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Otimismo com o futuro do Brasil supera o de 2022, mas maioria ainda está preocupada, mostra pesquisa Quaest pós-eleições
Publicado 08/11/2026 • 10:02 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 08/11/2026 • 10:02 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Os brasileiros saem da eleição com mais otimismo em relação ao futuro do país do que em 2022. Segundo pesquisa pós-eleitoral da Quaest divulgada neste domingo (8), 44% se dizem otimistas, ante 38% em outubro de 2022 e 41% em dezembro daquele ano.
Além disso, 48% afirmam estar mais preocupados com o futuro do Brasil, o menor índice da série histórica. Eram 57% em outubro de 2022 e 54% em dezembro. Outros 8% não souberam ou não responderam.
Já a torcida pelo sucesso do governo Lula chega a 94%, mesmo índice medido em dezembro de 2022. Para 4%, a resposta é negativa, e 2% não souberam responder.
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A Quaest começou a divulgar neste domingo os primeiros resultados do levantamento, que reúne as reações ao resultado das urnas e as expectativas para o quarto mandato do petista. O instituto ouviu 2.004 pessoas entre sexta-feira (30) e segunda-feira (2). O nível de confiança é de 95%, e a margem de erro, de dois pontos percentuais.
O CEO da Quaest, Felipe Nunes, destacou a mudança na rede social X. “A novidade é que o otimismo com o Brasil cresceu desde Out/22”, escreveu o executivo.
Na prática, o índice de otimistas passou de 38% em outubro de 2022, antes do segundo turno daquele ano, para 41% em dezembro e agora para 44%. O de preocupados caiu de 57% para 54% e, depois, para 48%.
Segundo Nunes, “a preocupação com o nosso futuro, que continua alta, está no menor patamar da série histórica”.
Por região, o Nordeste reúne o maior otimismo, com 56% de otimistas e 36% de preocupados. Em dezembro de 2022, eram 51% e 45%.
No Sudeste, 41% se dizem otimistas e 50%, preocupados, contra 38% e 57% em dezembro de 2022. No Centro-Oeste e no Norte, o placar é de 46% a 46%, ante 38% a 58% no mesmo período.
O Sul é a única região em que o otimismo recuou em relação a dezembro de 2022, de 37% para 30%. A preocupação é de 65% na região, contra 59% naquele mês.
Por posição política, 83% dos lulistas e 82% da esquerda não lulista se dizem otimistas. Entre os bolsonaristas, 89% estão preocupados, e na direita não bolsonarista, 85%. Os independentes se dividem, com 41% de otimistas e 45% de preocupados.
Entre os otimistas, 20% citam democracia e combate ao bolsonarismo como principal motivo para a expectativa positiva com o novo governo Lula. Em seguida, 17% apontam programas sociais, redução da desigualdade e ajuda aos pobres.
A regulação das bets e das redes sociais aparece com 16%. Meio ambiente, combate ao desmatamento e mudanças climáticas somam 9%, mesmo percentual de educação e valorização da universidade pública.
Combate à corrupção e Polícia Federal e também economia, crescimento e infraestrutura aparecem com 6% cada. Segurança pública e saúde registram 4% cada, e 9% não souberam responder.
Por outro lado, entre os preocupados, 27% citam economia, gastos, dívida pública e juros como principal temor com o novo governo. É o maior índice da lista.
Na sequência, 17% mencionam segurança pública, violência, facções, milícia e drogas. Corrupção e escândalos, assim como governabilidade e relação com o Congresso e a oposição, aparecem com 12% cada.
Educação soma 8%, saúde, 7%, e meio ambiente, 5%. A relação com os Estados Unidos e com outros países é citada por 3%, e 9% não souberam responder.
Na economia, a expectativa para os próximos 12 meses está dividida. Segundo a pesquisa, 39% acreditam que a situação vai melhorar e 39%, que vai piorar. Outros 19% esperam que fique do mesmo jeito, e 3% não souberam responder.
Em agosto, o placar era de 46% a 24% a favor da melhora, e em novembro de 2025, de 42% a 35%. Em dezembro de 2022, após a eleição daquele ano, 47% esperavam melhora e 29%, piora.
A divisão política pesa no dado. Entre lulistas, 79% esperam melhora e 2%, piora. Na esquerda não lulista, os índices são de 67% e 7%, e entre independentes, de 35% e 30%.
Já na direita não bolsonarista, 7% esperam melhora e 80%, piora. Entre bolsonaristas, são 6% e 84%.
Por renda, quem recebe até dois salários mínimos tem expectativa de melhora de 48%, ante 29% de piora. Na faixa de mais de dois a cinco salários mínimos, os índices são de 37% e 39%. Entre os que ganham mais de cinco salários mínimos, 30% esperam melhora e 49%, piora.
Entre as promessas de campanha, o fim da escala 6×1 lidera a lista de prioridades para o novo governo, com 17%. Em seguida aparece o imposto zero na cesta básica, com 16%, e a valorização do salário mínimo, com 11%.
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Pé-de-Meia universitário e ampliação da produção nacional de vacinas e medicamentos têm 5% cada. Expansão do Minha Casa, Minha Vida e proteção a trabalhadores por aplicativo somam 4% cada.
Controle rigoroso de armas e desmatamento zero aparecem com 3% cada. O novo ministério para a Segurança Pública tem 2%, e desenvolvimento industrial e ecológico e desenvolvimento de dados e inteligência artificial nacionais, 1% cada. Outros 3% não souberam responder.
Sobre o trabalho do presidente, 48% aprovam e 44% desaprovam, enquanto 8% não souberam responder. Na rodada de outubro, eram 48% e 45%.
O saldo de quatro pontos é o menor entre os presidentes reeleitos na primeira pesquisa após a votação. Lula tinha saldo de 38 pontos em dezembro de 2006, com 69% de aprovação e 31% de desaprovação. Dilma Rousseff registrava 18 pontos em dezembro de 2014, com 59% a 41%, e Fernando Henrique Cardoso, 10 pontos em dezembro de 1998, com 54% a 44%.
Até 2014, a pergunta era de avaliação, e o Datafolha convertia as respostas em aprovação somando ótimo, bom e metade do regular. A desaprovação reunia ruim, péssimo e a outra metade do regular.
Quanto à relação com os demais Poderes, 70% acreditam que o novo mandato terá mais conflito com o Congresso, ante 18% que esperam menos. Outros 3% projetam o mesmo nível, e 9% não souberam responder. Em dezembro de 2022, 48% esperavam mais conflito e 30%, menos.
No caso do Supremo Tribunal Federal (STF), 46% preveem mais conflito e 35%, menos. Outros 6% esperam o mesmo nível, e 13% não souberam responder. Em dezembro de 2022, 33% esperavam mais conflito, e 45%, menos.
| Grupo | Sentimento predominante com a vitória de Lula |
| Lulistas | Alegria |
| Esquerda | Alívio |
| Direita | Decepção |
| Bolsonaristas | Revolta |
| Independentes | Sentimentos fragmentados |
Diante do alto grau de divisão política produzido pela disputa, a Quaest mediu os sentimentos que prevaleceram entre os brasileiros com a vitória de Lula. A pesquisa encontrou emoções positivas, como alegria e alívio, e negativas, como decepção e preocupação.
Os lulistas saíram da eleição alegres, e a esquerda, aliviada. A direita ficou decepcionada, e os bolsonaristas, revoltados. Já os independentes saíram com sentimentos fragmentados.
“Com sentimentos tão diferentes, a percepção generalizada é de um país que sai de mais uma eleição dividido”, disse Nunes.
Outro bloco da pesquisa trata do senador Flávio Bolsonaro. Segundo o levantamento, 89% dos brasileiros souberam da ida dele aos Estados Unidos.
De acordo com Nunes, foi o evento com a maior taxa de conhecimento dos últimos anos. O índice superou o escândalo do Banco Master, o caso envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro e a reunião de Jair Bolsonaro com embaixadores em 2022.
Entre quem soube, 62% julgam errada a decisão do senador. Outros 29% consideram a ida aos EUA uma ação correta, e 9% não souberam opinar.
O CEO da Quaest chamou atenção para a divisão no campo da direita. “O mais impressionante desse resultado é que ele mostra uma divisão da direita”, escreveu. Metade dos eleitores de direita, grupo que reúne a maioria dos votos de Flávio no segundo turno, acha que ele errou ao sair do país.
Quanto às motivações, 56% dos brasileiros acreditam que o senador deixou o país para fugir da Justiça. Outros 35% avaliam que a viagem teve o objetivo de evitar perseguição política.
A percepção de perseguição é mais forte entre os eleitores bolsonaristas. Entre os independentes, apenas cerca de um terço aposta nessa ideia. Para Nunes, “o sinal mais claro aqui é que a base que votou em Flávio no 2º turno parece rachada”.
Flávio deixou o Brasil depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a entrega dos passaportes. O senador descumpriu a ordem, entrou por terra na Argentina e embarcou em um avião particular para os Estados Unidos, onde desembarcou perto de Miami na quarta-feira (28 de outubro).
O parlamentar é investigado no STF por suspeitas de irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, e de lavagem de dinheiro em negócios ligados a casas de apostas cujo dono é Willer Tomaz, advogado e amigo de Flávio. Outra investigação apura repasses de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para a produção do filme.
A pesquisa também avaliou a tentativa de Flávio de se autoproclamar presidente após a eleição. Segundo o levantamento, 70% dos brasileiros tomaram conhecimento do episódio.
Na sequência, 60% consideraram que o senador agiu mal diante do resultado eleitoral. O percentual supera o registrado pela Quaest em dezembro de 2022, quando o instituto avaliou a postura de Jair Bolsonaro depois da derrota nas urnas.
Assim como ocorreu com o pai, Flávio também levantou dúvidas sobre o resultado da votação. A atitude é desaprovada por 59% dos entrevistados.
De acordo com Nunes, a desaprovação reflete a percepção majoritária de que as eleições foram limpas e justas. Apenas um terço dos brasileiros acredita em fraude, “como já achavam em 2022”, segundo o CEO da Quaest.
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