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Publicado 26/05/2026 • 08:00 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
Foto: Reprodução
Como funcionaria o esquema para proteger a imagem do Banco Master, segundo a PF
A Polícia Federal prendeu no dia 14 de maio, em Brasília, Henrique Vorcaro, pai do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, durante a sexta fase da Operação Compliance Zero.
A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Segundo a PF, o grupo investigado teria criado uma estrutura clandestina para monitorar adversários, intimidar jornalistas e proteger a imagem pública do banco e de seus controladores.
As ordens de prisão foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça. Ao todo, sete mandados foram cumpridos pela Diretoria de Combate ao Crime Organizado da PF.
De acordo com a investigação, o esquema funcionaria por meio de uma organização apelidada de “A Turma”, apontada como responsável por executar ações para preservar a reputação do Banco Master e de Daniel Vorcaro.
A PF afirma que integrantes do grupo monitoravam pessoas consideradas ameaças ao ex-banqueiro, incluindo jornalistas e desafetos empresariais.
Leia também: Pai de Daniel Vorcaro é preso na sexta fase da Operação Compliance Zero
A investigação também aponta que havia invasões a sistemas de órgãos públicos federais para obtenção de informações sigilosas.
Outro braço do esquema seria voltado à manipulação da imagem do banco no ambiente digital. Segundo os investigadores, o grupo fazia solicitações falsas para retirada de conteúdos negativos em plataformas online e financiava publicações favoráveis ao Banco Master em canais de comunicação.
As apurações indicam ainda que pagamentos eram feitos a operadores ligados ao grupo para sustentar as ações de monitoramento, influência e proteção reputacional.
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram conversas entre integrantes da organização sobre possíveis agressões físicas contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Segundo a investigação, a sugestão teria partido de Daniel Vorcaro e sido direcionada a Luiz Mourão, identificado pelo apelido de “Sicário”. A PF aponta que Mourão integrava a estrutura responsável por executar tarefas operacionais do grupo.
Uma delegada da própria Polícia Federal também foi presa na nova fase da operação. Ela é suspeita de participação na organização investigada.
Henrique Vorcaro aparece nas investigações como um dos beneficiários de recursos movimentados por Daniel Vorcaro. Segundo a PF, depósitos teriam sido feitos diretamente em sua conta bancária.
Empresário do setor de infraestrutura e fundador do Grupo Multipar, Henrique Vorcaro atua nas áreas de engenharia, energia, agronegócio e mercado imobiliário em Minas Gerais.
A prisão dele amplia o alcance da investigação, que já soma seis fases e passou a envolver familiares e pessoas próximas ao ex-controlador do Banco Master.
A operação também investiga Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, preso preventivamente em março. Ele é suspeito de organizar pagamentos destinados aos integrantes de “A Turma”.
Luiz Mourão morreu após ser preso anteriormente pela Polícia Federal. A corporação concluiu que ele tirou a própria vida.
Os advogados Eugênio Pacelli e Frederico Horta, que representam Henrique Vorcaro, afirmaram que a decisão judicial foi baseada em fatos que ainda não tiveram a legalidade e a origem econômica devidamente esclarecidas no processo.
Segundo a defesa, as explicações não teriam sido solicitadas antes da decretação da prisão. Os advogados disseram que irão apresentar esclarecimentos para contestar as acusações.
O caso aprofunda a crise em torno do Banco Master e amplia a pressão sobre os investigados citados pela Polícia Federal ao longo das seis fases da Operação Compliance Zero.
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