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Operações da PF

Jaques Wagner se mudou para apartamento avaliado em R$ 10 milhões em Salvador

Publicado 19/06/2026 • 07:19 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O líder do governo no Senado está morando, desde o mês passado, em um apartamento avaliado em R$ 10 milhões em dos endereços mais nobres da capital baiana.
  • O imóvel avaliado em R$ 2,4 milhões que ele teria ganhado de Augusto Lima, em suposto pagamento de propina, ele doou para parentes
  • A nona fase da Operação Compliance Zero aconteceu na última quinta-feira, 18, e busca esclarecer envolvimento do Master com Wagner.
Wagner

Arte - Times Brasil

O senador Jaques Wagner (PT-BA) mudou-se recentemente para um apartamento de R$ 10 milhões em um dos bairros mais nobres de Salvador, pouco antes de ter seu nome envolvido no escândalo do Banco Master, na nova fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal.

De acordo com o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, o líder do governo no Senado está morando, desde o mês passado, no 14º andar do edifício Mansão Victory Tower, localizado no Corredor da Vitória, na Avenida Sete de Setembro, um dos endereços mais nobres da capital baiana.

O jornalista aponta que o senador teria doado a parentes um outro apartamento, avaliado em R$ 2,4 milhões, que teria ganhado de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.

Leia também: PF mira apartamento de R$ 2,5 milhões dado a Jaques Wagner e repasse de R$ 3,5 milhões à nora do senador por ex-sócio do Master

Entenda o caso

A Polícia Federal cumpriu, na quinta-feira (18), mandados de busca e apreensão contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, na nona fase da Operação Compliance Zero. A suspeita central envolve um apartamento de cerca de R$ 2,5 milhões em Salvador, repassado por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.

Conforme a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou as medidas, mensagens trocadas entre Wagner e Lima sustentam a suspeita de que o imóvel funcionou como forma de pagamento de propina. A operação também apura o repasse de R$ 3,5 milhões a uma empresa ligada ao núcleo familiar do senador.

Mensagens detalham negociação do apartamento

De acordo com a decisão do STF, Wagner enviou a Lima, em 26 de novembro de 2024, o contato do gerente da construtora (Moura Dubeux) responsável pelo empreendimento Poème Horto, em Salvador, junto com a especificação do imóvel. Na mensagem, o senador escreveu que a unidade era a 1702 e o preço, R$ 2,45 milhões. No dia seguinte, enviou o material digital do empreendimento.

Leia também: Qual era o papel de Daniel Monteiro, advogado preso hoje junto com ex-presidente do BRB

Lima, então, repassou os dados a Valério Marega Júnior, identificado na investigação como operador financeiro. A compra formal do apartamento saiu em nome da Epítome S.A., representada por Luiz Antônio Lombardi, com recursos provenientes de estruturas de fundos ligadas à Reag e ao Hockenheim Fundo de Investimento. Para a Polícia Federal, a dinâmica é compatível com a ocultação do beneficiário final da operação.

As tratativas sobre o imóvel não cessaram após a primeira fase da Compliance Zero. Em maio de 2025, Wagner pediu a Lima os dados do proprietário formal do apartamento para a emissão de um documento técnico, repassando uma mensagem enviada por um de seus filhos. Lima conectou o senador diretamente a David Lopes Monteiro, apontado como operador jurídico ligado ao núcleo do Master. A movimentação documental seguiu nos meses seguintes, com a participação de Guilherme Sodré, Daniel Monteiro, Márcio Domingues dos Santos e André Pissolito Campos.

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Daniel Monteiro já havia sido alvo da Polícia Federal em outra frente da investigação, ligada ao repasse de imóveis para Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília. A coluna de Malu Gaspar, em O Globo, apurou que esse tipo de transação serve para mascarar o destinatário final do bem, evitando que a operação seja identificada como propina.

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