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Gilmar diz que não se deve expor colegas, mesmo que estejam envolvidos: “Até a máfia tem ética”

Publicado 15/09/2026 • 21:27 | Atualizado há 46 minutos

KEY POINTS

  • Gilmar Mendes criticou a divulgação seletiva de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro e afirmou que integrantes do STF não poderiam ser expostos de forma desigual.
  • O decano disse que “até a máfia tem ética” e cobrou “decência” no tratamento de informações que atingem integrantes da própria Corte.
  • Gilmar também acusou André Mendonça de dar viés político-eleitoral ao caso e usou as expressões “pixuleco” e “boneco eleitoral” ao criticar a condução do processo pelo colega.

O ministro Gilmar Mendes afirmou nesta terça-feira (15) que integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) não devem ser expostos de forma seletiva a partir das informações encontradas no celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Segundo o ministro, uma apuração não poderia selecionar quais autoridades seriam expostas e quais seriam preservadas. Para ele, mesmo a existência de informações potencialmente comprometedoras não justificaria tratamentos distintos dentro de uma investigação.

“Até a máfia tem ética. É preciso ter decência”, afirmou Gilmar.

Durante a sessão, o ministro criticou o tratamento dado às mensagens relacionadas a Alexandre de Moraes e sustentou que referências a outros integrantes da Corte também deveriam ser consideradas sob os mesmos critérios.

Na avaliação do decano, o plenário não poderia analisar isoladamente as informações envolvendo Moraes sem conhecer o conjunto do material apreendido no caso Master e sem esclarecer por que determinados conteúdos receberam destaque enquanto outros não.

Gilmar classificou uma apuração parcial como “viciada” e comparou a situação a um código de silêncio em que a gravidade de uma informação mudaria de acordo com o magistrado mencionado.

O decano também questionou referências a outros integrantes do tribunal e familiares que apareceram entre as mensagens de Vorcaro.

Gilmar fala em “pixuleco” e acusa Mendonça de viés eleitoral

Gilmar afirmou haver um “inequívoco viés político-eleitoral” na condução do caso e questionou o momento em que as informações envolvendo Moraes ganharam repercussão, às vésperas das manifestações de 7 de Setembro e durante a campanha presidencial. Mendonça rejeitou a acusação.

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Ao atacar a condução do episódio, Gilmar usou as expressões “pixuleco” e “boneco eleitoral” para se referir ao colega.

“O interesse é evidente. Acachapante. Extravagante”, afirmou o ministro antes de empregar os termos.
Mendonça reagiu às acusações e classificou a manifestação de Gilmar como leviana. Em outro momento do confronto, pediu que o decano não apontasse o dedo em sua direção e exigiu respeito.

Decano questiona condução do caso Master

Gilmar também criticou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e comparou a medida à retirada do comandante do Exército ou do presidente da Nasa. Na avaliação do decano, uma decisão dessa natureza não poderia ser tomada da forma como ocorreu.

Ao longo da sessão, Gilmar ainda levantou questionamentos sobre o vazamento de informações das investigações e cobrou esclarecimentos sobre como dados protegidos vinham se tornando públicos.

Gilmar defende análise conjunta dos casos

Em seu voto, o ministro defendeu que o procedimento envolvendo Moraes fosse analisado em conjunto com as questões relacionadas à atuação de Mendonça no caso Master. Para o decano, o Supremo deveria dar tratamento uniforme aos episódios antes de avançar sobre o mérito das informações contra apenas um integrante da Corte.

Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes votaram pela análise conjunta. Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia defenderam a separação dos procedimentos, deixando o placar parcial em 4 a 3. Flávio Dino pediu vista e o julgamento foi interrompido.

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