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Juros altos já freiam economia brasileira, mas PIB ainda deve crescer 2%
Publicado 18/08/2026 • 10:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 18/08/2026 • 10:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O IBC-Br, considerado uma prévia do PIB, caiu 0,64% em junho. No fechamento do segundo trimestre, no entanto, a atividade econômica ainda mostrou leve alta de 0,18%. Segundo Gesner Oliveira, professor de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) e sócio da GO Associados, os juros elevados produzem efeitos sobre o nível de atividade de forma gradual. O economista destacou que a queda de 0,64% do IBC-Br em junho não representa, isoladamente, uma retração da economia, já que a atividade registrou leve alta no segundo trimestre.
Na avaliação dele, a economia brasileira deve crescer próximo de 2% neste ano. O mercado de trabalho relativamente aquecido e a baixa taxa de desemprego ainda ajudam a sustentar a atividade.
“De uma maneira muito gradual, de fato, já há o impacto da política monetária no nível de atividade, o que é esperável”, afirmou.
Entre os setores da economia, Gesner apontou a indústria de transformação como uma das principais fontes de preocupação. Segundo ele, o segmento enfrenta pressão tanto do ambiente internacional quanto da concorrência de produtos chineses.
A indústria extrativa, por outro lado, apresenta um cenário diferente, beneficiada pelo desempenho das commodities, especialmente do petróleo. O setor agropecuário também vem apresentando, segundo o economista, crescimento considerado razoável.
Já os serviços registraram uma desaceleração mais forte. Para Gesner, o cenário mostra uma economia que perde ritmo, mas ainda não apresenta uma queda generalizada da atividade. “A economia está desacelerando, porém ainda com um crescimento positivo”, disse.
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Siga o Times | CNBCLeia também: Banco Central registra queda de 0,64% no IBC-Br de junho, mas indicador acumula alta em relação a 2025
Além dos juros, o elevado endividamento de famílias e empresas aparece como um dos principais fatores de pressão sobre a demanda, “do ponto de vista da demanda, temos que pensar que as famílias estão muito endividadas. Isso coloca um freio no consumo, que representa mais de dois terços do Produto Interno Bruto”, afirma.
Nesse cenário, a combinação entre dívida elevada e juros altos reduz a capacidade de consumo e investimento da economia. “Você tem uma economia cuja demanda está sendo freada por um endividamento alto a um custo elevado, que é precisamente o custo da taxa de juros”, afirmou.
Apesar das pressões, o economista mantém uma perspectiva de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, sustentada principalmente pela resiliência do mercado de trabalho e pelo desempenho de alguns setores da economia.
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