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Por que a Hapvida desabou 42% na B3 em um único dia?
Publicado 14/11/2025 • 08:03 | Atualizado há 12 meses
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Publicado 14/11/2025 • 08:03 | Atualizado há 12 meses
KEY POINTS
Foto: Divulgação/Hapvida
As ações da Hapvida fecharam a quinta-feira (13) em queda de 42,21%, negociadas a R$ 18,89. Foi a menor cotação desde a entrada da empresa na B3, em 2018. A perda de valor de mercado da empresa foi da ordem de R$ 7 bilhões.
A saída de investidores do papel – e consequentemente a queda no valor da cotação – aconteceu após a companhia divulgar resultados ruins no terceiro trimestre de 2025, com aumento de sinistralidade, crescimento fraco no número de beneficiários e fluxo de caixa livre negativo. Os dados reforçaram a percepção de risco e abriram espaço para cortes expressivos nas projeções de lucro.
As equipes de Bank of America, JPMorgan e BB Investimentos rebaixaram as recomendações depois de um terceiro trimestre bem abaixo das estimativas.
Os bancos de investimentos classificaram o trimestre como “fraco” e apontaram que os números ainda estão contaminados por provisões, efeitos sazonais e despesas fora do padrão.
O BTG Pactual descreveu o resultado como “muito pior do que o esperado”, o que pressiona a tese de recuperação de margens no curto prazo.
Segundo o BTG, o trimestre somou uma combinação de fatores negativos: sinistralidade acima do histórico, despesas gerais maiores, provisões adversas, crescimento orgânico menor e fluxo de caixa livre enfraquecido.
As receitas líquidas avançaram 6% na comparação anual, para R$ 7,78 bilhões, mas vieram 1% abaixo da projeção do BTG. O EBITDA ajustado teria sido de R$ 613 milhões sem os efeitos não recorrentes, queda de 20% na leitura anual e 25% abaixo do esperado.
Depois dos ajustes, a margem EBITDA recuou para 7,9%, aproximando-se dos níveis registrados logo após a fusão com a GNDI, há três anos. O banco destacou o impacto do acordo com a ANS ligado ao ReSUS, que elevou despesas financeiras em 36% e contribuiu para o prejuízo contábil de R$ 57 milhões no trimestre.
A sinistralidade caixa alcançou 75,2%, alta de 1,4 ponto percentual na comparação anual. O movimento refletiu maior utilização em todas as linhas de cuidado, clima mais frio em algumas regiões e custos adicionais decorrentes de novos hospitais ainda em fase de maturação.
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Siga o Times | CNBCO uso mais intenso dos serviços fez os sinistros por beneficiário crescerem 8% em um ano, ritmo superior ao aumento do ticket médio, que subiu 6%.
A Hapvida adicionou 13 mil vidas em planos de saúde no trimestre, bem abaixo da estimativa de 44 mil do BTG. A Ativa Research apontou que competitividade maior, queda na demanda e inadimplência afetaram a entrada de novos clientes, com maior pressão entre PMEs.
O ticket médio de saúde subiu 6,1% no ano, enquanto os planos odontológicos avançaram 3,8%. Ainda assim, o efeito mix pesou no resultado.
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Após investimentos, o fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 52 milhões, ante número positivo de R$ 471 milhões no mesmo período de 2024. A combinação de menor geração operacional, saídas relacionadas ao ReSUS e maior capex elevou a dívida líquida para R$ 4,2 bilhões.
Para o BTG, o trimestre reforça que a Hapvida ainda enfrenta dificuldades para converter investimentos em ganhos operacionais. O banco reduziu projeções de EBITDA para 2026 em 20% e avalia que o consenso deve seguir a mesma direção.
Mesmo assim, o BTG manteve recomendação de compra e estabeleceu preço-alvo de R$ 50 para o fim de 2026. A casa afirmou que a tese de integração vertical ainda é sólida, mas exige execução mais consistente.
No fechamento do dia, a Hapvida registrou a pior sessão desde sua estreia na Bolsa, refletindo um balanço mais fraco, rebaixamentos e a reprecificação imediata das expectativas de mercado.
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