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Passagens aéreas devem subir com alta do combustível e mudança tributária, diz professor da FGV
Publicado 14/04/2026 • 18:08 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 14/04/2026 • 18:08 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A combinação entre alta do combustível e mudanças na tributação deve pressionar o preço das passagens aéreas e afetar o setor de aviação, o turismo e as viagens de negócios, segundo Rafael Chaves, professor da FGV EPGE.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o economista afirmou que o encarecimento do querosene de aviação, somado ao impacto da reforma tributária, deve elevar o custo das companhias aéreas e acabar sendo repassado ao consumidor.
“Se tá mais caro para levar passageiro daqui para lá, de lá para cá, esse custo tem que ser repassado na passagem”, disse.
Segundo Chaves, a expectativa é de aumento no preço das passagens, num cenário em que as empresas já operam com margens estreitas e têm pouca capacidade de absorver choques simultâneos de custo.
Na avaliação dele, a pressão vem de dois lados: de um lado, a reforma tributária, com possível aumento da carga sobre o setor; de outro, a guerra, que elevou o preço do petróleo e, por consequência, o do querosene de aviação.
“Pegou a guerra, o aumento do petróleo, o aumento do querosene de aviação e o aumento do IVA através da carga tributária”, afirmou.
O professor disse que a implementação de uma reforma tributária tende a redistribuir o peso dos tributos entre setores, o que torna o processo sensível. Segundo ele, ao aliviar segmentos considerados prioritários, como medicamentos, o sistema acaba impondo maior carga a outras áreas, como a aviação.
Para Chaves, o setor aéreo acabou sendo especialmente castigado por enfrentar ao mesmo tempo o choque tributário e o encarecimento dos combustíveis.
“Talvez alguma coisa tenha que ser feito especificamente para passagem aérea”, disse.
Ao comentar a alta de 55% no querosene de aviação, o professor afirmou que esse efeito ainda não chegou integralmente ao consumidor, mas deve aparecer em breve.
“Isso aí nem chegou na ponta ainda”, disse. “Em breve as passagens, na minha visão, vão estar mais caras.”
Chaves ponderou que, embora a alta incomode consumidores e empresas, tentar segurar preços artificialmente não parece uma solução adequada diante da redução da oferta global de petróleo provocada pela guerra.
“Também tentar tabelar isso não parece ser uma boa solução”, afirmou.
Sobre competitividade, o professor disse que o choque do petróleo afeta a indústria aérea global como um todo e, por isso, não representa uma perda isolada para o Brasil frente a outros mercados.
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Seguir no Google“Esse choque aí é para todo mundo. Então todas as passagens vão ficar mais caras por conta da guerra e por conta do preço do petróleo”, disse.
Na visão dele, os principais entraves estruturais para o turismo no Brasil estão em outras frentes, especialmente segurança pública e infraestrutura. Ele afirmou que o câmbio relativamente desvalorizado já favorece a entrada de estrangeiros, mas isso não basta para tornar o país mais atrativo.
“Segurança pública, talvez de forma lateral, seja a pauta mais importante para estimular o turismo”, afirmou.
Chaves também defendeu investimentos em infraestrutura e transporte para ampliar a capacidade de receber turistas e melhorar a experiência de quem viaja pelo país. No turismo regional, ele avaliou que o avanço depende mais de crescimento econômico e melhora na distribuição de renda.
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