidade do Estado do Rio de Janeiro”. O diretor reforçou que “a deflagração dessa operação não foi comunicada”.
Rodrigues também destacou que, por se tratar de uma operação de grande porte, a comunicação deveria ocorrer “ao nível das autoridades de hierarquia mais elevada”, mencionando que o presidente da República, o vice-presidente ou o ministro da Justiça deveriam ter sido informados.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou que o governo federal tem atuado no Rio de Janeiro por meio de “ações de inteligência e descapitalização do crime”, em consonância com determinações do Supremo Tribunal Federal.
Segundo ele, a PF trabalha em um grupo integrado com o Coaf e a Receita Federal para “enfrentar o poder econômico do crime organizado e prender suas lideranças”. Lewandowski ressaltou que esse é o modelo de atuação prioritário do governo federal, diferente de ações ostensivas como a realizada pelo Estado.
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