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“Não sei se tenho pretensão de continuar na Fazenda”, diz Haddad sobre a possibilidade de novo mandato de Lula

Publicado 13/11/2025 • 22:10 | Atualizado há 7 meses

KEY POINTS

  • Fernando Haddad afirmou que não sabe se permanecerá no Ministério da Fazenda em eventual novo mandato de Lula e disse já ter entregado todas as encomendas feitas pelo presidente.
  • O ministro confirmou que a equipe econômica analisa a tarifa zero, mas ressaltou que só avançará se houver compensações que tornem a medida fiscalmente neutra.
  • Haddad condicionou o empréstimo de R$ 20 bilhões aos Correios à apresentação de um plano de reestruturação e disse que a definição sobre a Eletronuclear será levada a Lula em breve; afirmou ainda que a política econômica já está incorporada pelo governo e pelo PT.
Fernando Haddad, ministro da Fazenda

Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda

Fernando Haddad, ministro da Fazenda

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que já cumpriu todas as demandas apresentadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde o início do governo. Em entrevista ao Broadcast/Estadão, ele deixou em aberto sua continuidade no cargo caso Lula seja reeleito em 2026. “Não sei se tenho pretensão de continuar na Fazenda”, disse.

Haddad também comentou o pedido do petista para que a equipe econômica estude a gratuidade no transporte público, tema que ganhou força após defesa feita pelo deputado Jilmar Tatto (PT-SP). Segundo o ministro, a análise está em fase inicial e só avançará se houver equilíbrio fiscal. Ele reforçou que qualquer proposta precisará ter fonte de compensação para não ampliar gastos.

O ministro explicou que o estudo reúne dados sobre tarifas, subsídios, vale-transporte e participação das empresas no financiamento do sistema. Ele destacou que não haverá pressa e a medida, se estruturada, poderá integrar a plataforma eleitoral de Lula. No entanto, Haddad lembrou que a implementação não pode ocorrer em ano eleitoral. “A tarifa gratuita só será viável se for fiscalmente neutra. Se não, não vamos fazer”, afirmou.

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Sobre a reunião no Palácio do Planalto, Haddad disse que o encontro focou na discussão de propostas de segurança pública que tramitam no Congresso, como a PEC da segurança, a lei antifacção e medidas sobre lavagem de dinheiro. Para ele, o país precisa de um pacto federativo no setor, semelhante ao que deu origem ao SUS e à reforma tributária. “A União precisa ter comandos constitucionais para atuar”, afirmou.

Haddad avaliou ainda que não possui um pacote de gastos previsto para 2026. Ele afirmou que a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil foi estruturada de forma neutra e que o mesmo critério será aplicado ao estudo sobre transporte público.

Ao ser questionado sobre a relação com o mercado financeiro, Haddad disse não temer volatilidade em uma eventual saída da pasta. Segundo ele, a agenda econômica do governo já foi incorporada e consolidada. O ministro mencionou que, no último encontro do PT, cerca de 80% dos presentes manifestaram apoio à política econômica vigente.

Haddad afirmou também que não discute candidatura em 2026 e que já comunicou a Lula, no ano passado, que não pretende disputar cargos eletivos. Sobre sua permanência na pasta até maio do ano que vem, desconversou. “Não sei, não conversei com ele. O que ele encomendou, eu entreguei.”

O ministro também comentou a situação das estatais, destacando que o pedido dos Correios por empréstimo de R$ 20 bilhões com aval do Tesouro só será aceito se houver plano de reestruturação validado pela equipe econômica. Ele disse que o processo está em análise contínua. “Ou há um plano de reestruturação, ou não há”, afirmou.

Sobre a Eletronuclear, o ministro disse que a área econômica está finalizando uma posição para apresentar ao presidente. O governo discute o futuro da empresa após décadas de indefinição e após a privatização da Eletrobras. Haddad afirmou que um encaminhamento mais consolidado está próximo, mas que a decisão final caberá a Lula.

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