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Tarifaço: setor madeireiro opera com metade da capacidade e cobra retomada imediata de negociação com os EUA

Publicado 18/07/2026 • 06:00 | Atualizado há 53 minutos

KEY POINTS

  • Estados Unidos recebem, em média, 50% das exportações brasileiras de madeira processada.
  • Segundo a Abimci, setor perdeu mais de US$ 300 milhões em vendas externas após a rodada anterior de tarifas.
  • Entidade considera subsídios e redução temporária da produção medidas paliativas e pede ampliação das exceções.

A indústria brasileira de madeira processada opera, em média, com 50% da capacidade instalada e pode voltar a reduzir a produção após a imposição da nova tarifa de 25% pelos Estados Unidos. A avaliação é de Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci).

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Pupo disse que férias coletivas e cortes na atividade estão entre as medidas temporárias avaliadas pelas empresas, mas defendeu que o governo brasileiro retome imediatamente a negociação diplomática com Washington.

“O melhor cenário seria reverter essas tarifas. Entendo que o governo vem com subsídios, como os anunciados no Plano Brasil Soberano, mas são medidas paliativas. Do nosso lado empresarial, férias coletivas e diminuição da produção também são medidas temporárias e paliativas”, afirmou.

Segundo o executivo, os Estados Unidos recebem, em média, 50% das exportações brasileiras de madeira processada. Parte relevante da produção é desenvolvida especificamente para atender às normas técnicas e às características da construção civil americana.

A dependência do mercado e a customização dos produtos dificultam o redirecionamento rápido das vendas para outros países.

“Não é uma missão tão simples como falar em diversificação de mercados. Nós já exportamos praticamente para o mundo todo. Para realocar qualquer volume proveniente de 50% das nossas exportações, praticamente temos de desenvolver outro produto”, disse.

Leia também: Abit defende negociação com EUA e alerta para impactos do tarifaço sobre setor têxtil

Setor perdeu 40% das exportações

Pupo afirmou que a rodada anterior de tarifas provocou uma redução média de 40% nas exportações do setor. A queda representou, segundo ele, mais de US$ 300 milhões na comparação entre 2024 e 2025.

As empresas começavam a recuperar estoques e participação no mercado americano depois que as tarifas anteriores foram derrubadas, em fevereiro. A nova sobretaxa interrompe esse processo de retomada.

“Justamente agora estávamos nos recompondo no mercado americano, recompondo os nossos estoques na distribuição, e vem esse duro baque de 25%”, afirmou.

De acordo com o superintendente da Abimci, é difícil manter contratos quando apenas o produto brasileiro enfrenta uma diferença tarifária dessa magnitude.

“Nós podemos ser taxados em 25% se os países que concorrem conosco no mercado americano tiverem a mesma taxação. Segue o jogo, é a prática comercial. Mas, com 25% de diferença tarifária, é muito difícil preservar os contratos que temos nos Estados Unidos”, disse.

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Produtos brasileiros complementam produção americana

A Abimci argumentou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que a madeira brasileira não concorre diretamente com a produção americana, mas complementa a oferta local.

Os produtos são vendidos há décadas a distribuidores, redes varejistas, empreiteiras e construtoras nos Estados Unidos. Segundo Pupo, parte deles tem aplicação permanente no sistema construtivo americano e não encontra substituição imediata.

“O que nós não fazemos é competir com a produção americana. Nós complementamos a demanda americana. É uma relação de ganha-ganha em um mercado desenvolvido há décadas”, afirmou.

O executivo também disse que praticamente toda a matéria-prima utilizada pela indústria brasileira vem de florestas plantadas e de manejo sustentável. A entidade apresentou informações sobre rastreabilidade, práticas ambientais e qualidade técnica durante as audiências públicas realizadas em Washington.

Para Pupo, porém, os argumentos econômicos e técnicos não foram considerados integralmente na decisão final.

“Não faz sentido comercial nem econômico a tarifação dos produtos madeireiros brasileiros”, disse.

Leia também: Consultoria avalia que 31% das exportações do Brasil aos EUA estarão sujeitas às novas tarifas

Abimci cobra ampliação das exceções

A entidade defende que o governo brasileiro retome as conversas com os Estados Unidos para ampliar a relação de produtos isentos da tarifa.

“Nós esperamos que o governo não abandone essa negociação. Pelo contrário, que retome tecnicamente e diplomaticamente, como deve ser conduzida uma relação bilateral, e busque aumentar as listas de isenções por famílias tarifárias”, afirmou.

Pupo avaliou que cada segmento deve ser analisado separadamente, considerando o grau de complementaridade com a economia americana e a disponibilidade de fornecedores alternativos.

“É preciso avaliar caso a caso e acionar tecnicamente o governo americano. Não podemos perder esse timing. É importante que o governo retome imediatamente a conversa diplomática para reverter essa decisão tarifária”, disse.

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