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Master Capixaba: rombo de quase R$ 1 bilhão ameaça planos da Apex Partners em Lisboa e no resto da Europa
Publicado 27/08/2026 • 09:52 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 27/08/2026 • 09:52 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Divulgação
A crise financeira que atingiu a Apex Partners ameaça os planos de internacionalização do grupo, incluindo a operação aberta em Lisboa em 2025. A gestora escolheu a capital portuguesa como porta de entrada para o mercado europeu, com a intenção de captar investidores e ampliar a distribuição de produtos financeiros.
A operação em Portugal foi criada por meio da Carbyne Investimentos, empresa do grupo voltada para crédito privado, private equity e investimentos em mercados privados. O escritório português tinha entre seus objetivos atuar na gestão de patrimônio e na distribuição de produtos de investimento para clientes europeus.
A abertura em Lisboa ocorreu em meio a um período de expansão acelerada da Apex Partners. Em julho de 2025, a Carbyne inaugurou seu primeiro escritório internacional na capital portuguesa, inicialmente com cerca de 30 milhões de euros sob gestão na Europa.
Leia também: Master Capixaba: Apex Partners inicia processo de reestruturação; empresa demite funcionários e associados
O grupo também chegou a divulgar planos para transformar Portugal em uma plataforma de investimentos para outros mercados europeus.
De acordo com o Jornal Económico, de Portugal, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) preferiu não se manifestar sobre casos específicos devido aos deveres legais de sigilo profissional.
A crise veio a público no início de agosto, depois que uma investigação interna identificou inconsistências financeiras no grupo. O passivo da Apex Partners é estimado em R$ 985,6 milhões.
Após a descoberta, os sócios afastaram o fundador e então presidente da companhia, Fernando Kulnig Cinelli, e o administrador financeiro, Eduardo Siqueira. Os dois passaram a ser questionados judicialmente por decisões relacionadas à gestão da empresa.
A defesa de Cinelli afirma que o empresário está comprometido com a preservação da companhia e com o esclarecimento dos fatos. As acusações e movimentações financeiras mencionadas no processo ainda estão sob investigação.
Para evitar uma escalada imediata das cobranças por parte dos credores, a Apex PArtnersconseguiu uma medida cautelar na Justiça de Vitória, no Espírito Santo. Concedida em 7 de agosto, a decisão criou um período de proteção contra determinadas cobranças, bloqueios e execuções enquanto uma auditoria externa busca dimensionar o problema financeiro.
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Siga o Times | CNBCOs problemas também alcançaram veículos de investimento administrados ou relacionados à Carbyne. Alguns fundos tiveram resgates suspensos e sofreram fortes desvalorizações.
Um dos fundos de crédito privado ligados à Carbyne registrou queda de 35,21% no patrimônio líquido em um único dia após a atualização do valor de determinados ativos. Já o BRM Carbyne Crédito Estruturado, que tinha mais de 900 cotistas e cerca de R$ 160 milhões em patrimônio, acumulou desvalorização superior a 70%.
A crise envolve ainda títulos de dívida emitidos pela Apex. Cerca de 300 investidores teriam adquirido esses papéis, mas aproximadamente 75% do volume estaria concentrado nas mãos de apenas 15 grandes investidores. As obrigações têm como garantia ações de empresas ligadas ao grupo e representam uma parcela relevante do passivo apresentado à Justiça.
A situação ganhou uma nova dimensão depois que a Justiça determinou o bloqueio de bens de Fernando Cinelli e a quebra de seu sigilo bancário. A decisão foi tomada após a identificação de transferências consideradas suspeitas para contas pessoais.
A Apex Partners informou ter encontrado movimentações superiores a R$ 23 milhões. O valor ainda é objeto de investigação e não significa, necessariamente, que os recursos tenham origem em dinheiro de investidores.
A decisão judicial também apontou o risco de transferência ou ocultação de patrimônio que poderia ser utilizado para o pagamento de credores. Entre os movimentos analisados estão transferências de empresas ligadas ao grupo para contas pessoais de Cinelli.
A operação portuguesa permanece existente, mas o futuro da estratégia europeia é incerto. A continuidade do projeto dependerá dos resultados das auditorias, das decisões judiciais e da capacidade da Apex de reorganizar sua situação financeira no Brasil.
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