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Otimismo com o futuro do Brasil supera o de 2022, mas maioria ainda está preocupada, mostra pesquisa Quaest pós-eleições

Publicado 08/11/2026 • 10:02 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Otimismo com futuro do Brasil sobe de 38% para 44% desde 2022, e preocupação cai de 57% para 48%
  • Expectativa para economia empata, com 39% prevendo melhora e 39%, piora, e juros e dívida lideram temores com 27%
  • 94% torcem pelo governo Lula, que tem saldo de aprovação de 4 pontos, o menor entre os reeleitos desde 1998
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Os brasileiros saem da eleição com mais otimismo em relação ao futuro do país do que em 2022. Segundo pesquisa pós-eleitoral da Quaest divulgada neste domingo (8), 44% se dizem otimistas, ante 38% em outubro de 2022 e 41% em dezembro daquele ano.

Além disso, 48% afirmam estar mais preocupados com o futuro do Brasil, o menor índice da série histórica. Eram 57% em outubro de 2022 e 54% em dezembro. Outros 8% não souberam ou não responderam.

Já a torcida pelo sucesso do governo Lula chega a 94%, mesmo índice medido em dezembro de 2022. Para 4%, a resposta é negativa, e 2% não souberam responder.

Leia também: EXCLUSIVO: Varejo deve fechar 2026 quase estagnado, e móveis e eletrodomésticos devem vender 10% menos em novembro

A Quaest começou a divulgar neste domingo os primeiros resultados do levantamento, que reúne as reações ao resultado das urnas e as expectativas para o quarto mandato do petista. O instituto ouviu 2.004 pessoas entre sexta-feira (30) e segunda-feira (2). O nível de confiança é de 95%, e a margem de erro, de dois pontos percentuais.

Otimismo com o Brasil sobe e preocupação cai ao menor nível da série
Você está mais preocupado(a) ou otimista com o futuro do Brasil? (em %)
Out/22
Otimista
38%
Preocupado
57%
NS/NR
5%
Dez/22
Otimista
41%
Preocupado
54%
NS/NR
5%
Nov/26
Otimista
44%
Preocupado
48%
NS/NR
8%
Fonte: Quaest | Elaboração: Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC

Otimismo com Brasil supera nível de 2022

O CEO da Quaest, Felipe Nunes, destacou a mudança na rede social X. “A novidade é que o otimismo com o Brasil cresceu desde Out/22”, escreveu o executivo.

Na prática, o índice de otimistas passou de 38% em outubro de 2022, antes do segundo turno daquele ano, para 41% em dezembro e agora para 44%. O de preocupados caiu de 57% para 54% e, depois, para 48%.

Segundo Nunes, “a preocupação com o nosso futuro, que continua alta, está no menor patamar da série histórica”.

Nordeste lidera otimismo, e Sul concentra preocupação
Otimistas e preocupados com o futuro do Brasil, por região (em %)
Nordeste
Otimista
56%
Preocupado
36%
Sudeste
Otimista
41%
Preocupado
50%
Centro-Oeste/Norte
Otimista
46%
Preocupado
46%
Sul
Otimista
30%
Preocupado
65%
Fonte: Quaest | Elaboração: Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC

Otimismo é maior no Nordeste, e Sul concentra preocupação

Por região, o Nordeste reúne o maior otimismo, com 56% de otimistas e 36% de preocupados. Em dezembro de 2022, eram 51% e 45%.

No Sudeste, 41% se dizem otimistas e 50%, preocupados, contra 38% e 57% em dezembro de 2022. No Centro-Oeste e no Norte, o placar é de 46% a 46%, ante 38% a 58% no mesmo período.

O Sul é a única região em que o otimismo recuou em relação a dezembro de 2022, de 37% para 30%. A preocupação é de 65% na região, contra 59% naquele mês.

Por posição política, 83% dos lulistas e 82% da esquerda não lulista se dizem otimistas. Entre os bolsonaristas, 89% estão preocupados, e na direita não bolsonarista, 85%. Os independentes se dividem, com 41% de otimistas e 45% de preocupados.

Democracia e programas sociais lideram motivos do otimismo
O que mais te traz otimismo sobre o novo governo Lula? (em %, entre os otimistas)
Democracia / combate ao bolsonarismo
20%
Programas sociais / redução da desigualdade
17%
Regulação das bets e das redes sociais
16%
Meio ambiente / desmatamento / clima
9%
Educação / universidade pública
9%
Combate à corrupção / Polícia Federal
6%
Economia / crescimento / infraestrutura
6%
Segurança pública / violência e facções
4%
Saúde / SUS / novos hospitais
4%
NS/NR
9%
Fonte: Quaest | Elaboração: Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC

Democracia e programas sociais sustentam otimismo

Entre os otimistas, 20% citam democracia e combate ao bolsonarismo como principal motivo para a expectativa positiva com o novo governo Lula. Em seguida, 17% apontam programas sociais, redução da desigualdade e ajuda aos pobres.

A regulação das bets e das redes sociais aparece com 16%. Meio ambiente, combate ao desmatamento e mudanças climáticas somam 9%, mesmo percentual de educação e valorização da universidade pública.

Combate à corrupção e Polícia Federal e também economia, crescimento e infraestrutura aparecem com 6% cada. Segurança pública e saúde registram 4% cada, e 9% não souberam responder.

Economia, gastos e juros lideram preocupações com o novo governo
O que mais te preocupa sobre o novo governo Lula? (em %, entre os preocupados)
Economia / gastos e dívida pública / juros
27%
Segurança pública / violência / facções
17%
Corrupção / escândalos
12%
Governabilidade / relação com o Congresso
12%
Educação
8%
Saúde / hospitais
7%
Meio ambiente / desmatamento
5%
Relação com EUA e outros países
3%
NS/NR
9%
Fonte: Quaest | Elaboração: Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC

Economia, gastos e juros puxam preocupação

Por outro lado, entre os preocupados, 27% citam economia, gastos, dívida pública e juros como principal temor com o novo governo. É o maior índice da lista.

Na sequência, 17% mencionam segurança pública, violência, facções, milícia e drogas. Corrupção e escândalos, assim como governabilidade e relação com o Congresso e a oposição, aparecem com 12% cada.

Educação soma 8%, saúde, 7%, e meio ambiente, 5%. A relação com os Estados Unidos e com outros países é citada por 3%, e 9% não souberam responder.

Expectativa para economia empata em 39% e 39%
Nos próximos 12 meses, a economia do Brasil vai melhorar ou piorar? (em %)
Série histórica
MelhorarPiorar
Nov/25
Melhorar
42%
Piorar
35%
Ago/26
Melhorar
46%
Piorar
24%
Nov/26
Melhorar
39%
Piorar
39%
Por posição política
Lulista
Melhorar
79%
Piorar
2%
Esquerda não lulista
Melhorar
67%
Piorar
7%
Independente
Melhorar
35%
Piorar
30%
Direita não bolsonarista
Melhorar
7%
Piorar
80%
Bolsonarista
Melhorar
6%
Piorar
84%
Por renda
Até 2 salários mínimos
Melhorar
48%
Piorar
29%
Mais de 2 a 5 salários mínimos
Melhorar
37%
Piorar
39%
Mais de 5 salários mínimos
Melhorar
30%
Piorar
49%
Fonte: Quaest | Elaboração: Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC

Expectativa para economia empata em 39% e 39%

Na economia, a expectativa para os próximos 12 meses está dividida. Segundo a pesquisa, 39% acreditam que a situação vai melhorar e 39%, que vai piorar. Outros 19% esperam que fique do mesmo jeito, e 3% não souberam responder.

Em agosto, o placar era de 46% a 24% a favor da melhora, e em novembro de 2025, de 42% a 35%. Em dezembro de 2022, após a eleição daquele ano, 47% esperavam melhora e 29%, piora.

A divisão política pesa no dado. Entre lulistas, 79% esperam melhora e 2%, piora. Na esquerda não lulista, os índices são de 67% e 7%, e entre independentes, de 35% e 30%.

Já na direita não bolsonarista, 7% esperam melhora e 80%, piora. Entre bolsonaristas, são 6% e 84%.

Por renda, quem recebe até dois salários mínimos tem expectativa de melhora de 48%, ante 29% de piora. Na faixa de mais de dois a cinco salários mínimos, os índices são de 37% e 39%. Entre os que ganham mais de cinco salários mínimos, 30% esperam melhora e 49%, piora.

Fim da escala 6x1 e imposto zero na cesta lideram prioridades
Qual das promessas de campanha deve ser a prioridade do novo governo? (em %)
Fim da escala 6x1
17%
Imposto zero na cesta básica
16%
Valorização do salário mínimo
11%
Pacto contra o feminicídio
10%
Farmácia Popular, teleconsultas e exames
8%
Presídios de segurança máxima
7%
Pé-de-Meia universitário
5%
Produção nacional de vacinas e medicamentos
5%
Expansão do Minha Casa, Minha Vida
4%
Proteção a trabalhadores por aplicativo
4%
Controle rigoroso de armas
3%
Desmatamento zero
3%
Ministério da Segurança Pública
2%
Desenvolvimento industrial e ecológico
1%
Dados e IA nacionais
1%
NS/NR
3%
Fonte: Quaest | Elaboração: Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC

Eleitor cobra fim da escala 6×1 e imposto zero na cesta básica

Entre as promessas de campanha, o fim da escala 6×1 lidera a lista de prioridades para o novo governo, com 17%. Em seguida aparece o imposto zero na cesta básica, com 16%, e a valorização do salário mínimo, com 11%.

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O pacto contra o feminicídio soma 10%. A ampliação do Farmácia Popular, com teleconsultas e exames gratuitos, registra 8%, e o enquadramento de presídios de segurança máxima, 7%.

Pé-de-Meia universitário e ampliação da produção nacional de vacinas e medicamentos têm 5% cada. Expansão do Minha Casa, Minha Vida e proteção a trabalhadores por aplicativo somam 4% cada.

Controle rigoroso de armas e desmatamento zero aparecem com 3% cada. O novo ministério para a Segurança Pública tem 2%, e desenvolvimento industrial e ecológico e desenvolvimento de dados e inteligência artificial nacionais, 1% cada. Outros 3% não souberam responder.

Saldo de aprovação de Lula é o menor entre reeleitos
Primeira pesquisa após a reeleição (em %). Até 2014, dados do Datafolha convertidos de avaliação
AprovaDesaprova
Lula (dez/2006) | Saldo +38
Aprova
69%
Desaprova
31%
Dilma (dez/2014) | Saldo +18
Aprova
59%
Desaprova
41%
FHC (dez/1998) | Saldo +10
Aprova
54%
Desaprova
44%
Lula (nov/2026) | Saldo +4
Aprova
48%
Desaprova
44%
Fonte: Quaest | Elaboração: Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC

Aprovação de Lula é de 48%, e saldo é o menor entre reeleitos

Sobre o trabalho do presidente, 48% aprovam e 44% desaprovam, enquanto 8% não souberam responder. Na rodada de outubro, eram 48% e 45%.

O saldo de quatro pontos é o menor entre os presidentes reeleitos na primeira pesquisa após a votação. Lula tinha saldo de 38 pontos em dezembro de 2006, com 69% de aprovação e 31% de desaprovação. Dilma Rousseff registrava 18 pontos em dezembro de 2014, com 59% a 41%, e Fernando Henrique Cardoso, 10 pontos em dezembro de 1998, com 54% a 44%.

Até 2014, a pergunta era de avaliação, e o Datafolha convertia as respostas em aprovação somando ótimo, bom e metade do regular. A desaprovação reunia ruim, péssimo e a outra metade do regular.

Maioria espera mais conflito com o Congresso no novo mandato
Haverá mais ou menos conflito do que no período anterior? (em %)
Dez/22 (Bolsonaro)Nov/26 (Lula)
Conflito com o Congresso
Mais conflito
Dez/22
48%
Nov/26
70%
Menos conflito
Dez/22
30%
Nov/26
18%
Igual
Dez/22
8%
Nov/26
3%
NS/NR
Dez/22
14%
Nov/26
9%
Conflito com o STF
Mais conflito
Dez/22
33%
Nov/26
46%
Menos conflito
Dez/22
45%
Nov/26
35%
Igual
Dez/22
6%
Nov/26
6%
NS/NR
Dez/22
16%
Nov/26
13%
Fonte: Quaest | Elaboração: Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC

Congresso e STF devem ter mais conflito, dizem 70% e 46%

Quanto à relação com os demais Poderes, 70% acreditam que o novo mandato terá mais conflito com o Congresso, ante 18% que esperam menos. Outros 3% projetam o mesmo nível, e 9% não souberam responder. Em dezembro de 2022, 48% esperavam mais conflito e 30%, menos.

No caso do Supremo Tribunal Federal (STF), 46% preveem mais conflito e 35%, menos. Outros 6% esperam o mesmo nível, e 13% não souberam responder. Em dezembro de 2022, 33% esperavam mais conflito, e 45%, menos.

Eleição deixa sentimentos distintos entre grupos políticos
Sentimentos que prevaleceram entre os brasileiros com a vitória de Lula
Grupo Sentimento predominante com a vitória de Lula
Lulistas Alegria
Esquerda Alívio
Direita Decepção
Bolsonaristas Revolta
Independentes Sentimentos fragmentados
Fonte: Quaest | Elaboração: Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC

Otimismo convive com alegria, alívio, decepção e revolta

Diante do alto grau de divisão política produzido pela disputa, a Quaest mediu os sentimentos que prevaleceram entre os brasileiros com a vitória de Lula. A pesquisa encontrou emoções positivas, como alegria e alívio, e negativas, como decepção e preocupação.

Os lulistas saíram da eleição alegres, e a esquerda, aliviada. A direita ficou decepcionada, e os bolsonaristas, revoltados. Já os independentes saíram com sentimentos fragmentados.

“Com sentimentos tão diferentes, a percepção generalizada é de um país que sai de mais uma eleição dividido”, disse Nunes.

Reprovação de 62% atinge ida de Flávio Bolsonaro aos EUA
89% dos brasileiros souberam da viagem, o maior índice de conhecimento entre eventos recentes
Ida aos EUA foi certa ou errada? (entre os 89% que souberam da viagem)
Errada
62%
Correta
29%
NS/NR
9%
Por que Flávio deixou o país?
Fugir da Justiça
56%
Evitar perseguição política
35%
Fonte: Quaest | Elaboração: Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC

Reprovação de 62% atinge ida de Flávio para EUA

Outro bloco da pesquisa trata do senador Flávio Bolsonaro. Segundo o levantamento, 89% dos brasileiros souberam da ida dele aos Estados Unidos.

De acordo com Nunes, foi o evento com a maior taxa de conhecimento dos últimos anos. O índice superou o escândalo do Banco Master, o caso envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro e a reunião de Jair Bolsonaro com embaixadores em 2022.

Entre quem soube, 62% julgam errada a decisão do senador. Outros 29% consideram a ida aos EUA uma ação correta, e 9% não souberam opinar.

O CEO da Quaest chamou atenção para a divisão no campo da direita. “O mais impressionante desse resultado é que ele mostra uma divisão da direita”, escreveu. Metade dos eleitores de direita, grupo que reúne a maioria dos votos de Flávio no segundo turno, acha que ele errou ao sair do país.

Quanto às motivações, 56% dos brasileiros acreditam que o senador deixou o país para fugir da Justiça. Outros 35% avaliam que a viagem teve o objetivo de evitar perseguição política.

A percepção de perseguição é mais forte entre os eleitores bolsonaristas. Entre os independentes, apenas cerca de um terço aposta nessa ideia. Para Nunes, “o sinal mais claro aqui é que a base que votou em Flávio no 2º turno parece rachada”.

Flávio deixou o Brasil depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a entrega dos passaportes. O senador descumpriu a ordem, entrou por terra na Argentina e embarcou em um avião particular para os Estados Unidos, onde desembarcou perto de Miami na quarta-feira (28 de outubro).

O parlamentar é investigado no STF por suspeitas de irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, e de lavagem de dinheiro em negócios ligados a casas de apostas cujo dono é Willer Tomaz, advogado e amigo de Flávio. Outra investigação apura repasses de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para a produção do filme.

Rejeição de 59% atinge questionamento de resultado eleitoral
Reação à postura de Flávio Bolsonaro após a eleição (em %)
Souberam da tentativa de autoproclamação
70%
Acham que Flávio agiu mal diante do resultado
60%
Desaprovam o questionamento das urnas
59%
Fonte: Quaest | Elaboração: Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC

Rejeição de 59% atinge questionamento de resultado eleitoral

A pesquisa também avaliou a tentativa de Flávio de se autoproclamar presidente após a eleição. Segundo o levantamento, 70% dos brasileiros tomaram conhecimento do episódio.

Na sequência, 60% consideraram que o senador agiu mal diante do resultado eleitoral. O percentual supera o registrado pela Quaest em dezembro de 2022, quando o instituto avaliou a postura de Jair Bolsonaro depois da derrota nas urnas.

Assim como ocorreu com o pai, Flávio também levantou dúvidas sobre o resultado da votação. A atitude é desaprovada por 59% dos entrevistados.

De acordo com Nunes, a desaprovação reflete a percepção majoritária de que as eleições foram limpas e justas. Apenas um terço dos brasileiros acredita em fraude, “como já achavam em 2022”, segundo o CEO da Quaest.

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