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Maior plano de saúde do país está em crise; entenda o risco do setor

Publicado 25/11/2025 • 12:59 | Atualizado há 6 meses

KEY POINTS

  • Hapvida cai 43% e perde mais de R$ 100 bilhões em valor de mercado desde 2021.
  • Resultado operacional fraco, aumento de custos e avanço dos sinistros ampliam a desconfiança.
  • Movimentações de grandes acionistas e crise agravam a percepção de risco no setor.

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A Hapvida vive uma de suas maiores turbulências desde sua abertura de capital. Isso porque, na última quinta-feira (13), a companhia despencou 42,21% na Bolsa de Valores após divulgar resultados abaixo do esperado – o que acendeu um alerta sobre risco no setor de saúde suplementar.

Na verdade, a Hapvida já estava perdendo valor há meses, mas foi o tombo mais recente que acelerou a crise. Agora, a empresa que já valeu R$ 110 bilhões após a fusão com a NotreDame em 2021, hoje está avaliada em cerca de R$ 8 bilhões. 

A trajetória das ações parece uma queda sem fim: uma ação custava R$ 260 em 2018 e agora vale R$ 17. Mas, afinal, como isso aconteceu?

Maior plano de saúde do país está em crise, entenda o risco do setor. Foto: divulgação/Hapvida.
Maior plano de saúde do país está em crise, entenda o risco do setor. Foto: divulgação/Hapvida.
Maior plano de saúde do país está em crise, entenda o risco do setor. Foto: divulgação/Hapvida.

O caminho da Hapvida até a crise

Conforme o Relatório de Resultados 3T25, a Hapvida obteve R$ 337,7 milhões de lucro líquido no terceiro trimestre deste ano, 12,7% a mais quando comparado aos ganhos do mesmo período em 2024.

No entanto, a queda das ações é uma reação do mercado quanto ao resultado operacional da Hapvida, que caiu 17,6% no trimestre.

Isso aconteceu porque o EBITDA somou R$ 746,4 milhões, demonstrando um ritmo mais fraco que o esperado. Nesse sentido, analistas do BTG Pactual explicam o desfecho a partir destes elementos:

  1. Índice de sinistralidade médica muito acima do esperado;
  2. Geração de fluxo de caixa fraca;
  3. Crescimento orgânico modesto;
  4. Maiores despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A);
  5. Aumento nas provisões de contingências.

Ainda segundo o BTG Pactual, o EBITDA da Hapvida está 25% abaixo do esperado, que se soma ainda ao aumento de 10% das despesas comerciais e ao crescimento de 65% nas despesas gerais e administrativas.

Em geral, os resultados foram considerados “poluídos” e foram interpretados como indicadores de um ambiente volátil.

Ademais, a reação foi negativa porque o setor de saúde está em um momento que exige escala, previsibilidade e controle de despesas médicas – ou seja, elementos que a Hapvida não andou entregando, segundo o mercado. 

Elementos que agravaram a crise da Hapvida

Na prática, a queda brusca expôs uma desconfiança maior do que o esperado pelas projeções. Dentro disso, o BTG reforça que Hapvida pode ainda estar enfrentando dificuldades para converter investimentos em ganhos operacionais.

Nesse aspecto, pode-se dizer que a pressão aumentou quando fundos da SPX reduziram sua participação na Hapvida, enquanto a família do CEO Jorge Pinheiro ampliou a fatia na empresa.

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Essa movimentação reforçou a percepção de incerteza e alimentou rumores de uma “crise de confiança” e até de uma “crise de imagem”, já que a empresa acumula milhares de reclamações e processos judiciais.

Durante uma teleconferência, a Hapvida reconheceu que o desempenho ficou aquém do previsto. Além disso, a empresa também admitiu desafios estruturais, como o custo por beneficiário crescente e a necessidade de atrair mais clientes para alcançar as metas projetadas.

Por fim, para tentar conter o estrago, o conselho da Hapvida aprovou um programa de recompra de até 70 milhões de ações. A medida serve para sinalizar força ao mercado, mas não elimina o problema – ou seja, a queda de 42,21% das ações não foi explicada por nenhum fator isolado.

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