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PF mira apartamento de R$ 2,5 milhões dado a Jaques Wagner e repasse de R$ 3,5 milhões à nora do senador por ex-sócio do Master
Publicado 18/06/2026 • 09:24 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 18/06/2026 • 09:24 | Atualizado há 1 hora
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Montagem: Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC
Operação Compliance Zero cumpre mandados contra Wagner e Augusto Lima na Bahia
A Polícia Federal cumpre nesta quinta-feira (18) mandados de busca e apreensão contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, na nona fase da Operação Compliance Zero. A suspeita central envolve um apartamento de cerca de R$ 2,5 milhões em Salvador, repassado por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.
Conforme decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou as medidas, mensagens trocadas entre Wagner e Lima sustentam a suspeita de que o imóvel funcionou como forma de pagamento de propina. A operação também apura repasse de R$ 3,5 milhões a empresa ligada ao núcleo familiar do senador.
Leia também: PF cumpre mandados em três estados em nova fase da Operação Compliance Zero; Jaques Wagner é o principal alvo
De acordo com a decisão do STF, Wagner enviou a Lima, em 26 de novembro de 2024, o contato do gerente da construtora (Moura Dubeux) responsável pelo empreendimento Poème Horto, em Salvador, junto com a especificação do imóvel. Na mensagem, o senador escreveu que a unidade era a 1702 e o preço, R$ 2,45 milhões. No dia seguinte, enviou o material digital do empreendimento.
Lima então repassou os dados a Valério Marega Júnior, identificado na investigação como operador financeiro. A compra formal do apartamento saiu em nome da Epítome S.A., representada por Luiz Antônio Lombardi, com recursos provenientes de estruturas de fundos ligadas à Reag e ao Hockenheim Fundo de Investimento. Para a Polícia Federal, a dinâmica é compatível com ocultação do beneficiário final da operação.
As tratativas sobre o imóvel não cessaram após a primeira fase da Compliance Zero. Em maio de 2025, Wagner pediu a Lima os dados do proprietário formal do apartamento para emissão de documento técnico, repassando uma mensagem enviada por um filho ou filha. Lima conectou o senador diretamente a David Lopes Monteiro, apontado como operador jurídico ligado ao núcleo do Master. A movimentação documental seguiu nos meses seguintes, com participação de Guilherme Sodré, Daniel Monteiro, Márcio Domingues dos Santos e André Pissolito Campos.
Daniel Monteiro já havia sido alvo da Polícia Federal em outra frente da investigação, ligada ao repasse de imóveis para Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília. A coluna de Malu Gaspar, em O Globo, apurou que esse tipo de transação serve para mascarar o destinatário final do bem, evitando que a operação seja identificada como propina.
Leia também: Qual era o papel de Daniel Monteiro, advogado preso junto com ex-presidente do BRB
A decisão do STF também detalha a transferência de R$ 3,5 milhões à BN Financeira, empresa ligada ao núcleo familiar de Wagner, realizada pela PKL One Participações, dirigida por Andréa Lima Novaes, prima de Augusto Lima. Antes da operação, Eduardo Sodré Martins, enteado do senador, cobrou Lima por boletos vencidos, e o operador atribuiu o atraso ao fracasso da venda do Master ao BRB.
A BN Financeira é distinta da BK Financeira, empresa de Bonnie de Bonilha, também nora de Wagner, que recebeu cerca de R$ 11 milhões do Master entre 2021 e os anos seguintes por meio de contrato para prospecção de operações de crédito consignado. Procurado à época sobre a BK Financeira, Wagner negou qualquer participação na negociação entre a empresa e o banco.
Ao todo, são cumpridos 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro André Mendonça em endereços na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Há ainda medidas cautelares diversas de prisão, incluindo proibição de contato entre investigados. A suspensão de passaporte não foi pedida em relação a Wagner.
Leia também: Nova fase da Compliance Zero mira fraudes no Credcesta e atinge Jaques Wagner e ex-sócio de Vorcaro
A decisão do STF liga Wagner a três frentes de interesse do Master, a ampliação do crédito consignado, o aumento do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e a fiscalização da venda do banco ao BRB. Em agosto de 2024, no dia em que a emenda sobre o fundo foi protocolada, Lima fez uma chamada de mais de nove minutos para Wagner antes de enviar o link da proposta.
A relação entre Wagner e o universo que originou o Master remonta à privatização da Cesta do Povo, rede estatal de supermercados baiana vendida durante sua gestão no governo da Bahia. A venda deu origem ao Credcesta, cartão de crédito consignado que se tornou um dos principais negócios do banco controlado por Vorcaro.
A Polícia Federal apura ainda se Wagner atuou em favor da aprovação da compra do Banco Master pelo BRB e da chamada emenda Master, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). A proposta previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito para investimentos em CDBs, modalidade na qual o Master baseava boa parte de seus negócios.
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Seguir no GoogleA nona fase da Compliance Zero também tem como alvo Augusto Lima, apontado pelas investigações como o operador que intermediava boa parte das relações do Master com políticos, sobretudo no Congresso Nacional.
Leia também: Quem é Augusto Lima, ex-sócio do Vorcaro, dono do banco Plano, alvo de operação da PF
O Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC procurou os advogados de Jaques Wagner, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.
Augusto Lima, por meio de sua defesa, afirmou que as diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Lima estaria há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.
“De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos. Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.”, afirmou a nota dos advogados Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebástian Mello.
Edinho Silva, presidente nacional do PT, declarou apoio às apurações e disse manter confiança de que Wagner esclarecerá os fatos.
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