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Master Capixaba: em batalha judicial com Apex Partners, Cinelli cobra acesso a registros internos para preparar defesa

Publicado 18/09/2026 • 10:15 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Cinelli afirma que perdeu o acesso aos sistemas, arquivos e e-mails corporativos após o afastamento e diz precisar dos documentos para exercer sua defesa.
  • A disputa ocorre em meio à crise da Apex Partners, ao bloqueio patrimonial do ex-presidente e ao pedido de recuperação judicial do grupo, que declarou passivo preliminar de R$ 985,6 milhões.
  • A defesa contesta os argumentos da Apex contra a exibição dos documentos, sustenta que o pedido é específico e solicita que o material seja apresentado em até cinco dias após eventual ordem judicial.
Cinelli Apex

Foto: Divulgação

O fundador e ex-presidente da Apex Partners, Fernando Cinelli, voltou a pedir acesso a documentos internos do grupo que, segundo sua defesa, são necessários para responder às acusações feitas pela atual administração e esclarecer operações realizadas antes de seu afastamento.

A manifestação foi apresentada em 15 de setembro no processo de produção antecipada de provas que tramita na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, no Espírito Santo. A solicitação foi formalizada em meio à crise financeira da companhia, que culminou no processo de recuperação judicial, e ao conflito entre Cinelli e os atuais administradores da empresa.

Na petição, a defesa afirma que o empresário perdeu acesso regular aos sistemas, arquivos e ao e-mail corporativo após deixar a gestão e sustenta que essa limitação dificulta a análise das operações que passaram a ser questionadas judicialmente.

Leia também: Master Capixaba: Fundador da Apex Partners entra na Justiça para contestar pedido de recuperação judicial do grupo

Crise financeira mudou o comando da Apex

Os conflitos se intensificaram em agosto de 2026, quando uma auditoria interna realizada no grupo apontou inconsistências contábeis e financeiras. Na sequência, Cinelli foi afastado da presidência, assim como o então diretor financeiro Eduardo Siqueira.

A partir da mudança no comando, os novos administradores passaram a revisar atos da gestão anterior e levaram à Justiça questionamentos sobre movimentações financeiras e decisões tomadas dentro da companhia.

Parte dessas acusações resultou em medidas contra Cinelli, incluindo bloqueio patrimonial e quebra de sigilo bancário. A defesa do empresário contesta as imputações e afirma que os documentos corporativos são necessários para reconstruir o contexto das transações analisadas.

Segundo a manifestação, a necessidade de acesso ao acervo aumentou justamente depois das medidas que atingiram seu patrimônio. A defesa afirma que novos pedidos de restrição foram formulados com base em documentos selecionados pelas próprias empresas, enquanto Cinelli continuava sem acesso ao conjunto de registros relacionados às operações.

“Os comprovantes isolados apresentados pelas empresas não substituem os contratos, lançamentos contábeis, aprovações internas e demais registros capazes de esclarecer a origem, a finalidade e o tratamento de cada movimentação”, afirma a petição.

Recuperação judicial aprofundou a disputa

O cenário se agravou com o pedido de recuperação judicial da Apex Partners, protocolado em 14 de setembro de 2026 na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória.

A companhia declarou um passivo preliminar de R$ 985,6 milhões e recorreu ao processo para tentar reorganizar suas obrigações financeiras. O pedido foi apresentado no limite do prazo de uma tutela cautelar obtida no mês anterior.

Cinelli passou a questionar aspectos da condução da recuperação. Sua defesa sustenta, entre outros pontos, que o processo foi apresentado sem uma deliberação societária que considera necessária, além de levantar dúvidas sobre a documentação das empresas incluídas no pedido.

O empresário afirma possuir 31,8% da ABM Partnership, principal controladora do grupo, e diz responder pessoalmente por R$ 144,4 milhões em avais e garantias concedidos a empresas ligadas à Apex Partners. Com isso, argumenta ter interesse direto nas decisões tomadas durante a reestruturação.

Também questiona a documentação relacionada às 148 sociedades e veículos incluídos no processo de recuperação, alegando que parte das empresas não teria apresentado inicialmente todos os balanços e documentos societários necessários para a análise do caso.

Cinelli tem sustentado que não se opõe à reorganização financeira da companhia, mas defende maior participação dos sócios, transparência na apresentação das informações e a adoção de uma mediação entre as partes envolvidas.

Defesa rejeita alegação de pedido genérico

Na nova manifestação, os advogados de Cinelli também responderam ao argumento da Apex de que a solicitação de documentos seria genérica.

Segundo a defesa, o pedido original separa os materiais por operações, períodos e categorias e identifica os tipos de registros necessários para a apuração.

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“Foram solicitados, entre outros, atas e registros dos comitês, instrumentos das operações CVC, Rhino e Carbyne, demonstrações financeiras, registros de mútuos, relatórios de auditoria e documentos relativos à utilização de certificados digitais”, diz a petição.

Os advogados afirmam que o objetivo é reconstruir a cadeia de decisões de determinadas operações, identificar os participantes envolvidos, verificar como as movimentações foram registradas contabilmente e conhecer os documentos utilizados para sustentar as acusações contra o ex-presidente.

Cinelli diz não ter mais acesso ao acervo

Outro ponto contestado pela defesa é a alegação de que o empresário já teria conhecimento ou posse dos documentos por ter administrado as empresas.

A manifestação informa que Cinelli perdeu o acesso regular aos sistemas corporativos em 6 de agosto de 2026. Segundo os advogados, autorizações pontuais de pagamentos feitas durante um período de transição não significaram retomada da gestão nem restabelecimento do acesso aos arquivos.

A defesa acrescenta que ele posteriormente renunciou aos cargos de administração, direção, gerência e representação que ainda permaneciam formalmente registrados em seu nome.

“O exercício anterior da administração não transfere esse acervo à esfera pessoal do ex-administrador nem autoriza presumir que ele conserve cópias integrais”, afirma a manifestação.

No caso da operação CVC, os advogados argumentam que a participação direta de Cinelli no negócio não significa que ele tenha mantido todos os pareceres, comunicações, deliberações e registros produzidos durante sua execução.

Contas aprovadas são usadas como argumento

A petição também contesta a afirmação de que Cinelli deveria prestar contas de sua administração.

Segundo a defesa, as contas da Apex Partners Gestão de Ativos referentes aos exercícios de 2020 a 2025 foram submetidas a assembleias e aprovadas sem ressalvas. As deliberações teriam ocorrido entre abril de 2021 e abril de 2026.

Os advogados sustentam que o pedido de produção de provas busca justamente ampliar a análise dos fatos. A manifestação afirma que Cinelli pretende ter acesso, inclusive, a documentos que possam contrariar sua própria versão, para que as responsabilidades sejam individualizadas com base nos registros existentes.

Documentos públicos não seriam suficientes

A Apex Partners também argumentou que parte do material solicitado já seria pública ou teria sido apresentada em outros procedimentos.

A defesa de Cinelli contesta essa tese e afirma que registros disponíveis na Junta Comercial não abrangem documentos internos como e-mails, gravações de reuniões, registros de comitês, logs de sistemas, arquivos contábeis e materiais utilizados em auditorias.

Para documentos que teriam sido entregues em outro processo ou à Laspro, auxiliar do juízo, os advogados pedem que as empresas indiquem de forma organizada quais materiais foram apresentados, a quais sociedades pertencem, quais períodos abrangem e onde podem ser consultados.

Defesa admite acesso restrito a informações sensíveis

A manifestação também trata de informações comerciais e dados de clientes que possam estar incluídos nos documentos pedidos.

Nesse caso, a defesa propõe que o acesso seja submetido a sigilo judicial, limitação de consulta ou outras medidas de proteção, sem impedir a entrega dos registros relacionados diretamente às controvérsias do processo.

Os advogados pedem que, caso a Justiça determine a apresentação do material, as empresas sejam obrigadas a entregar os documentos especificados na ação no prazo de cinco dias após a intimação.

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