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AMD lança o Helios, seu primeiro sistema de IA em rack para rivalizar com a Nvidia
Publicado 20/07/2026 • 15:30 | Atualizado há 13 horas
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Publicado 20/07/2026 • 15:30 | Atualizado há 13 horas
KEY POINTS
Ilustração / Reuters
Logotipo da AMD e uma placa-mãe de computador
Após uma década de recuperação, a gigante dos chips Advanced Micro Devices (AMD) está se preparando para enviar seu primeiro sistema em escala de rack para inteligência artificial, chamado Helios, para uma lista crescente de clientes que agora inclui a Microsoft.
É o primeiro rival dos populares sistemas Grace Blackwell e Vera Rubin, da Nvidia, e pretende oferecer à fabricante de chips mais valiosa do mundo sua primeira concorrência real em anos.
A Microsoft anunciou nesta segunda-feira que usará o sistema Helios em seus data centers, juntando-se à Meta, OpenAI, Oracle e outras empresas na corrida para obter o máximo de capacidade computacional possível.
A AMD começará a enviar o sistema para clientes, incluindo a Microsoft, ainda este ano. As ações da AMD subiram mais de 4% nesta segunda-feira. Os papéis da Microsoft avançaram mais de 1%.
Os detalhes sobre os termos financeiros ou a quantidade de capacidade computacional contratada não foram divulgados.
“Estamos expandindo o portfólio de infraestrutura do Azure com o AMD Helios para oferecer aos clientes o desempenho, a escala e as opções de que precisam para desenvolver e executar a próxima geração de aplicações de IA”, escreveu o CEO da Microsoft, Satya Nadella, em um comunicado.
O novo sistema Helios dará suporte à inferência de modelos de fronteira para a Microsoft, seus clientes de IA e aos serviços do Azure AI. A Microsoft também adicionará duas novas instâncias de computação executadas pelos mais recentes processadores centrais (CPUs) Venice, da AMD: uma voltada para IA agêntica e pipelines de dados, e outra para design de semicondutores.
A novidade dá continuidade a uma parceria de longa data entre as empresas, com chips da AMD alimentando computadores Surface e consoles Xbox da Microsoft há muitos anos. Em 2023, a Microsoft também foi a primeira a adotar a GPU MI300X, da AMD, criada para competir com os chips de IA da Nvidia. A empresa também utiliza seus próprios chips Maia em seus data centers.
Assim como suas concorrentes, a Microsoft precisa de cada vez mais capacidade computacional, especialmente à medida que acelera o desenvolvimento de seus próprios modelos e destina mais recursos de computação para pesquisa e desenvolvimento. Em junho, anunciou sete modelos desenvolvidos internamente. Até agora, seus esforços em IA tiveram resultados mistos, desde o assistente Microsoft 365 Copilot até o agente de programação GitHub Copilot. As ações da Microsoft são as de pior desempenho entre as chamadas “Magnificent Seven” neste ano.
A Microsoft faz parte de um número crescente de grandes empresas que recorrem à AMD para acelerar cargas de trabalho de IA. A AMD afirma que oito das dez maiores empresas de IA executam cargas de trabalho em suas GPUs Instinct, incluindo OpenAI, Cohere e a SpaceXAI, de Elon Musk, que faz parte da SpaceX.
Em fevereiro, a Meta anunciou que utilizará até 6 gigawatts de GPUs da AMD ao longo do tempo, começando com 1 gigawatt instalado em racks Helios ainda este ano. OpenAI e Oracle também assumiram compromissos significativos para implantar o Helios este ano, assim como a Tata Consultancy Services (TCS), maior empresa de tecnologia da informação da Índia.
A CNBC teve acesso exclusivo ao primeiro olhar detalhado do mundo sobre um sistema Helios, diretamente do laboratório de data centers no Texas onde ele está sendo desenvolvido e testado.
Batizado em homenagem ao deus grego que conduzia o Sol pelo céu com a ajuda de quatro cavalos, o Helios reúne quatro áreas desenvolvidas internamente pela AMD: GPUs, CPUs, rede e software.
“Estamos muito focados em oferecer o melhor custo total de propriedade, o menor custo por token possível”, disse Forrest Norrod, chefe da divisão de data centers da AMD, à CNBC. “E nossos clientes estão nos dizendo que estamos conseguindo isso.”
Em maio, a CEO da AMD, Lisa Su, disse ao apresentador Jim Cramer, da CNBC, que o Helios oferece “benefícios significativos” em relação aos sistemas em escala de rack da Nvidia, especialmente em inferência, largura de banda de memória e capacidade de memória.
Embora a AMD não tenha comentado sobre o preço, a consultoria Futurum Group estima que o Helios custará entre US$ 5 milhões e US$ 5,5 milhões. Em comparação, o sistema Vera Rubin, da Nvidia, deve custar entre US$ 3,5 milhões e US$ 4 milhões.
Pesando até 7 mil libras (cerca de 3,2 toneladas), o Helios também é mais largo e mais pesado que o Vera Rubin.
Segundo o Futurum Group, a Nvidia controla mais de 95% do mercado de GPUs para data centers. A AMD possui apenas cerca de 4,5%, mas o Helios pode mudar esse cenário.
“Acredito que existe um cenário bastante sólido em que a AMD se saia muito bem e alcance entre 20% e 25% desse mercado. E estamos falando de centenas de bilhões de dólares em receita”, afirmou Daniel Newman, analista e CEO do Futurum Group.
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No primeiro trimestre de 2026, os data centers responderam pela maior parte da receita da AMD, com crescimento de 57% em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa informou à CNBC que pretende registrar dezenas de bilhões de dólares em receita com IA para data centers a partir de 2027, sendo a maior parte proveniente do Helios.
No mercado de CPUs para data centers, a Intel continua sendo a líder, mas a AMD vem ganhando participação de forma constante. Essa liderança em CPUs diferencia a empresa da Nvidia, que lançou seu primeiro processador para servidores apenas em 2021 e voltou a concentrar sua estratégia nesses chips neste ano.
Norrod chamou o Helios de “nosso bebê” enquanto mostrava à CNBC os principais chips do sistema. Cada uma de suas 18 bandejas de computação possui quatro GPUs Instinct alimentadas por um único processador EPYC.
Foram justamente esses processadores EPYC para data centers que ajudaram a AMD a recuperar uma década de liderança perdida nesse mercado.
Em 2003, a AMD lançou um processador revolucionário para servidores que lhe permitiu conquistar rapidamente quase um quarto do mercado. No entanto, essa participação desapareceu após uma série de atrasos e erros estratégicos que resultaram em demissões e queda de receita quando Lisa Su assumiu o comando da empresa.
“Sob a liderança de Lisa nos últimos 12 anos, esta passou a ser uma AMD muito diferente”, disse Norrod.
A recuperação começou após o lançamento da primeira geração dos processadores EPYC para servidores, em 2017.
“Uma das coisas que fizemos foi apresentar nosso roteiro de produtos em detalhes para três gerações, algo muito incomum. E entregamos exatamente o que prometemos.”
Parte desse roteiro previa o lançamento do Helios utilizando a atual série de GPUs MI400.
Cada bandeja do Helios também conta com até 12 chips de rede, desenvolvidos com tecnologia adquirida pela AMD quando comprou a Pensando, em 2022.
Essa foi uma das várias aquisições que ajudaram a tornar o desenvolvimento do Helios possível.
A maior compra da história da AMD foi a aquisição da fabricante de chips programáveis Xilinx, por quase US$ 50 bilhões, em 2022. Em 2025, a empresa também comprou a fabricante de servidores ZT Systems por quase US$ 5 bilhões, além de diversas empresas de software que contribuíram para o desenvolvimento do ROCm, plataforma de código aberto criada para competir com o ecossistema CUDA, amplamente utilizado pela Nvidia.
Para Neil Shah, analista da Counterpoint Research, os chips Helios da AMD estão “no mesmo nível” das GPUs e CPUs da Nvidia, mas o “ingrediente secreto está no software e na otimização”.
“Com o CUDA, a Nvidia possui um ecossistema muito maior e está bastante à frente da AMD.”
Segundo ele, o Helios oferece à AMD uma oportunidade de avançar significativamente, dependendo do desempenho das primeiras implementações.
“A questão será: a AMD vai vencer porque é tecnologicamente superior? Ou vencerá porque há uma restrição tão grande de capacidade que, se ela conseguir fabricar os sistemas, sempre haverá alguém disposto a comprá-los?”, concluiu Daniel Newman.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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