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Querosene dispara 57,6% e pressiona custos, mas passagem aérea sobe apenas 0,3% em junho

Publicado 20/07/2026 • 17:12 | Atualizado há 13 horas

KEY POINTS

  • O preço médio das passagens voltou a subir após cair para R$ 632,53 em maio.
  • O querosene de aviação acumula alta de 34,1% na comparação com junho de 2024.
  • A pressão de custos ocorre em meio ao avanço da demanda e aos recordes de passageiros no país.
Caminhão-tanque com a inscrição Aviation abastece passagens aéreas encarecidas pelo querosene em aeroporto ao entardecer

ano Banana 2 / Imagem gerada por IA com prompt de Allan Ravagnani

Abastecimento de aeronave comercial em aeroporto: querosene de aviação já responde por até 45% dos custos operacionais das companhias

O preço do querosene de aviação disparou em junho, mas a alta ainda não foi repassada na mesma proporção às passagens aéreas. Enquanto o combustível ficou 57,6% mais caro em um ano, a tarifa doméstica média avançou 0,3%, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

O bilhete custou, em média, R$ 660,50 por trecho no mês passado. Na comparação com junho de 2024, a alta foi de 3,1%, considerando valores corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O resultado também representa uma retomada em relação a maio, quando a tarifa média havia recuado para R$ 632,53. Em abril, o valor era de R$ 669,41 e, em março, havia chegado a R$ 707,16, o maior patamar entre esses quatro meses.

Apesar da oscilação mensal, a tarifa registrada em junho ficou próxima da média de 2025, de cerca de R$ 648 por trecho. No ano passado, o preço médio recuou 3,3% em relação a 2024 e acumulou queda de 10,9% na comparação com 2022, ano em que a tarifa atingiu o pico do período, segundo a Anac.

Leia também: Anac reajusta tarifas aeroportuárias em Guarulhos e Viracopos

Combustível pressiona custos das companhias

O preço médio do querosene de aviação (QAV) chegou a R$ 5,66 por litro em junho. Além da alta de 57,6% em relação ao mesmo mês de 2025, o combustível acumulou avanço de 34,1% na comparação com junho de 2024.

O QAV é um dos principais componentes das despesas operacionais das empresas aéreas e responde por cerca de um terço dos custos do setor. Relatório da Anac aponta participação próxima de 30%, enquanto estimativas do Ministério de Portos e Aeroportos colocam esse peso em cerca de 35%.

O preço do combustível acompanha as oscilações internacionais do petróleo e do câmbio. Nos últimos meses, as cotações foram pressionadas pela maior volatilidade no mercado de energia, em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã.

A diferença entre a alta do QAV e a variação das passagens indica que o aumento dos custos não apareceu integralmente nas tarifas de junho. Isso não significa, porém, que o impacto tenha sido eliminado. As companhias também podem ajustar capacidade, frequência de voos, disponibilidade de assentos promocionais e preços cobrados em cada rota.

Tarifas seguem abaixo do pico recente

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Os dados mensais mostram que o preço médio das passagens vem oscilando ao longo de 2026. Em março, a tarifa chegou a R$ 707,16, com alta de 17,8% ante o mesmo período de 2025. Em abril, recuou para R$ 669,41, mas ainda ficou 9% acima da comparação anual. Em maio, caiu novamente, para R$ 632,53, antes de voltar aos R$ 660,50 registrados em junho.

O comportamento reflete a dinâmica do setor, em que os preços variam conforme antecedência da compra, demanda, oferta de assentos, período do ano e nível de concorrência em cada rota.

A Anac acompanha as tarifas comercializadas em todas as linhas domésticas regulares. O painel da agência reúne dados desde 2002 e permite observar as diferenças entre rotas e períodos.

Demanda aérea avança em 2026

A pressão de custos ocorre em um momento de crescimento do número de passageiros. Nos cinco primeiros meses de 2026, os aeroportos brasileiros movimentaram 54,9 milhões de viajantes em voos domésticos e internacionais, alta de 6,7% sobre o mesmo período do ano anterior e recorde para o intervalo.

Somente no primeiro trimestre, foram 33,5 milhões de passageiros, avanço de 7,7% na comparação anual. O desempenho reforça a recuperação da demanda, mas também amplia a atenção sobre a capacidade das companhias de absorver custos mais altos sem reduzir a oferta ou elevar significativamente os preços.

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O que entra no cálculo da Anac

A tarifa média considera os bilhetes comprados por passageiros em voos nacionais, analisados rota a rota.

O cálculo inclui apenas o valor pago pelo transporte aéreo. Não entram nessa conta as tarifas de embarque nem os serviços adicionais contratados separadamente, como despacho de bagagem e marcação de assentos.

A tarifa de embarque, por exemplo, remunera os serviços e a infraestrutura oferecidos pelos aeroportos e é contabilizada separadamente do preço cobrado pela companhia aérea.

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