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Como o Digimais inflou um crédito de R$ 71 milhões para R$ 741 milhões no balanço
Publicado 23/06/2026 • 10:35 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 23/06/2026 • 10:35 | Atualizado há 1 hora
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PF mostra como o Digimais inflou crédito de R$ 71 milhões para R$ 741 milhões em sucessivas reavaliações contábeis
A Polícia Federal detalhou a engrenagem contábil usada pelo Banco Digimais para inflar o valor de créditos detidos por um fundo de investimento. Conforme o levantamento, ativos comprados por R$ 71 milhões passaram a figurar no balanço do banco por R$ 741 milhões, após uma sequência de reavaliações.
O esquema teve origem no Hermon Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios Não Padronizados, que passou a deter direitos de uma ação de indenização ajuizada em 1967 por herdeiros da Família Villela contra a União.
🔍 Direitos creditórios não padronizados: ativos financeiros originados de créditos com características incomuns ou de difícil precificação, como indenizações judiciais, que exigem avaliação específica e não seguem parâmetros padrão de mercado.
Leia também: Digimais, banco do Edir Macedo, corre ‘risco real de quebra’, justificou a Fitch diante do corte do rating
As informações constam de inquérito ao qual a coluna de Fausto Macedo, do Estadão, teve acesso.
Conforme a investigação, em fevereiro de 2023 ocorreu a primeira aquisição, quando o fundo ID112 comprou 7,7% do crédito de indenização por R$ 9 milhões. Em seguida, essa parcela foi transferida para o Fundo Guidare, e o ativo foi reavaliado para R$ 100 milhões, com base em pareceres jurídicos sobre a ação contra a União.
Depois dessa etapa, o valor foi integralizado no Rio Doce FIDC NP, já com a avaliação inflada. Conforme os federais, em junho de 2023 o procedimento se repetiu com outra parcela de 9,25%, adquirida por R$ 22 milhões e reavaliada para R$ 130 milhões.
A soma das duas operações resultou em ativos comprados por R$ 31 milhões registrados no balanço por R$ 230 milhões. Segundo a PF, a manobra gerou um reconhecimento de renda de R$ 199 milhões na contabilidade do Digimais, em razão da valorização das cotas do fundo.
Leia também: PF aponta que Digimais copiou tática do Master de superavaliar ativos para esconder rombo e de se escorar no FGC
Já em setembro de 2023, segundo o documento do Banco Central usado pela PF, ocorreram mais duas compras de direitos de crédito junto à Família Villela, cada uma no valor de R$ 20 milhões. As aquisições passaram pelo mesmo procedimento de reavaliação e atingiram R$ 174,5 milhões cada.
Com isso, o registro total de patrimônio do fundo chegou a R$ 741.348.945,70, enquanto o custo de aquisição de todos os ativos somava apenas R$ 71 milhões. A diferença entre o valor pago e o valor contabilizado passou de dez vezes.
Durante auditoria, o Banco Central identificou a infração às normas nas reavaliações de patrimônio. Em outubro de 2023, a autarquia determinou a reversão das rendas, com o objetivo de que o valor das cotas retornasse ao custo de aquisição de R$ 71 milhões.
O Digimais solicitou então o parcelamento do impacto contábil ao longo de cinco anos. Apesar da determinação, em dezembro de 2025 o banco celebrou contrato de venda das cotas do fundo à própria controladora, a B.A. Empreendimentos e Participações, pelo valor total de R$ 741.348.945,70.
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Siga o Times | CNBCA operação não envolveu ingresso de recursos no caixa do banco e previu pagamento apenas em 2032. Para a PF, a venda funcionou como forma de manter no papel os valores que haviam sido determinados para reversão.
Procurado, o Digimais não se manifestou até a publicação deste texto.
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