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Patrimônio dos milionários brasileiros cresce, mas número de ricos cai; veja o mapa global
Publicado 04/06/2026 • 07:58 | Atualizado há 54 minutos
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Publicado 04/06/2026 • 07:58 | Atualizado há 54 minutos
KEY POINTS
Foto: Freepik
Patrimônio do clã Lee Em março, o patrimônio combinado dos herdeiros da dinastia Lee alcançou cerca de US$ 45,5 bilhões, colocando o clã como o terceiro mais rico da Ásia.
O Brasil registrou um resultado ambíguo em 2025 no mapa global da riqueza. A fortuna acumulada pelos indivíduos de alta renda no país avançou 6%, mas a população de milionários recuou 0,2% no período. Os dados constam do World Wealth Report 2026, relatório anual da Capgemini divulgado nesta quinta-feira (4), em sua 30ª edição.
O desempenho coloca o Brasil em posição distinta dentro da América Latina. Enquanto a riqueza cresceu acima da média regional, impulsionada por utilities e commodities, a base de milionários encolheu. México, por exemplo, registrou alta de 1,8% na população de HNWIs.
🔍 HNWIs (High Net Worth Individuals) são indivíduos com patrimônio investível acima de US$ 1 milhão, excluída a residência principal. O termo é o padrão adotado pelo setor global de gestão de patrimônio para classificar clientes de alta renda.
O crescimento patrimonial brasileiro em 2025 foi puxado por setores com menor capacidade de geração de novos milionários. Utilities e commodities responderam pela valorização dos ativos, mas não produziram o mesmo efeito multiplicador que mercados de tecnologia ou mercados de capitais mais amplos tiveram em outras regiões.
A América Latina como um todo cresceu 5,1% em riqueza HNWI, com a população de milionários avançando apenas 0,3%. O relatório atribui o desempenho modesto da região a baixa produtividade, fraca geração de empregos qualificados e incerteza comercial que continuaram a limitar a expansão.
No cenário global, o Brasil ficou distante dos países que mais expandiram sua base de milionários. A Coreia do Sul foi o destaque absoluto de 2025, com riqueza HNWI subindo 16,7% e população crescendo 15,2%. O índice KOSPI disparou 75,62% no ano, o maior retorno de um índice acionário em todo o mundo, puxado pelo desempenho de Samsung e SK Hynix e por mudanças regulatórias favoráveis ao mercado de capitais.
Hong Kong avançou 13,6% em riqueza e 11,6% em população de milionários. Japão registrou alta de 12,3% e 10,9%, respectivamente, beneficiado pelo enfraquecimento do iene e pelo Nikkei, que subiu 26% em 2025. A China cresceu 12,2% em patrimônio, com o índice de Xangai acumulando ganho de 18,4%.
Na Europa, Alemanha foi o destaque, com riqueza HNWI avançando 12,7% e população de milionários subindo 11,1%, sustentada pelo DAX e pela valorização de 4% nos imóveis residenciais.
O Oriente Médio foi a única região a encolher, com queda de 1,5% na riqueza e de 1,4% na população de HNWIs, pressionada por petróleo mais fraco e conflitos regionais.
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Ao todo, o patrimônio global dos HNWIs chegou a US$ 98,3 trilhões ao fim de 2025, alta de 8,7% sobre o ano anterior. Foi a maior expansão anual em cinco anos. A população mundial de milionários cresceu 7,9%, chegando a 25,3 milhões de pessoas.
A Ásia-Pacífico liderou o crescimento por região, com alta de 10,5% na riqueza e 9,4% na população. América do Norte registrou avanço de 9,9% e 9,1%, respectivamente. Europa cresceu 8% em patrimônio e 6,5% em população. África avançou 7%, impulsionada pela alta nos preços de metais preciosos.
Os chamados ultra-HNWIs, com patrimônio acima de US$ 30 milhões, registraram pelo segundo ano consecutivo o crescimento mais acelerado entre todos os segmentos: 9,7% em riqueza e 9,4% em população. Esse grupo concentra 34,8% de toda a riqueza global dos milionários, apesar de representar apenas 1% do total de indivíduos.
O crescimento global da riqueza não se traduziu em ganhos equivalentes para os grandes bancos e gestoras tradicionais. O relatório estima que entre 2022 e 2025, US$ 1,5 trilhão em ativos sob aconselhamento migraram para fora do setor incumbente, capturados por family offices, plataformas digitais e assessores independentes.
O fenômeno tem explicação direta no comportamento dos clientes. Em 2019, 39% dos HNWIs trabalhavam com uma única gestora. Em 2025, esse percentual caiu para 19%. No mesmo período, os que operam com quatro a seis gestoras simultaneamente saltaram de 12% para 25%.
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Seguir no GoogleA pesquisa revela que apenas 17% dos milionários afirmam que a experiência de assessoria se sente personalizada e fluída. Outros 42% relatam que precisam repetir objetivos e preferências repetidas vezes para a mesma instituição.
O relatório aponta a inteligência artificial como o caminho para que as gestoras tradicionais recuperem terreno. A Capgemini defende o conceito de “inteligência aumentada”: tecnologia que amplifica o julgamento humano dos assessores em vez de substituí-los.
Andressa Auge, head de estratégia do Bradesco e integrante do comitê diretor do relatório, avalia que a adoção de IA exige transformação estrutural profunda, não apenas experimentação incremental. Segundo ela, sem dados limpos e acessíveis em todos os sistemas, a tecnologia não entrega resultados confiáveis e a mudança requer investimento de múltiplos anos.
O estudo identificou que 41% do tempo dos assessores ainda é consumido por tarefas operacionais, não pelo atendimento ao cliente. A automação dessas atividades poderia reduzir em até 50% a carga operacional dos profissionais, segundo projeções da Capgemini.
Para os próximos anos, o mercado de robo-advisory deve crescer 44,1% ao ano até 2030. Family offices devem expandir 9,7% ao ano no mesmo período, enquanto advisors independentes devem avançar 6,8%. O crescimento projetado para as gestoras tradicionais é de 6,2% ao ano.
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