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Juros altos no exterior ampliam oportunidades para diversificação global, diz head do Santander Arley Matos

Publicado 25/06/2026 • 22:28 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Arley Matos afirmou que juros globais devem seguir em patamar elevado diante da cautela dos bancos centrais com a inflação.
  • Head de Advisory do Santander disse que renda fixa internacional voltou a oferecer oportunidades após anos de taxas próximas de zero.
  • Especialista recomenda atenção a mercados concentrados, empresas alavancadas e decisões baseadas apenas em retorno passado.

Os juros ainda elevados nas principais economias ampliam as oportunidades para investidores brasileiros diversificarem a carteira no exterior. A avaliação é de Arley Matos, head de Advisory do Santander, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo ele, bancos centrais seguem com postura cautelosa diante da inflação, mesmo em um cenário de crescimento global mais positivo e atividade econômica resiliente, especialmente nos Estados Unidos.

“O combate à inflação avançou, mas, para que esse controle continue acontecendo, a gente tem que ter uma taxa de juros mais elevada”, afirmou.

Matos disse que o cenário atual mudou a forma como o investidor brasileiro olha para o exterior. Durante anos, a renda fixa internacional oferecia taxas próximas de zero. Agora, com juros mais altos em mercados como os Estados Unidos, a classe voltou a entrar no radar.

“Cria-se uma oportunidade de alocação e até de diversificação quando a gente fala de uma carteira de investimento no Brasil”, disse.

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Renda fixa, ações e ouro

Segundo o executivo, investidores que começam a diversificar fora do país costumam associar o mercado internacional à renda variável. Mas ele afirmou que há oportunidades em diferentes classes de ativos.

Na renda fixa, Matos citou títulos soberanos e papéis de crédito de qualidade. Na renda variável, destacou a exposição a empresas internacionais, especialmente ligadas à inovação tecnológica.

O especialista também mencionou ativos reais, como o ouro, que podem funcionar como proteção para a carteira.

“Ele serve até como uma blindagem, uma proteção para a carteira de investimentos”, afirmou.

Outro ponto citado foi a exposição ao câmbio. Segundo Matos, o dólar continua sendo uma moeda forte e pode compor parte da estratégia de diversificação patrimonial.

“A gente sempre fala sobre ter uma carteira com uma composição em moeda forte, no caso aqui o dólar”, disse.

Riscos no exterior

Apesar das oportunidades, Matos afirmou que o investidor precisa ter cautela ao montar um portfólio global.

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Entre os principais riscos, ele citou mercados concentrados em poucos ativos, empresas muito alavancadas e regiões com desafios estruturais de crescimento.

Segundo o executivo, a concentração em poucas empresas pode distorcer a percepção de valorização de determinados setores. Já companhias muito endividadas exigem atenção adicional em um ambiente de juros altos.

Matos também alertou para o risco de tomar decisões com base apenas no desempenho passado.

“Só olhar para o retorno histórico não significa que aquilo vai performar daquela mesma forma”, afirmou.

Para ele, a análise precisa considerar prazo, objetivo, região, qualidade dos ativos e perfil de risco do investidor.

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Carteira global exige estratégia

Matos afirmou que a construção de uma carteira global deve começar pelo prazo e pelo objetivo do investidor. Estratégias de longo prazo, segundo ele, podem ter mais tempo para amadurecer e capturar oportunidades.

O executivo também disse que investimentos no exterior ajudam a ampliar o leque de alternativas e a reduzir a concentração em ativos brasileiros.

“Tem um leque de oportunidades lá fora. Isso aumenta a possibilidade de potencializar o retorno ao mesmo tempo em que equilibra risco de uma carteira concentrada em Brasil”, afirmou.

Ele destacou ainda a importância de contar com apoio especializado, especialmente para investidores que não acompanham o mercado financeiro de forma constante.

Matos afirmou que o acesso a investimentos internacionais ficou mais simples nos últimos anos. Segundo ele, já há fundos no Brasil com aplicação inicial baixa e exposição total ao exterior, além de contas internacionais mais acessíveis.

“Hoje o investidor tem um leque de opções para fazer esse investimento lá fora mais fácil”, disse.

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